Obra de 224 km entra na fase de revestimento e deve ser concluída até janeiro de 2027
A base asfáltica já começou a ser aplicada nas obras de pavimentação do terceiro trecho da Rota Bioceânica no Paraguai. São 224 quilômetros da rodovia PY15, entre as cidades de Mariscal Estigarribia e Pozo Hondo, na fronteira com a Argentina.
As obras de pavimentação deste trecho foram divididas em quatro lotes. O primeiro, de 53,8 quilômetros, onde o revestimento está sendo colocado, está com o trabalho mais acelerado e conta com várias frentes simultâneas.
Enquanto algumas equipes implantam a base granular cimentada, etapa essencial para receber a capa asfáltica, outras realizam serviços de terraplanagem em três pontos do traçado, na altura dos quilômetros 102, 130 e 137 da rodovia.
Segundo o MOPC (Ministério das Obras Públicas e Comunicações do Paraguai), as obras estão sendo executadas por quatro consórcios, e o investimento neste trecho é de US$ 354 milhões, com financiamento do Fonplata (Fundo Financeiro para Desenvolvimento da Bacia do Prata).
Além do impacto logístico, a obra já movimenta fortemente a economia regional. Moradores da região vêm sendo incorporados às equipes de apoio, gerando empregos e renda em áreas historicamente afastadas dos grandes investimentos.
O MOPC aponta que a obra beneficiará diretamente cerca de 41 mil pessoas em Mariscal Estigarribia e Pozo Hondo e, indiretamente, mais de 225 mil habitantes de diversas localidades do Chaco.
Em visita às obras no início de abril, o presidente paraguaio Santiago Peña projetou que a pavimentação do trecho deve estar concluída até janeiro de 2027.
Panorama do corredor
A pavimentação no Chaco paraguaio é uma das obras fundamentais para viabilizar o Corredor Bioceânico, também chamado de RILA (Rota da Integração Latino-Americana) ou Corredor Rodoviário de Capricórnio. A via é uma megaestrada, com mais de 2,4 mil quilômetros, que conecta os oceanos Atlântico e Pacífico, passando por Brasil, Paraguai, Argentina e Chile.
Porto Murtinho, em Mato Grosso do Sul, é o portal da rota no Brasil. A expectativa dos quatro países é que o corredor se transforme em uma grande via de escoamento de produtos e importação de mercadorias entre as nações sul-americanas e os mercados asiáticos, com a possibilidade de redução de até 30% nos custos e de até 15 dias no tempo de transporte frente a rotas marítimas tradicionais, como o Canal do Panamá.
Segundo o MOPC, a extensão da Rota Bioceânica no país foi dividida em três trechos para pavimentação. O primeiro, de Carmelo Peralta a Loma Plata, tem 277 quilômetros e já está concluído. O investimento na iniciativa foi de US$ 443 milhões.
Em Carmelo Peralta está sendo construída a Ponte da Bioceânica, que liga o país ao Brasil, por Porto Murtinho, em Mato Grosso do Sul. A obra é outra estrutura fundamental para viabilizar o corredor e está com 90% dos trabalhos concluídos. A previsão é que em maio ocorra o encontro dos dois lados da construção, o chamado “beijo das aduelas”.
Já o segundo trecho da rota no Paraguai vai de Cruce Centinela a Mariscal Estigarribia. Tem uma extensão de 102 quilômetros e um investimento previsto de US$ 200 milhões, com empréstimo já autorizado pelo BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento).
Segundo o ministério, enquanto não ocorre a pavimentação, já existe outra rodovia na região, a PY09, que foi remodelada e pode funcionar como alternativa para o trecho.
O terceiro trecho, que já começa a receber a base asfáltica e deve ser concluído até janeiro do próximo ano, superou marcos críticos, como a construção de 50 quilômetros de aterro e 57 linhas de bueiros, essenciais para a durabilidade da via no solo do Chaco.
A estrutura viária prevê uma pista de 7 metros de largura, com acostamentos de 2,5 metros, e a instalação de passagens de fauna para preservar o ecossistema local.
Fonte: Campo Grande News (por Anderson Viegas; com informações de Toninho Ruiz, de Porto Murtinho)





