Petrobras programa assinatura unificada dos 11 lotes para a primeira quinzena do mês. Parte das contratadas adianta aluguel de imóveis e montagem de escritórios na região
A retomada das obras da UFN III em Três Lagoas entra em fase decisiva. Desta vez, o projeto realmente deve sair do papel. A Petrobras programa para a primeira quinzena de junho a assinatura unificada de todos os contratos dos 11 lotes da obra. O modelo abandona o consórcio único usado na primeira fase, paralisada em 2014.
Cerca de sete empresas vão executar os pacotes de serviços. Diferente da tentativa anterior, a obra foi fatiada para reduzir riscos de atraso e facilitar a gestão. Cada lote terá acompanhamento direto de um gerente de projeto da Petrobras.
Parte das empresas contratadas já iniciou a mobilização em Três Lagoas. Levantamento da reportagem mostra que algumas companhias adiantaram a prospecção e o aluguel de casas, galpões e prédios para instalar sedes administrativas e bases de apoio. Outras aguardam a formalização dos contratos, prevista para junho, para começar a contratação local e a estruturação do canteiro.
MERCADO REAGINDO
O movimento aquece o mercado imobiliário da região. Já é notável o aumento na procura por imóveis comerciais e residenciais desde abril, quando a Petrobras aprovou a retomada com investimento estimado de US$ 1 bilhão.
Após a assinatura, as empresas entram em fase de mobilização administrativa, reunião e documentação. A expectativa do setor é que a movimentação mais intensa no canteiro comece entre julho e agosto.
A obra deve atingir pico entre 7.500 e 8.000 trabalhadores diretos entre o 14º e o 15º mês após o início dos contratos. A mobilização será gradual. Nos três a quatro primeiros meses, a previsão é de 1.500 a 2.000 pessoas no canteiro. Os contratos têm duração de 26 a 29 meses.

A assinatura unificada é vista como sinal de que o projeto destravou. A estratégia já foi usada pela Petrobras em outras unidades, como Renest e Gaslub, para alinhar o início dos serviços entre empresas que terão atividades interligadas. A medida busca evitar os gargalos que travaram a primeira fase da UFN III.
START EM 2029
Quando concluída, a unidade terá capacidade nominal de 3.600 toneladas por dia de ureia e 2.200 toneladas por dia de amônia. A operação comercial está prevista para 2029. O Brasil importa mais de 85% dos fertilizantes usados no campo e consome cerca de 8 milhões de toneladas de ureia por ano, segundo a Argus Media.
A Petrobras informou que não comenta processos de contratação em andamento. A retomada da UFN III deve gerar emprego, renda e fortalecer o suprimento de insumos para o agronegócio no Centro-Oeste, Sudeste e Sul.





