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quinta-feira, 30 de abril de 2026

Aleitamento materno ganha força em MS com encontro nacional

Evento reúne especialistas de todo o país, destaca desafios atuais e reforça necessidade de doação de leite humano

Campo Grande sediou até esta quinta-feira (30), o XVII Encontro Nacional de Aleitamento Materno (ENAN) e o VII Encontro Nacional de Alimentação Complementar Saudável (ENACS), consolidando o protagonismo de Mato Grosso do Sul na promoção da saúde materno-infantil. A programação reúne especialistas, profissionais de saúde, pesquisadores e mães.

Programação reúne ciência, troca de experiências e mobilização social

A programação, realizada no Centro de Convenções, inclui conferências, mesas-redondas, rodas de conversa, sessões científicas e atividades culturais. Entre os destaques estão debates sobre políticas públicas, influência das mídias digitais, mudanças climáticas, segurança alimentar, saúde mental, povos indígenas e o papel da atenção primária.

O evento também marca a celebração dos 20 anos da NBCAL (Lei 11.265/2006) e promove discussões sobre o controle do marketing de produtos que interferem na amamentação.

Defesa do aleitamento e enfrentamento aos ultraprocessados

A médica e coordenadora da Rede IBFAN (Rede Internacional em Defesa do Direito de Amamentar) no Brasil, Marina Rea, destaca que o encontro percorre o país com o objetivo de fortalecer políticas públicas e qualificar práticas.

“O ENAN e o ENACS são realizados em todo o Brasil. Esta é a 17ª edição do ENAN e a 7ª do ENACS, e estamos em Campo Grande. Iniciamos com atividades pré-congresso na Unigran, com cursos e oficinas sobre temas como alergia alimentar, atenção a mães com deficiência e Iniciativa Hospital Amigo da Criança. Seguimos com três dias de programação, com 25 sessões entre mesas-redondas, rodas de conversa, discussões, lançamentos de livros e a comemoração dos 20 anos do grupo Matrice, o maior grupo de mães do Brasil”, explica.

Ela também chama atenção para os impactos do marketing digital na alimentação infantil.

“Recebemos uma mensagem do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacando a importância do controle do marketing digital de alimentos ultraprocessados. O primeiro ultraprocessado que pode comprometer a saúde da criança é a fórmula infantil. Quando introduzida, ela reduz a produção de leite materno e interfere no aleitamento, podendo iniciar um processo de desmame, muitas vezes influenciado por conteúdos nas redes sociais”, afirma.

Segundo Marina, o Brasil teve papel importante na aprovação da regulamentação do tema na Assembleia Mundial da Saúde e o evento segue princípios de independência institucional.

“Essa pauta foi liderada pelo ministro, com apoio da IBFAN. Fizemos um trabalho conjunto com outros países e a proposta foi aprovada na OMS (Organização Mundial da Saúde) no ano passado. Nossos eventos são realizados sem conflito de interesses, não aceitamos recursos de entidades privadas com interesse comercial nesses produtos e contamos com parceiros governamentais e organismos internacionais, como OPAS (Organização Pan-Americana da Saúde) e UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância). Aqui, tivemos apoio fundamental da SES (Secretaria de Estado de Saúde) e da Secretaria Municipal, que viabilizaram a estrutura e a organização”, afirma.

Qualificação profissional e fortalecimento de políticas públicas

Presidente do IBFAN-MS, Osvaldinete Silva reforça o caráter técnico-científico do evento.

“O ENAN é o maior evento técnico-científico do Brasil voltado ao aleitamento materno. Reúne profissionais de saúde, ativistas, pesquisadores e estudantes para qualificar as redes de apoio, fortalecer políticas públicas, capacitar profissionais e disseminar conhecimento científico atualizado”, destaca.

Ela enfatiza que a troca de experiências é um dos principais ganhos.

“É um espaço de construção coletiva, que contribui para aprimorar práticas e fortalecer a cultura da amamentação, um benefício essencial para a saúde da criança”, afirma.

Pela primeira vez sediado em Mato Grosso do Sul, o encontro representa um marco para o Estado.

“Recebemos profissionais de diversos municípios e também de outras regiões do país, o que amplia a capacitação e permite conhecer experiências exitosas. Isso fortalece diretamente a política estadual de aleitamento materno”, completa.

Alinhamento com a ciência e legado para o Estado

Para o gerente de Alimentação e Nutrição da SES, Anderson Holsbach, a realização do evento reforça o compromisso da gestão com a ciência.

“Participar da organização permitiu alinhar as discussões às necessidades do território, ampliar a rede de parcerias e deixar um legado de conhecimentos para enfrentar desafios”, afirma.

Ele destaca ainda os resultados positivos das políticas públicas.

“Os indicadores mostram que estamos no caminho certo na promoção do aleitamento materno, da alimentação complementar saudável e da promoção da saúde”, diz.

Segundo Holsbach, o tema dialoga com agendas estratégicas.

“A discussão também se conecta com Saúde Digital e Saúde Única, especialmente em um momento de desenvolvimento do Estado, com a rota da celulose e o corredor bioceânico. Esse avanço precisa caminhar junto ao pleno desenvolvimento infantil”, ressalta.

Para a gerente da Atenção Integral à Saúde da Criança da SES, Cristina Schulz, a realização do encontro fortalece a organização da rede de cuidado.

“É uma oportunidade de qualificar ainda mais os profissionais, alinhar práticas baseadas em evidências e integrar os diferentes pontos da rede, desde a atenção primária até a hospitalar. Isso se reflete na melhoria do cuidado e nos resultados em saúde, especialmente na promoção do aleitamento materno e da alimentação adequada na primeira infância”, destaca.

Na avaliação da referência técnica em aleitamento materno da SES, Liliane Rodrigues, o evento também contribui para aprimorar as práticas no território.

“O encontro permite padronizar condutas e atualizar os profissionais com base nas melhores evidências científicas, além de reforçar estratégias como o apoio às mães, o fortalecimento dos bancos de leite humano e a ampliação das ações nos municípios. Esse movimento é fundamental para garantir continuidade do cuidado e ampliar os índices de amamentação no Estado”, completa.

Mato Grosso do Sul no centro do debate nacional

Vice-presidente do evento, a nutricionista Neide Cruz destaca a importância da realização em Campo Grande.

“O encontro acontece a cada dois anos em uma capital brasileira. Pela primeira vez estamos sediando em Mato Grosso do Sul, com 1001 inscritos, recebendo participantes de todo o país e também do exterior, com representantes do México, Portugal, Argentina e Uruguai, além de palestrantes da Espanha”, explica.

Para ela, o momento é estratégico para troca de experiências e valorização do trabalho local.

“É uma oportunidade de capacitação, troca de experiências e fortalecimento das práticas em saúde materno-infantil. Também é o momento de mostrar o trabalho de qualidade que desenvolvemos. Temos muito a apresentar ao Brasil e ao mundo”, afirma.

André Lima, Comunicação SES

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