Por Alirio Villasanti
O trânsito se divide em três grandes vertentes: educação, engenharia e fiscalização. Pode-se incluir também o esforço legal, com questões administrativas e judiciais, além dos primeiros socorros nos casos de sinistros.
Sem dúvida, a mais importante dessas vertentes é a educação, pois, por meio de ações preventivas e educativas, busca-se promover uma conduta legalista e respeitosa por parte dos usuários das vias.
Com o objetivo de reduzir pela metade as mortes e lesões no trânsito até 2030, a ONU instituiu a Década de Ação pela Segurança no Trânsito.
No Brasil, dados oficiais apontam mais de 26 mil mortes no trânsito em 2024, com média diária de 71 óbitos.
Pesquisa nacional recente indica que 95% dos brasileiros consideram desonesto dirigir após ingerir bebida alcoólica, reconhecendo que essa conduta pode resultar na morte de alguém.
É notório que a dependência do transporte individual motorizado acaba inviabilizando cidades mais sustentáveis e inclusivas.
Dados em consolidação do Gabinete de Gestão Integrada de Trânsito (GGIT) de Campo Grande apontam 64 vítimas fatais em sinistros de trânsito em 2025 e, no ano corrente, 19.
Segundo o Batalhão de Polícia Militar de Trânsito, ocorreram, em 2025, mais de 13 mil sinistros de trânsito em Campo Grande, com média mensal superior a 1.100 ocorrências.
Esses números nos convidam à reflexão: o que deve ser feito para melhorar o trânsito em nossa capital?
As respostas são claras e consensuais entre os especialistas: melhoria da conduta dos motoristas, com maior respeito aos usuários mais vulneráveis, como pedestres e ciclistas; oferta de transporte coletivo ágil, eficiente, acessível, confortável e com tarifa justa; intensificação da fiscalização, especialmente para coibir a alcoolemia; intervenções urbanas favoráveis à mobilidade ativa; e maior investimento na engenharia de tráfego para melhoria da segurança e da fluidez, entre outras ações.
Algumas medidas importantes podem ser implementadas.
Uma delas é o reforço do policiamento de trânsito, uma vez que é perceptível a redução dos índices criminais em geral quando essa modalidade de policiamento é implantada em áreas críticas. Mesmo a simples presença de um policial em um cruzamento movimentado contribui para aumentar a segurança, além de aproximar a comunidade das forças públicas.
Prova da importância do policiamento de trânsito para a segurança pública é que a GNR de Portugal reativou recentemente sua unidade de trânsito, extinta em 2009. Para que haja esse reforço, é necessário o aumento substancial do efetivo policial no setor.
Outra medida essencial é o incentivo à mobilidade ativa, na qual os meios de locomoção utilizam a própria energia humana, como deslocamentos a pé ou de bicicleta. Para isso, é necessário desconstruir o caráter simbólico de que o automóvel representa autonomia e liberdade individual.
Um transporte público de qualidade pressupõe, também, fluidez. Nesse sentido, é importante implantar um corredor exclusivo de ônibus na principal avenida da capital, a Afonso Pena, que poderia ser estendido, por exemplo, aos taxistas. Para viabilizar essa medida, seria necessário o destombamento parcial do canteiro central da via.
Esses são três exemplos de ações relativamente simples que podem tornar o trânsito mais seguro e, consequentemente, melhorar a qualidade de vida dos cidadãos.






