Município do Vale da Celulose avança na preparação para receber mega-fábrica de celulose enquanto obras indiretas já movimentam a economia e fortalecem a logística regional
Bataguassu vive a expectativa de iniciar um novo capítulo em sua história econômica com a chegada da fábrica de celulose da Bracell. O empreendimento bilionário, considerado um dos maiores investimentos privados previstos para Mato Grosso do Sul nos próximos anos, ainda aguarda a emissão da licença ambiental para dar início às obras da planta industrial.

Inicialmente, a previsão era de que o empreendimento já tivesse começado. No entanto, segundo informações ligadas ao processo de instalação, houve alteração no local previsto para a instalação da fábrica dentro da mesma propriedade rural. A mudança aproximou o projeto da BR-267, fator que acabou provocando atraso na expedição da licença ambiental necessária para o início oficial das obras.
Mesmo antes da autorização definitiva, a cidade já sente os reflexos da chegada da empresa. Estruturas ligadas ao futuro complexo industrial começam a tomar forma, como áreas destinadas ao viveiro florestal, alojamentos para trabalhadores e ampliação da rede hoteleira, demonstrando que Bataguassu já se prepara para receber o novo ciclo de desenvolvimento.
NOVA FASE DA CELULOSE EM MATO GROSSO DO SUL

A instalação da Bracell em Bataguassu representa mais um marco da expansão da cadeia da celulose em Mato Grosso do Sul, setor que transformou a economia estadual nas últimas duas décadas.
O primeiro grande salto ocorreu há cerca de 18 anos, com a chegada da antiga VCP, atual Suzano, em Três Lagoas. Anos depois, o município voltou a protagonizar um novo avanço industrial com a implantação da Eldorado Brasil.
Na sequência, Ribas do Rio Pardo recebeu o Projeto Cerrado, da Suzano, atualmente reconhecido como a maior fábrica de celulose em linha única do mundo.
Já em abril de 2024, Inocência entrou definitivamente no mapa global da celulose com o lançamento do Projeto Sucuriú, da Arauco, empreendimento que segue em construção e deve mobilizar 14 mil trabalhadores até sua inauguração prevista para 2027.
Agora, a vez é de Bataguassu, que desponta como novo polo estratégico do setor florestal e industrial no Estado.
CIDADE APOSTA EM ESTRUTURA LOGÍSTICA PRIVILEGIADA

Além da localização estratégica próxima à divisa com São Paulo, Bataguassu possui um diferencial logístico que pode se tornar decisivo para as operações da Bracell: o transporte hidroviário.
Cortada pela BR-267, rota importante de ligação entre Mato Grosso do Sul e o interior paulista por meio de Presidente Epitácio, a cidade também possui acesso ao Rio Pardo, onde existe um terminal portuário construído ainda durante o governo de Zeca do PT.
O terminal chegou a operar experimentalmente no passado com embarque de soja, mas está desativado há anos. A expectativa agora é de que a estrutura possa ser reativada para atender ao escoamento da futura produção de celulose.
A partir do Rio Pardo, as cargas poderiam seguir pela hidrovia Paraná-Tietê até Três Lagoas, passando pela eclusa de Jupiá e chegando ao interior paulista, em Pederneiras. De lá, a produção seguiria por ferrovia até o Porto de Santos.
HIDROVIA GANHA FORÇA NO SETOR FLORESTAL
A aposta no modal hidroviário não é inédita no setor. A própria Bracell já confirmou investimentos em estrutura portuária em Três Lagoas para transportar madeira produzida em áreas florestais de Água Clara até sua unidade industrial em Lençóis Paulista, no interior de São Paulo.
O projeto reforça a viabilidade logística da hidrovia Paraná-Tietê como alternativa para reduzir custos de transporte, diminuir o fluxo de caminhões nas rodovias e ampliar a competitividade da cadeia da celulose.
DESENVOLVIMENTO REGIONAL E NOVOS INVESTIMENTOS

Outro fator que amplia a expectativa em Bataguassu é o avanço da implantação da ZPE, a Zona de Processamento de Exportação, prevista para ganhar novos desdobramentos já nos próximos meses.
Com a combinação entre indústria, logística e exportação, a cidade começa a consolidar um ambiente favorável para atração de novos investimentos, geração de empregos e fortalecimento da economia regional.
A expectativa é de que, após a emissão da licença ambiental, o projeto da Bracell entre definitivamente em fase de obras, acelerando ainda mais a transformação econômica de Bataguassu e consolidando Mato Grosso do Sul como um dos maiores polos mundiais da celulose.





