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terça-feira, 21 de julho de 2026

Indústria esmaga pecuária tradicional e acende alerta para colapso na saúde de Inocência

Eucalipto engole pastagens e muda dinâmica econômica, enquanto comércio local lida com o paradoxo do progresso acelerado

No balcão de sua papelaria, no centro de Inocência, a reportagem do Perfil News encontra Mariene Garcia. Ex-presidente da Associação Comercial e Industrial de Inocência (ACI), ela personifica o paradoxo de quem viu a calmaria histórica da cidade ser engolida por uma tormenta de investimentos. Com a propriedade de quem liderou a classe empresarial, Mariene não doura a pílula ao analisar os efeitos colaterais da chegada da gigante Arauco. “Mudou muita coisa. A chegada da indústria foi próspera para quem quis investir, alguns setores colhem frutos, mas outros passam por momentos difíceis”, relata.

COMPETIÇÃO NO CAMPO

O impacto mais severo, segundo ela, deu-se nas bases históricas do município. O avanço agressivo das florestas de eucalipto sobre as terras destinadas ao gado sufocou a pecuária tradicional, mudando drasticamente o perfil do agronegócio regional. Mariene sentiu o baque diretamente em suas finanças: enquanto sua papelaria registrou crescimento, sua tradicional loja de produtos agropecuários e selaria definhou até fechar as portas. “O agro sofreu com essa competição. Vemos lojas fechando e o pessoal do campo indo embora”, lamenta, apontando para o esvaziamento de propriedades rurais tradicionais.

VULNERABILIDADE CLÍNICA

Indústria esmaga pecuária tradicional e acende alerta para colapso na saúde de Inocência
Foto: João Pedro Oliveira

O que realmente tira o sono de Mariene, contudo, é a fragilidade da infraestrutura humana da cidade. Com um exército de mais de 12 mil trabalhadores forasteiros circulando pelo município, a estrutura de saúde pública encontra-se no limite do colapso técnico. “Quem está de fora fica apavorado”, desabafa ela sobre a lentidão do poder público em dar respostas estruturais. “As pessoas têm pressa. Ouvimos especulação sobre um hospital, mas até agora nada. Se acontecer uma calamidade na rodovia, um grande acidente com tantas pessoas morando aqui, quem vai atender? Saúde e moradia têm pressa.”

Por: Augusta Rufino

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