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Três Lagoas
sexta-feira, 10 de julho de 2026

Silvicultura se consolida como motor Econômico e Sustentável na Costa Leste de Mato Grosso do Sul

A Costa Leste de Mato Grosso do Sul (conhecida como “Vale da Celulose”) concentra a maior parte do cultivo florestal do estado. Atualmente, a região abriga a maior parte dos cerca de 2 milhões de hectares de eucalipto plantados, principalmente em Três Lagoas e Ribas do Rio Pardo

O leste de Mato Grosso do Sul vive o maior ciclo de investimentos da sua história. Impulsionada pela silvicultura, a região deixou de ser apenas produtora de matéria-prima para se consolidar como polo industrial, tecnológico e ambiental de referência mundial na produção de celulose.

Conhecida como “Capital Mundial da Celulose”, Três Lagoas abriga duas das maiores fábricas do planeta: Suzano e Eldorado Brasil. Mas o movimento não para por aí. O chamado “Vale da Celulose” já se espalhou para cidades vizinhas e deve dobrar de tamanho nos próximos anos.

EXPANSÃO BILIONÁRIA

O setor atrai players nacionais e internacionais com investimentos que somam dezenas de bilhões de reais. Em Ribas do Rio Pardo, a Suzano iniciou em 2024 a operação da Unidade Cerrado, atualmente a maior planta de celulose do mundo, com capacidade para mais de 2,55 milhões de toneladas por ano.

Em Inocência, a chilena Arauco constrói sua primeira fábrica no Brasil. O projeto prevê planta industrial e base florestal própria, com geração estimada de mais de 14 mil empregos durante o pico do cronograma.

Já em Bataguassu, a Bracell anunciou estudos para instalação de uma nova unidade. Se confirmada, a planta vai reforçar o corredor logístico que liga o estado aos portos de Santos e Paranaguá.

O efeito é direto na economia local. Além dos empregos na indústria, cresce a demanda por serviços, transporte, pesquisa e mão de obra técnica. Cidades como Água Clara, Brasilândia e Selvíria também sentem o impacto com a expansão das bases florestais.

PRODUÇÃO E CONSERVAÇÃO CAMINHAM JUNTAS

Diferente do modelo do passado, a silvicultura moderna em MS combina alta produtividade com metas ambientais. As empresas mantêm extensas áreas de reserva legal e APPs, além de investir em programas de restauração.

Segundo especialistas do setor, não existe “receita única” para recuperar uma área degradada. O trabalho começa com diagnóstico de solo, clima e histórico de uso. A partir daí são aplicadas diferentes estratégias:

Silvicultura se consolida como motor Econômico e Sustentável na Costa Leste de Mato Grosso do Sul

– Silvicultura com espécies nativas: Integra produção de madeira de alto valor com corredores ecológicos e enriquecimento de áreas em restauração.

– Sistemas Agroflorestais e ILPF: Integram lavoura, pecuária e floresta na mesma área. Aumentam a renda do produtor e melhoram a fertilidade do solo.

– Restauração Ativa e Assistida: Em áreas com baixa capacidade de regeneração natural, há plantio de mudas, controle de invasoras e semeadura direta para acelerar o retorno da biodiversidade.

A lógica é clara: quanto mais saudável o ecossistema, maior a segurança hídrica e a produtividade das florestas plantadas.

DESAFIOS

Silvicultura se consolida como motor Econômico e Sustentável na Costa Leste de Mato Grosso do Sul
Fábrica da Suzano unidade de Ribas do Rio Pardo; atualmente a maior do mundo em operação (Foto: Assessoria)

Com a chegada de Arauco e Bracell, MS deve se tornar o maior produtor de celulose do Brasil ainda nesta década. O desafio agora é garantir que o crescimento venha acompanhado de inovação.

Universidades, institutos de pesquisa e as próprias empresas investem em melhoramento genético, manejo de baixo impacto e monitoramento por satélite. Programas de inclusão e capacitação profissional também ganham força para atender a demanda por técnicos, engenheiros florestais e operadores.

Para lideranças do setor, o leste sul-mato-grossense se tornou um laboratório real de como aliar indústria e meio ambiente. Produzir mais com menos impacto e, ao mesmo tempo, recuperar áreas degradadas.

Como resume um gestor florestal da região: “Aqui a gente provou que dá pra ter fábrica de classe mundial e floresta em pé. Uma coisa sustenta a outra.”

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