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Três Lagoas
segunda-feira, 4 de maio de 2026

VIOLÊNCIA FORA DE CONTROLE EM TRÊS LAGOAS

O último fim de semana em Três Lagoas não foi apenas violento — foi um retrato cruel de uma realidade que há tempos vem sendo ignorada. Sete pessoas baleadas, duas mortes a tiros, uma delas em pleno cartão-postal da cidade, a Lagoa Maior, durante um evento com dezenas de famílias presentes. O que mais precisa acontecer para que o poder público acorde?

A sensação de insegurança deixou de ser percepção para se tornar rotina. E não se trata de um episódio isolado. A escalada da violência vem se repetindo com frequência alarmante, enquanto a resposta das autoridades segue aquém da gravidade dos fatos. É impossível não questionar: onde está a presença efetiva do Estado?

É preciso dizer com todas as letras: o governo estadual, sob a liderança de Eduardo Riedel, e a Secretaria de Segurança Pública, comandada por José Carlos Videira, devem investimentos  nos órgãos de Três Lagoas. A cidade cresceu, se desenvolveu, atraiu indústrias, trabalhadores e investimentos — mas a estrutura de segurança pública não acompanhou esse avanço, está aquém da realidade.

Hoje, com mais de 140 mil habitantes e uma população flutuante significativa, Três Lagoas enfrenta desafios típicos de grandes centros urbanos, mas sem o aparato necessário para enfrentá-los. Faltam viaturas, falta efetivo, falta estrutura. Policiais fazem o possível — muitas vezes o impossível —, mas não se combate o crime apenas com boa vontade.

Relatos de ligações ao 190 sem resposta, as vezes fora do ar, escancaram uma falha grave no sistema. Não se trata de apontar o dedo para os agentes da ponta, mas sim para uma engrenagem maior que claramente não está funcionando. Segurança pública exige planejamento, investimento e prioridade — três elementos que, ao que tudo indica, não têm sido direcionados adequadamente à cidade.

Enquanto isso, a criminalidade se adapta e avança. Furtos constantes de fios de cobre deixam bairros inteiros no escuro. Usuários de drogas agem sem temor. A polícia prende, mas o sistema solta — criando um ciclo de impunidade que revolta o cidadão de bem. A sensação é de enxugar gelo.

E os problemas não param por aí. O Corpo de Bombeiros, essencial em situações de emergência, opera com limitações evidentes. A ausência de equipamentos básicos, como uma escada Magirus para atendimento em prédios, é inaceitável para uma cidade do porte de Três Lagoas. A Polícia Militar Ambiental, responsável por uma vasta região, também sofre com falta de recursos, viaturas e efetivo.

Outro ponto crítico é o abandono do sistema de videomonitoramento. Câmeras instaladas com investimento público simplesmente não funcionam. Quantos crimes poderiam ter sido evitados ou solucionados se esse sistema estivesse ativo? A morte da jovem de 19 anos na Lagoa Maior talvez tivesse outro desfecho — ou ao menos respostas mais rápidas.

Para agravar ainda mais o cenário, a recente prisão de criminosos de alta periculosidade pela Polícia Federal na cidade evidencia que Três Lagoas entrou no radar de organizações criminosas nacionais. Isso não é detalhe — é um alerta vermelho.

Diante desse quadro, não há mais espaço para discursos genéricos ou promessas vagas. A população exige ação concreta. Reforço imediato no efetivo policial, ampliação da frota de viaturas, modernização dos sistemas de atendimento e monitoramento, investimento em equipamentos e valorização das forças de segurança são medidas urgentes — e inadiáveis.

Também é hora das lideranças políticas locais — vereadores, prefeito e representantes estaduais e federais — assumirem sua responsabilidade e cobrarem, com firmeza, o que é de direito da cidade. Três Lagoas não pode continuar sendo tratada como coadjuvante, quando é protagonista no desenvolvimento econômico do Estado.

A proximidade das eleições reforça ainda mais a necessidade de consciência por parte do eleitor. É o momento de escolher representantes comprometidos com a realidade local, que não apenas apareçam em períodos eleitorais, mas que lutem de fato por melhorias estruturais.

Três Lagoas não pode esperar. A cidade pede socorro — e merece resposta.

Ricardo Ojeda

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