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terça-feira, 14 de julho de 2026

MS deve enfrentar trimestre com calor intenso e maior risco de incêndios

Boletim do Cemtec prevê temperaturas acima da média e El Niño forte até outubro no Estado

Mato Grosso do Sul deve enfrentar um trimestre de temperaturas acima da média histórica, com maior probabilidade de ondas de calor, baixa umidade do ar e aumento do risco de incêndios florestais, especialmente no Pantanal e em áreas de vegetação nativa. O cenário previsto para agosto, setembro e outubro é impulsionado pela intensificação do fenômeno El Niño, que apresenta 100% de probabilidade de ocorrência no período e deve atingir intensidade forte ou muito forte, segundo boletim divulgado pelo Cemtec (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul).

Apesar da previsão de precipitação ligeiramente acima da média climatológica, o Cemtec ressalta que o trimestre corresponde à transição entre a estação seca e o início do período chuvoso. Com isso, agosto e boa parte de setembro ainda deverão registrar baixos volumes de chuva, favorecendo a persistência de baixa umidade relativa do ar e de temperaturas elevadas antes do estabelecimento mais consistente das chuvas.

A equipe técnica do Cemtec, vinculada à Semadesc (Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), elaborou o boletim, que reúne projeções de modelos climáticos internacionais da WMO (Organização Meteorológica Mundial), do Copernicus Climate Change Service e da NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration) e do CPC (Climate Prediction Center) para indicar tendências meteorológicas do trimestre.

El Niño intensifica

As projeções apontam que o El Niño permanecerá ativo durante todo o trimestre, com 100% de probabilidade de ocorrência. Aproximadamente 90% das simulações indicam que o fenômeno deverá alcançar intensidade forte (42%) ou muito forte (48%), condição que aumenta a probabilidade de episódios precoces e severos de ondas de calor durante a transição entre o inverno e a primavera.

Chuva irregular

Os modelos climáticos indicam tendência de precipitação ligeiramente acima da média em Mato Grosso do Sul durante o trimestre. Entretanto, essa previsão não significa chuvas constantes. O documento destaca que a distribuição deverá ocorrer de forma irregular e que os baixos volumes previstos para agosto e parte de setembro mantêm o risco de estiagem temporária e baixa umidade.

Pela climatologia de referência, a maior parte do Estado costuma registrar entre 200 e 300 milímetros de chuva entre agosto e outubro. Os maiores acumulados históricos concentram-se no extremo sul, enquanto as menores médias ocorrem nas regiões norte, nordeste e noroeste.

Impactos

Segundo o boletim, a combinação entre calor persistente, baixa umidade e chuvas ainda irregulares cria um ambiente favorável à ocorrência de incêndios florestais, exigindo atenção especial no Pantanal e em outras áreas de vegetação nativa. Além disso, as condições climáticas podem provocar impactos sobre a agropecuária, os recursos hídricos, o setor energético e a saúde pública.

Os técnicos ressaltam, porém, que as previsões climáticas sazonais representam tendências probabilísticas. Isso significa que eventos extremos localizados ou variações regionais ainda podem ocorrer, já que os efeitos do El Niño dependem da interação com outros sistemas atmosféricos que influenciam o clima em Mato Grosso do Sul.

(*) Campo Grande News

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