Leilão previsto para 2026 reativa ferrovia centenária e cria corredor direto da Costa Leste ao Porto de Santos
Após anos de impasse, a Malha Oeste volta ao centro da estratégia do governo federal para destravar investimentos em ferrovias. O trecho de 1.973 km, que corta Mato Grosso do Sul ligando Corumbá a Mairinque (SP), é um dos mais avançados na nova carteira de concessões e deve ter edital publicado ainda em 2026.
O projeto está na fase final de reestruturação na ANTT. A previsão do Ministério dos Transportes é que a agência julgue a modelagem em maio e, em seguida, envie o processo ao TCU. Com aval do Tribunal, o leilão entra na fila para o segundo semestre.
Impacto direto na Costa Leste
Hoje operando com baixa capacidade, a ferrovia é vista como solução para o principal gargalo logístico da região que mais cresce em MS. Três Lagoas se consolidou como capital mundial da celulose com as fábricas da Suzano e Eldorado Brasil. No entorno, Ribas do Rio Pardo já opera uma unidade da Suzano, Inocência recebe a chilena Arauco em fase de construção, e Bataguassu está na rota para uma nova planta da Bracell.

Toda essa produção hoje desce de caminhão até Santos. A reativação da Malha Oeste cria um corredor ferroviário direto das indústrias ao porto. A conta é simples: cada trem de celulose tira cerca de 200 carretas das estradas. Isso reduz custo de frete, emissão de carbono e dá previsibilidade aos contratos de exportação.
Desafio
O ministro dos Transportes, George Santoro, afirma que a nova modelagem busca atrair operadores independentes e integrar a malha a outros corredores, como a Fico-Fiol. “O desafio é reduzir o custo logístico do Centro-Oeste”, disse.
Para a região de Três Lagoas, o ganho vai além da carga. No pico de obra de uma fábrica de celulose, o município chega a receber 12 mil trabalhadores, muitos de fora do Estado. O fluxo migratório sobrecarrega a BR-262, a MS-395 e a BR-158, principais acessos à Costa Leste. Tirar a celulose das rodovias significa menos tráfego pesado e mais segurança para quem circula entre as cidades.
Pacote de prioridades
Para viabilizar a modernização completa da via, o governo conta com a nova linha de crédito do BNDES, com prazo mínimo de 50 anos e carência nos primeiros anos de obra. “É fundamental para reestruturações pesadas como a Malha Oeste”, afirmou Santoro ao Valor. A Selic em 14,5% ao ano eleva o custo, mas a avaliação é que previsibilidade regulatória segura o interesse do mercado.
A Malha Oeste está no mesmo pacote de prioridades que o Arco Ferroviário do Sudeste e a Ferrogrão, todos com análise prevista no TCU até junho. O governo trabalha para publicar os editais em julho.
Segundo o ministro, players de rodovias estudam os ativos ferroviários e não deve faltar concorrência. A pasta projeta até R$ 500 bilhões em investimentos em ferrovias e rodovias nos próximos oito anos.
Para Três Lagoas e região, a ferrovia representa contrato de longo prazo com o setor de celulose, atração de terminais logísticos e rota competitiva para novos investimentos industriais. O Estado também deve se beneficiar dos chamamentos públicos para terminais que o governo pretende lançar em 2026.





