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quinta-feira, 28 de maio de 2026

Maio Pela Vida mobiliza rede de saúde para qualificar assistência materna e reduzir mortes evitáveis

Oficinas reuniram profissionais da atenção primária, maternidades e serviços especializados para fortalecer a integração da rede e aprimorar o cuidado a gestantes, puérperas e recém-nascidos

Durante todo o mês de maio, a SES (Secretaria de Estado de Saúde), em parceria com a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) promoveu a iniciativa Maio Pela Vida – Qualificando o Cuidado Materno, uma série de oficinas realizadas nas principais maternidades de Campo Grande com o objetivo de fortalecer a rede de atenção materno-infantil e discutir estratégias para reduzir a mortalidade materna e infantil em Mato Grosso do Sul.

Os encontros aconteceram no HRMS (Hospital Regional de Mato Grosso do Sul), Santa Casa de Campo Grande, HUMAP-UFMS (Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian) e AAMI Cândido Mariano (Associação de Amparo à Maternidade e à Infância), reunindo profissionais da Atenção Primária à Saúde, Atenção Ambulatorial Especializada e equipes hospitalares.

Um percurso pelas maternidades para aproximar a rede

A proposta das oficinas foi levar a discussão para dentro dos serviços que concentram o maior número de partos da Capital, aproximando os profissionais que acompanham as gestantes durante o pré-natal das equipes que atuam diretamente na assistência ao parto e nascimento.

Coordenadora de Saúde da Mulher, Criança e Maternidade da SES, Renata Meireles explica que a iniciativa foi construída a partir da necessidade de fortalecer a integração entre os diferentes pontos da rede.

“Campo Grande concentra o maior número de nascidos vivos do Estado e também enfrenta desafios importantes relacionados à mortalidade materna. Nossa proposta foi reunir os profissionais que atuam no pré-natal, nos serviços especializados e nas maternidades para discutir esse cenário e construir estratégias conjuntas de enfrentamento”, destaca.

Segundo ela, os temas abordados foram definidos a partir das principais causas relacionadas aos óbitos maternos registrados atualmente, como síndromes hipertensivas da gestação, diabetes gestacional e hemorragias.

“Mais do que discutir temas extremamente relevantes para a saúde materna, essas oficinas têm um propósito maior. Mato Grosso do Sul está entre os estados com tendência de aumento da mortalidade materna. Precisamos mobilizar gestores e profissionais de todos os níveis de atenção para enfrentar essa realidade e qualificar cada vez mais a assistência prestada às mulheres e crianças”, afirma.

Integração entre maternidades e Atenção Primária

Um dos principais objetivos da iniciativa foi estreitar a relação entre as maternidades e as equipes da Atenção Primária à Saúde, responsáveis pelo acompanhamento contínuo das gestantes.

De acordo com a superintendente de Atenção Primária à Saúde da SES, Karine Cavalcante, a proposta surgiu justamente da necessidade de promover maior aproximação entre os serviços.

“Muitas vezes a Atenção Primária não conhece em detalhes o que acontece dentro das maternidades, embora seja ela quem mantém o contato mais próximo e contínuo com as gestantes e suas famílias. O objetivo foi criar um espaço onde todos pudessem dialogar, compartilhar experiências e qualificar o cuidado de forma integrada”, explica.

Além das discussões sobre os fatores relacionados à mortalidade materna, as oficinas permitiram que as maternidades apresentassem suas rotinas, fluxos e boas práticas para os profissionais das unidades básicas de saúde.

“Esse não deve ser um momento isolado. Queremos que a rede continue se reunindo, se conhecendo e trabalhando em conjunto para melhorar os serviços e reduzir os índices de mortalidade materna”, acrescenta.

Conhecimento que salva vidas

Entre os temas abordados durante o mês esteve também a discussão sobre violência sexual e abortamento legal, realizada no Hospital Universitário, referência estadual para atendimento às vítimas de violência sexual.

A atividade integrou as ações do Maio Pela Vida e do Maio Laranja, mês de combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes.

Para a gerente da Vigilância do Óbito Materno, Fetal e Infantil da SES, Hilda Guimarães, refletir sobre as causas dos óbitos é fundamental para evitar novas perdas.

“Quando estudamos um óbito, estamos identificando oportunidades de melhoria. É um momento de reflexão sobre aquilo que pode ser transformado para evitar que outras mulheres e outras crianças passem pela mesma situação. Estudar um óbito é, acima de tudo, dar vida à população”, ressalta.

Rede mais segura para mães e bebês

As oficinas também abordaram temas relacionados à segurança do paciente e à qualificação da assistência prestada às gestantes e aos recém-nascidos.

Segundo a coordenadora do Núcleo Estadual de Estratégia e Segurança do Paciente da SES, Eduarda Tebet, a troca de experiências entre os diferentes serviços é uma ferramenta importante para fortalecer o cuidado.

“O objetivo é construir uma rede de assistência cada vez mais segura para gestantes e recém-nascidos. Quanto mais fortalecermos essa integração e qualificarmos os profissionais envolvidos no cuidado, maiores serão as possibilidades de alcançarmos melhores resultados para mães e bebês”, afirma.

A diretora técnica da Maternidade Cândida Mariano, Karina Zucareli, destaca que a iniciativa também contribui para fortalecer o pré-natal realizado nas unidades de saúde da família.

“Essas oficinas são extremamente importantes para qualificar médicos e enfermeiros da Atenção Primária. Esse fortalecimento contribui diretamente para melhorar o acompanhamento do pré-natal de baixo risco e tornar o cuidado mais seguro desde o início da gestação”, avalia.

Compromisso com a redução da mortalidade materna

Celebrado em 28 de maio, o Dia Nacional de Redução da Mortalidade Materna coincide com o Dia Internacional de Luta pela Saúde da Mulher e tem como objetivo conscientizar a sociedade sobre os direitos das gestantes e a importância de uma assistência qualificada durante todo o ciclo gravídico-puerperal, do pré-natal ao pós-parto.

Dentro dessa mobilização, o mês de maio foi marcado por ações voltadas à qualificação dos profissionais e ao fortalecimento da rede de atenção à saúde da mulher e da criança em Mato Grosso do Sul.

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