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Três Lagoas
sexta-feira, 22 de maio de 2026

Campanha Maio laranja é tema de seminário na Câmara

O evento foi uma propositura dos vereadores Tonhão e Professor Pedrinho Junior em alusão à campanha de conscientização e combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes

Na noite de quinta-feira (21), a Câmara de Vereadores de Três Lagoas foi palco de um seminário com o tema “maio laranja”, campanha que visa a conscientização e combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes. O evento foi proposto pelos vereadores Tonhão, presidente da Câmara, e Professor Pedrinho Junior. A vereadora Evalda Reis, responsável pela Procuradoria da Mulher, e Davis Martinelli estiveram presentes. Alguns jovens vereadores também participaram.

O evento começou com a fala do presidente do Poder Legislativo, que acolheu a todos os presentes e defendeu a importância da temática. Tonhão também apresentou os membros do Parlamento Jovem e da Ordem DeMolay, enfatizando o valor de ter adolescentes presentes no seminário.

Na sequência, a delegada Sayara Quinteiro, da Delegacia de Atendimento à Mulher (DAM), apresentou a história de Araceli, a menina de oito anos que saiu mais cedo da escola e nunca chegou em casa. “Foi o caso dela, há 53 anos atrás, no Espírito Santo, que inspirou toda essa campanha do maio laranja”, contou.

Depois, Sayara explicou que a DAM é vista apenas como um lugar para acolher mulheres adultas vítimas de violência doméstica: “mas nós atendemos também vítimas crianças meninas”. A delegada ainda relatou os horrores que investigam, como homens procurando na deep web por uma iguaria: sex0 com bebês. “Isso é fruto do consumo de p0rn0grafia, que vai viciando e levando, cada vez mais, para busca de conteúdos mais pesados, como pedofilia, necrofilia e zoofilia”, disse Quinteiro.

A delegada finalizou pedindo: “não duvidem das crianças! Quando alguma relatar algo, levem a sério, encaminhem ela para algum órgão responsável, com profissionais que saberão atender adequadamente”.

Fernando Garcia de Brito, secretário de Assistência Social, usou a palavra para dizer que a prefeitura conta com profissionais qualificados. “Se não conseguem falar sobre o assunto em casa, com a família, levem até uma rede de proteção”, enfatizou. Fernando também agradeceu sua equipe pelo trabalho de proteção às crianças.

O vereador Professor Pedrinho Junior declarou ter um carinho enorme pela causa, “assim como esta casa de leis, que preza e tem muita atenção com a juventude três-lagoense”. O vereador reforçou o lema: “Infância não se toca, se protege”.

Mariana Thiago, presidente do Parlamento Jovem usou a tribuna representando os demais colegas: “o assunto de hoje não é nada confortável ou leve, mas que deve ser tratado. E não é sobre saber reconhecer os sinais, é sobre não ignorar quando eles chegam até nós; não é sobre entender o direito, é sobre nos calar quando sabemos que eles são violados; não é sobre conhecer o caminho da ajuda, mas sim sobre ter coragem de apoiar as pessoas que sofrem e passam por situações como essas. Eu acredito numa juventude que se posiciona. Não se calem. Denunciem”.

PALESTRAS

O primeiro palestrante, o juiz Roberto Hipólito da Silva Junior, da Vara da Infância e da Juventude, falou sobre a Lei nº13.431/2017, que estabelece o sistema de garantia de direitos da criança e do adolescente vítima ou testemunha de violência. “Ela normatiza e organiza mecanismos de proteção, prevenção e assistência, garantindo seus direitos fundamentais à saúde física e mental, desenvolvimento moral, intelectual e social, e proteção integral. Em outras palavras: tenta fazer com que o sistema que girava em torno das necessidades das instituições, passe a girar em torno da proteção da vítima em desenvolvimento”, explicou o juiz.

Roberto Hipólito fez uma metáfora: está chovendo e as instituições tem os seus guarda-chuvas. A criança vítima tinha que ficar transitando de uma guarda-chuva ao outro. Com a lei, nasce uma rede para que ela não tenha que reviver o caso várias vezes, que seja resolvido o caso o mais rápido e que ela não fique se molhando na chuva ao passar de órgão em órgão.

O técnico e agente de proteção do Serviço Social do Transporte e Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte (SEST/SENAT), Jorge Fachini, segundo palestrante da noite, começou reforçando que o tema do seminário “não deve ser fomentado só em maio, mas todo dia”. Jorge contou que, em 2026, o projeto de proteção do Serviço celebra 10 anos. “É uma ação em parceria com a Childhood Brasil, através do programa ‘Na mão certa’: o motorista, por estar nas estradas, nas ruas, é chamado para ser um agente protetor através da denúncia, que é a principal ferramenta para os órgãos competentes darem início a uma investigação”.

O técnico também falou sobre os tipos de violência que uma criança pode sofrer: “negligência (como falta de acesso à moradia, comida, estudo), física (a mais comum de se presenciar e atestar), psicológica (que pode ser a mais danosa por causar marcas para o resto da vida) e a sexual (a mais grave de todos). Esta pode ser classificada como abuso ou exploração sexual (que tem aumentado muito online), sendo a maioria dos casos cometidos dentro da própria família”.

Jorge apresentou a seguinte comparação: “se você deixa uma criança sozinha na internet hoje, é como deixar ele sozinha numa praça pública”. Então, mostrou o app e ações que desenvolvem para conscientizar motoristas e adultos sobre o cuidado e atenção com as crianças.

Campanha Maio laranja é tema de seminário na Câmara

Baixar o app “QUIZ PROTEÇÃO

A terceira palestrante, Rosemeire Cardoso de Oliveira Chaves, do departamento de proteção especial de média complexidade, reforçou que nenhuma criança deve carregar sozinha essa dor. “Temos que estar atentos aos sinais. Por muitas vezes elas se calam, mas o corpo fala, o comportamento muda. O silêncio protege o abusador. E a denúncia e a ação devem ser imediatas”, ressaltou.

Rosemeire falou sobre o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) e apresentou um dado crítico: “temos 137 casos de violência sexual atendidos pelo Centro. Se somar todas as violências contra a criança, temos 680 casos”. Ou seja, mais do que nunca temos que fortalecer essa rede de proteção.

ARACELI CRESPO

O maio Laranja é uma campanha de conscientização e combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes no Brasil, inspirada pelo caso de Araceli Cabrera Crespo, que foi assassinada em 1973. O dia 18 de maio foi instituído como o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes pela Lei nº9.970/2000, em homenagem a Araceli, que desapareceu e foi encontrada morta seis dias depois. A campanha busca aumentar a conscientização sobre a violência sexual infantil e incentivar denúncias, promovendo a proteção da infância e a luta contra a impunidade.

DENUNCIE

Se você presenciar qualquer tipo de abuso ou exploração infantil, denuncie! As denúncias podem ser feitas anonimamente pelo Disque 100.

Por Cadu Xavier

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