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Três Lagoas
quarta-feira, 27 de maio de 2026

Abigeato: grupo em caminhonetes invade fazenda em MS para carnear bois sobreviventes de acidente

Denúncia aponta que vários homens simularam que os animais estavam soltos na rodovia para tentar encobrir furtos e abate cruel dentro de propriedade privada

O grave acidente envolvendo uma carreta boiadeira na madrugada desta quarta-feira (27), na BR-262, em Três Lagoas, pode ter desencadeado uma sequência de crimes dentro de uma propriedade rural às margens da rodovia. O caso agora é alvo de denúncia por invasão de propriedade, abigeato, maus-tratos, abate clandestino e ameaça.

Segundo relato da família proprietária da Fazenda Caçula, localizada em frente ao km 26 da BR-262, sentido Três Lagoas–Campo Grande, local em que ocorreu o acidente, várias caminhonetes invadiram a área horas após o ocorrido para capturar e matar animais que haviam sobrevivido ao tombamento da carreta.

O caminhão, carregado de gado, tombou violentamente durante a madrugada. Com a gravidade do acidente, parte dos animais morreu na pista, enquanto outros sobreviveram, alguns feridos e outros ainda em condições de locomoção. Diante da situação, foi autorizada temporariamente a permanência de parte do gado dentro da fazenda até que a seguradora realizasse o recolhimento adequado dos animais.

Mas o que deveria ser uma operação de resgate acabou, segundo a denúncia, se transformando em uma verdadeira cena de barbárie.

Abigeato: grupo em caminhonetes invade fazenda em MS para carnear bois sobreviventes de acidente
Foto: Divulgação

Invasão para matar bois

A filha do proprietário da fazenda, que também é advogada, e preferiu não divulgar sua identidade, afirma que ao chegar à propriedade, por volta das 12h45, encontrou uma movimentação suspeita já dentro da área particular.

Ainda na entrada da fazenda, ela teria avistado dois bois deitados no chão e um veículo Astra ocupado por dois homens observando os animais.

“Eles disseram que tinham entrado para ver o que sobrou do acidente. Mas a situação estava estranha”, relatou a denunciante.

Desconfiada, ela teria solicitado apoio retornando o local. Foi então que, segundo ela, se deparou com uma cena revoltante. Uma caminhonete S10 cheia de homens tentava içar um boi ainda vivo para colocá-lo na carroceria.

Segundo a denunciante, os homens alegaram que o animal estava “todo quebrado” e que pretendiam “aproveitar a carne”.

Abigeato: grupo em caminhonetes invade fazenda em MS para carnear bois sobreviventes de acidente
Foto: Divulgação

Ela, no entanto, exigiu que o boi fosse solto imediatamente, já que os animais precisavam passar por avaliação da seguradora.

“Quando soltaram, o boi levantou normalmente. Ele estava vivo, sem fraturas e ainda chifrou um dos homens que havia amarrado ele”, segundo a denunciante.

Bois teriam sido mortos para simular que estavam soltos

A denúncia aponta um cenário ainda mais grave. De acordo com a família, pelo menos dois bois foram mortos dentro da propriedade rural de forma clandestina. Os animais teriam sido abatidos com faca e deixados sangrando dentro da fazenda.

Abigeato: grupo em caminhonetes invade fazenda em MS para carnear bois sobreviventes de acidente
Animal foi sangrado dentro da propriedade (Foto: Divulgação)

Outros dois bovinos, segundo a denúncia, foram retirados vivos da área e mortos do lado de fora da propriedade para criar a falsa narrativa de que estavam soltos na rodovia e ofereciam risco aos motoristas.

“Eles queriam dizer depois que os animais tinham escapado da fazenda e estavam na pista. Mas os bois estavam dentro da propriedade. Quando cheguei, estavam justamente tentando levar mais um vivo para fora dali”, afirmou a advogada.

A suspeita é de que o grupo pretendia retirar os animais vivos da fazenda para abatê-los fora da área particular, tentando dificultar futuras responsabilizações criminais.

Vídeos registraram ação dentro da fazenda

Parte da movimentação foi registrada em vídeos e fotografias feitos pela própria denunciante. As imagens mostram caminhonetes circulando dentro da propriedade e pessoas tentando manipular os animais sobreviventes.

Segundo ela, ao perceber que estava sendo filmado, o motorista de uma Fiat Toro preta passou a agir de forma agressiva.

“O homem cercou meu carro, impediu minha passagem e exigia que eu apagasse as fotos e os vídeos”, relatou.

Ainda conforme a denúncia, ele afirmou ser advogado e teria dito que “viria atrás” dela, em tom interpretado como ameaça.

Abigeato: grupo em caminhonetes invade fazenda em MS para carnear bois sobreviventes de acidente
Foto: Divulgação

Resposta Imediata

Segundo a denunciante, ela teria dito ser advogada também e que “ele deveria ter consciência de que estava cometendo crimes”, afirmou.

PRF acionada

Após o episódio, a mulher procurou ajuda na base da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Policiais chegaram a retornar com ela até a região, mas os suspeitos já haviam deixado a propriedade.

Segundo o relato, os veículos estavam parados em uma fazenda vizinha e alguns ocupantes já estavam em posse de outros animais mortos.

Mesmo diante das gravações, imagens das placas e vídeos da ação, até o momento, ninguém foi preso em flagrante.

Abigeato: grupo em caminhonetes invade fazenda em MS para carnear bois sobreviventes de acidente
Foto: Divulgação

“A PRF disse que não faria prisão apenas com base nos vídeos e nas placas, mesmo com as imagens mostrando claramente a situação”, declarou a denunciante.

Denúncias Formalizadas

A família informou que irá formalizar denúncias e representar criminalmente contra todos os envolvidos. Entre os possíveis crimes apontados estão:

• Abigeato (furto de gado);
• Invasão de propriedade particular;
• Maus-tratos aos animais;
• Abate clandestino;
• Ameaça;
• Associação criminosa.

Enquanto a seguradora recolhia os poucos animais restantes, a fazenda se transformava em cenário de revolta e indignação.

O que começou como um grave acidente na BR-262 terminou, segundo a denúncia, em uma corrida clandestina por carne, marcada por invasão, violência contra os animais e intimidação.

Agora, os vídeos gravados no local podem se tornar peças-chave para responsabilizar os envolvidos no caso que já causa forte repercussão.

Por: Pollyanna Eloy

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