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Três Lagoas
quarta-feira, 8 de julho de 2026

Suzano injeta R$ 1,476 bilhão em tributos e lidera a arrancada econômica de Mato Grosso do Sul

Com produção recorde e efeito multiplicador de empregos, gigante da celulose atrai R$ 3,7 bilhões para fornecedores locais e coroa Três Lagoas como a capital global do setor

O horizonte da Costa Leste de Mato Grosso do Sul, outrora dominado pela pecuária extensiva e por pastagens silenciosas, hoje pulsa no ritmo de gigantescas máquinas colheitadeiras e chaminés que operam em ritmo ininterrupto. O que se testemunha na região nos últimos vinte anos não é apenas um surto de crescimento isolado, mas uma das mais profundas metamorfoses socioeconômicas da história recente do Brasil. A região, agora batizada e reconhecida internacionalmente como o “Vale da Celulose”, tornou-se o epicentro de um fenômeno que une tecnologia de ponta, sustentabilidade florestal e uma agressiva geração de riqueza.

No centro desse turbilhão desenvolvimentista está Três Lagoas. Com uma população estimada em pouco mais de 140 mil habitantes, o município ostenta um fenômeno global: é a Capital Mundial da Celulose. Trata-se, possivelmente, da única cidade do planeta com essa faixa populacional a abrigar três linhas de produção de celulose de altíssima performance em seu território — duas operadas pela gigante Suzano e uma pela Eldorado Brasil. Essa impressionante concentração industrial transformou a cidade em um hub logístico global, conectando o interior sul-mato-grossense aos portos mais movimentados do mundo.

O cofre do desenvolvimento: R$ 1,476 bilhão que financiam o bem-estar social

Suzano injeta R$ 1,476 bilhão em tributos e lidera a arrancada econômica de Mato Grosso do Sul

Se a operação industrial impressiona pelas suas chaminés gigantes, a contrapartida fiscal que ela deixa no Estado é o que verdadeiramente move a engrenagem pública. Um levantamento detalhado das operações da Suzano revela o tamanho da dependência positiva que o poder público passou a ter do setor. Nos últimos três anos — compreendendo o triênio de 2023, 2024 e o recém-encerrado ano de 2025 —, a companhia recolheu a impressionante cifra de R$ 1,476 bilhão em tributos.

Esses recursos, que transitam pelas esferas municipal, estadual e federal, mostram a capilaridade da arrecadação da companhia em Mato Grosso do Sul. No nível local, o impacto concentra-se em Três Lagoas, sede da maior unidade integrada de produção de celulose do mundo. A engenharia tributária que compõe esse bilhão residual é complexa e robusta: envolve impostos sobre o lucro e a renda, como a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF); contribuições de seguridade, como o PIS e a Cofins; além de impostos fundamentais para a dinâmica regional, como o ICMS (estadual), o ISS (Imposto Sobre Serviços, municipal) e o ITR (Imposto Territorial Rural), que incide sobre as vastas florestas de eucalipto plantadas pela empresa.

O destino desse dinheiro não fica retido em planilhas de contabilidade. Na prática, a volumosa arrecadação fiscal funciona como o oxigênio financeiro para as prefeituras e para o governo estadual. São esses recursos que movimenta a máquina administrativa, pavimentando ruas, financiam a construção de postos de saúde, custeiam escolas e subsidiam programas de monitoramento e preservação ambiental. A relação construída entre a iniciativa privada e os municípios da Costa Leste solidificou-se como um pacto de desenvolvimento: a indústria extrai eficiência da terra e, em troca, devolve receita líquida para custear os direitos básicos da população.

A rota da exportação: de Mato Grosso do Sul para as potências globais

Para entender como uma única região consegue gerar tamanho volume de impostos, é preciso olhar para a escala de produção da Unidade de Três Lagoas. Com duas fábricas operando em perfeita sinergia, o complexo tem capacidade instalada para entregar até 3,25 milhões de toneladas de celulose por ano. Ao fechar o balanço de 2025, as duas plantas da Suzano na cidade atingiram a histórica marca acumulada de 36,2 milhões de toneladas produzidas ao longo de suas trajetórias.

O avanço não parou por aí. Impulsionada pela demanda global aquecida, a produção acumulada da unidade já rompeu a barreira das 39,7 milhões de toneladas de celulose. O destino desse mar de fibra curta é o mercado externo: mais de 90% de tudo o que é produzido em Três Lagoas é embalado, colocado em composições ferroviárias e rodoviária e despachado rumo ao porto de Santos para exportação. Os principais clientes são as indústrias de papel, tecidos e produtos de higiene pessoal das maiores potências econômicas da Ásia, da Europa e da América do Norte.

Suzano injeta R$ 1,476 bilhão em tributos e lidera a arrancada econômica de Mato Grosso do Sul

Essa hegemonia ganhou um reforço de peso em 2024, quando a Suzano expandiu suas fronteiras no estado e inaugurou sua terceira unidade fabril em MS, no município de Ribas do Rio Pardo. Conhecida por possuir a maior linha única de produção de celulose do planeta, a fábrica de Ribas operou em patamar de quebra de recordes em 2025 — seu primeiro ano completo de atividade. A unidade produziu 2,58 milhões de toneladas, superando a capacidade que os engenheiros haviam previsto originalmente no projeto. Em março de 2026, a planta de Ribas comemorou o marco histórico de 4 milhões de toneladas produzidas desde a sua ativação, consolidando o Estado como uma potência global imbatível no setor.

A força motriz do PIB e o efeito multiplicador de empregos

O impacto econômico dessa cadeia produtiva redesenhou os índices econômicos locais. De acordo com um estudo técnico desenvolvido em parceria com a prestigiosa Fundação Getulio Vargas (FGV) e publicado em 2021, a presença da Suzano é um dos principais pilares de sustentação da economia de Três Lagoas, respondendo por nada menos que 67% de todo o PIB industrial do município. Em termos práticos, significa dizer que a cada três reais gerados pela indústria local, dois vêm diretamente das operações da gigante da celulose.

No entanto, o dado que mais toca a realidade das famílias da região é o poder de contágio do mercado de trabalho criado pela empresa. O mesmo estudo da FGV trouxe à luz um indicador impressionante sobre o mercado de trabalho: para cada colaborador que a Suzano contrata em seus quadros — seja ele um funcionário próprio ou um prestador de serviços terceirizado —, a atividade da companhia desencadeia as forças de mercado necessárias para gerar até 15,5 novos postos de trabalho na economia local.

É o chamado efeito multiplicador: o dinheiro dos salários injetado na cidade movimenta o mercado imobiliário, os restaurantes, os postos de combustíveis, as escolas particulares e as lojas de roupas, criando uma rede de consumo estável e imune às crises que frequentemente afetam outros setores da economia nacional.

A economia capilarizada: R$ 3,7 bilhões irrigando as pequenas empresas locais

Muitas vezes, grandes corporações multinacionais são criticadas por criar “enclaves econômicos” — ilhas de extrema riqueza que não conversam com o comércio ao seu redor. No Vale da Celulose, a estratégia de suprimentos da Suzano seguiu o caminho inverso, apostando na nacionalização e na regionalização de seus fornecedores. Os números de 2025 dão a exata dimensão de como o dinheiro da celulose pulveriza-se pela economia interna do Estado.

Ao longo daquele ano, exatamente 824 pequenas e médias empresas situadas em Mato Grosso do Sul mantiveram contratos ativos com a Suzano. Juntas, essas empresas locais movimentaram o montante astronômico de R$ 3,7 bilhões. Trata-se de uma média injetada de R$ 308 milhões por mês circulando nas contas bancárias de oficinas mecânicas, empresas de logística, escritórios de engenharia, fornecedores de uniformes e prestadores de serviços tecnológicos do próprio estado.

Quando refinamos os dados e olhamos exclusivamente para o ecossistema de Três Lagoas, o impacto microeconômico impressiona ainda mais. No município, 532 fornecedores locais fecharam o ano de 2025 com faturamento atrelado à companhia, somando uma movimentação contratual de R$ 1,7 bilhão. Essa capilaridade mostra que o gigantismo da celulose não sufoca as pequenas empresas; pelo contrário, funciona como uma grande empresa-mãe que puxa, qualifica e injeta liquidez no empresariado local.

Duas décadas após o início de sua industrialização, a Costa Leste de Mato Grosso do Sul deixa de ser uma promessa de futuro para se consolidar como o maior caso de sucesso de desenvolvimento regional planejado do país, onde o plantio de florestas renováveis colhe, diariamente, bilhões de reais em cidadania, impostos e dignidade social.

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