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Três Lagoas
quinta-feira, 30 de abril de 2026

Estudantes e professores do IFMS desenvolvem soluções tecnológicas para o SUS

Com financiamento do Ministério da Saúde, 35 bolsistas e docentes do Campus Três Lagoas atuam na criação de softwares e portal da transparência do Sistema Único

A tecnologia desenvolvida nos laboratórios do Campus Três Lagoas do Instituto Federal de Mato Grosso do Sul (IFMS) está impulsionando a modernização do atendimento público por meio do Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde (PET-Saúde): Informação e Saúde Digital. 

A iniciativa viabiliza a criação de soluções digitais para o Sistema Único de Saúde (SUS) em uma cooperação técnica da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS-CPTL), em parceria com o IFMS, as Faculdades Integradas de Três Lagoas (AEMS) e a Secretaria Municipal de Saúde.

O projeto, coordenado pelo professor Alisson Oliveira dos Santos (UFMS), foi reconhecido como um dos dez melhores do país em edital do Ministério da Saúde. Ao todo, 150 profissionais e acadêmicos de diversas áreas — como Medicina, Direito, Enfermagem e Psicologia — atuam na força-tarefa. 

“Somos atores de inovação que mapeiam processos e desenvolvem as soluções digitais que otimizam o cotidiano dos pacientes e servidores do SUS em Três Lagoas”, explica o professor Alex Fernando de Araújo

O IFMS marca presença na iniciativa com quatro docentes e 35 estudantes bolsistas dos cursos de Engenharia de Computação e Análise e Desenvolvimento de Sistemas.

Protagonismo tecnológico e inovação 

O papel do IFMS no ecossistema de saúde local é transformar necessidades da gestão pública em ferramentas tecnológicas funcionais. O suporte técnico acontece diretamente nos laboratórios de computação do campus: Lab de Software IF5, Laboratório de Sistemas Inteligentes, Magic IT Lab e IRIS.

Para o professor Alex Fernando de Araújo, um dos responsáveis pela frente tecnológica no IFMS, o sucesso da parceria reflete o nível da pesquisa desenvolvida no campus. 

“Participamos da concepção do projeto desde o início, e o fato de ele ter sido reconhecido garantiu o financiamento integral de bolsas para nossos pesquisadores e estudantes. Somos atores de inovação que mapeiam processos e desenvolvem as soluções digitais que otimizam o cotidiano dos pacientes e servidores do SUS em Três Lagoas”, explica.

“Quando a informação chega em tempo hábil, o paciente não perde a data do exame. Isso evita remarcações desnecessárias que acabam atravancando o fluxo dentro do SUS”, diz o professor Rogério Antoniassi

Transparência na palma da mão 

O resultado mais visível dessa união até o momento é o Portal da Transparência da Regulação em Saúde. O sistema permite que o paciente acompanhe o andamento de filas para exames e consultas pelo CPF, eliminando a necessidade de deslocamento físico até uma unidade de saúde apenas para obter informações.

O professor Rogério Alves dos Santos Antoniassi, responsável pelo desenvolvimento do portal, explica que o desafio foi simplificar sistemas governamentais complexos para uma tela de fácil navegação.

“Criamos toda a estrutura de processamento e a interface para fazer essa ponte. Na tela que o paciente utiliza, o foco foi transformar essa complexidade em um visual limpo. O objetivo é garantir que qualquer pessoa consiga consultar seus agendamentos de forma simples, direta e acessível”, detalha.

A segurança da informação foi prioridade no desenvolvimento. “Aplicamos regras rigorosas para garantir a privacidade de cada paciente, seguindo à risca a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais”, completa.

Além de facilitar a vida do cidadão, a ferramenta ataca um problema crítico da gestão pública: o absenteísmo.

“Quando a informação chega em tempo hábil, o paciente não perde a data do exame. Isso evita remarcações desnecessárias que acabam atravancando o fluxo dentro do SUS”, acrescenta Rogério. 

Estudantes e professores do IFMS desenvolvem soluções tecnológicas para o SUS

Formação fora da curva 

Para o IFMS, o projeto remove os limites da simulação acadêmica. A experiência imersiva permite que os bolsistas enfrentem a complexidade de uma rede de saúde real enquanto ainda estão na graduação.

“Ter os bolsistas imersos nessa realidade acelera a formação porque remove os ‘limites’ da sala de aula. Eles deixam de resolver problemas simulados para enfrentar desafios reais, aprendendo a trabalhar em equipes multidisciplinares com profissionais de áreas como Direito e Medicina”, destaca Alex. 

“Isso gera autonomia tecnológica para a saúde pública de Três Lagoas e garante que o conhecimento produzido no IFMS retorne diretamente como benefício para a população local”, complementa o professor.

“Enfrentamos desafios que nos estimulam a aprender assuntos que muitas vezes não aparecem na grade curricular. O contato com estudantes de outras áreas traz uma troca constante, algo que se aproxima bastante da realidade do mercado de trabalho”, relata a estudante Luísa de Matos.

A estudante de Análise e Desenvolvimento de Sistemas, Luísa de Matos, confirma o impacto na rotina acadêmica.

“Enfrentamos desafios que nos estimulam a aprender assuntos que muitas vezes não aparecem na grade curricular. O contato com estudantes de outras áreas traz uma troca constante, algo que se aproxima bastante da realidade do mercado de trabalho”, relata a bolsista.

Próximas frentes de trabalho 

O grupo está concentrado no mapeamento das demandas da Central de Regulação, do Laboratório Municipal e do Centro de Especialidades Médicas (CEM).

Atualmente, as equipes realizam um levantamento detalhado para identificar quais outras necessidades tecnológicas dessas unidades serão atendidas pelo projeto.

Para o IFMS, o objetivo é garantir que o desenvolvimento de novas ferramentas continue otimizando o fluxo de atendimento, tornando os serviços de saúde mais ágeis e acessíveis para toda a comunidade.

Sobre o Programa 

As atividades são amparadas pelo Edital Conjunto SEIDIGI/SGTES-MS Nº 1/2025. O programa funciona por meio de grupos tutoriais que integram professores (tutores), profissionais da rede de saúde (preceptores) e estudantes (monitores). O suporte financeiro ocorre via fomento federal para o pagamento de bolsas mensais ao longo de 24 meses, garantindo a permanência dos alunos e a viabilidade das pesquisas.

Para mais informações sobre as diretrizes do programa, acesse a página oficial do PET-Saúde no portal do Ministério da Saúde.

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