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Três Lagoas
segunda-feira, 27 de julho de 2026

Eucalipto: a floresta que move a economia verde

Muito além da celulose, as florestas plantadas abastecem cadeias industriais estratégicas, contribuem para a preservação ambiental e colocam Três Lagoas (MS) entre os principais polos mundiais da bioeconomia e da produção florestal sustentável

As florestas plantadas de eucalipto ocupam um papel estratégico no desenvolvimento sustentável brasileiro. Muito além da produção de papel e celulose, essa matéria-prima renovável abastece uma ampla cadeia industrial que inclui a fabricação de móveis, painéis de madeira, energia renovável, biomassa, biocombustíveis, produtos químicos e até o aço utilizado em utensílios domésticos. Ao mesmo tempo, quando manejadas de forma responsável, as florestas cultivadas contribuem para reduzir a pressão sobre as florestas nativas, sequestrar carbono da atmosfera e promover a conservação ambiental.

Nesse cenário, Mato Grosso do Sul, especialmente a região de Três Lagoas, consolidou-se como um dos principais polos florestais do mundo. O município, conhecido internacionalmente como a Capital Mundial da Celulose, reúne grandes indústrias, tecnologia de ponta e um modelo de produção que alia competitividade econômica e responsabilidade socioambiental.

Florestas plantadas e conservação ambiental caminham juntas

Eucalipto: a floresta que move a economia verde
Na imagem vemos uma floresta plantada de eucalipto dividindo o espaço da foto com uma reserva florestal de uma empresa de celulose em Três Lagoas (Foto: Arquivo/Perfil News)

Ainda é comum a percepção de que as florestas plantadas competem com a vegetação nativa. No entanto, especialistas e entidades do setor defendem justamente o contrário: o cultivo de florestas comerciais atende à crescente demanda por madeira de origem renovável, reduzindo a exploração de ecossistemas naturais.

Esse conceito, difundido por iniciativas como o movimento “Florestas Pensadas”, demonstra que produção e preservação não são atividades excludentes. Com planejamento territorial, respeito às áreas de preservação permanente, recuperação de matas ciliares e adoção de boas práticas de manejo, a silvicultura contribui para proteger recursos hídricos, conservar a biodiversidade e ampliar os serviços ecossistêmicos.

Além disso, as florestas plantadas exercem importante papel no enfrentamento das mudanças climáticas. Durante seu crescimento, o eucalipto absorve dióxido de carbono (CO₂) da atmosfera, armazenando carbono em sua biomassa. Quando inserido em um ciclo produtivo sustentável, esse processo fortalece a economia de baixo carbono e amplia o potencial da indústria brasileira de oferecer produtos com menor pegada ambiental.

Especialistas do setor ressaltam que os impactos ambientais estão diretamente relacionados à forma como a atividade é conduzida, e não à espécie cultivada. O manejo adequado, aliado ao uso de tecnologia e monitoramento constante, garante a manutenção da fertilidade do solo e da produtividade ao longo das sucessivas rotações de cultivo.

Eucalipto: a floresta que move a economia verde

Segundo Júnior Ramires, presidente da Reflore/MS, entidade que representa o setor de base florestal em Mato Grosso do Sul, a produtividade das áreas cultivadas comprova a sustentabilidade da atividade.

“Se o eucalipto realmente secasse o solo, como explicar que hoje conseguimos produzir três ou quatro vezes mais do que se produzia há 50 anos na mesma área? A floresta que vocês estão vendo (clique aqui), provavelmente já está na sexta ou sétima rotação de cultivo, e o solo continua produtivo. Ele não secou, não se degradou e, pelo contrário, produz mais do que produzia décadas atrás. O que compromete a qualidade do solo não é o eucalipto em si, mas o manejo inadequado. Quando a floresta é conduzida com boas práticas de manejo, a produtividade se mantém e o solo é preservado.”

Da floresta ao aço: a presença do eucalipto em produtos do dia a dia

Embora seja amplamente associado à produção de papel e celulose, o eucalipto está presente em uma infinidade de produtos que fazem parte da rotina dos brasileiros — muitas vezes sem que o consumidor perceba.

Um dos exemplos mais surpreendentes está na indústria siderúrgica. A madeira de eucalipto é utilizada na produção de carvão vegetal, ou biocarbono, empregado como agente redutor nos altos-fornos para transformar o minério de ferro em aço.

Ao contrário do carvão mineral, cuja utilização gera elevadas emissões de gases de efeito estufa, o carvão vegetal proveniente de florestas plantadas representa uma alternativa renovável e de menor impacto ambiental. Esse processo permite a fabricação do chamado “aço verde”, utilizado em talheres, panelas, eletrodomésticos, estruturas metálicas, veículos e diversos outros produtos presentes no cotidiano.

A versatilidade do eucalipto também abastece os setores de construção civil, energia, embalagens, móveis, cosméticos, produtos farmacêuticos e bioquímicos, demonstrando a relevância dessa matéria-prima para uma economia baseada em recursos renováveis.

Três Lagoas consolida liderança mundial no setor florestal

Eucalipto: a floresta que move a economia verde
A cidade de Três Lagoas está entre os principais polos mundiais da bioeconomia e da produção florestal sustentável (Foto: Perfil News)

Referência internacional na indústria de base florestal, Três Lagoas reúne um dos maiores complexos de produção de celulose do planeta e concentra investimentos bilionários que impulsionam o desenvolvimento econômico de Mato Grosso do Sul.

A expansão do setor transformou a região em um importante polo de inovação tecnológica, geração de empregos, qualificação profissional e desenvolvimento logístico. Ao redor das grandes fábricas formou-se uma cadeia produtiva robusta, envolvendo viveiros de mudas, empresas de manejo florestal, transporte, pesquisa, serviços especializados e produção de carvão vegetal.

Mais do que produzir celulose, Três Lagoas tornou-se símbolo de um modelo de desenvolvimento que busca equilibrar crescimento econômico, conservação ambiental e uso responsável dos recursos naturais.

Em um cenário global cada vez mais voltado para a descarbonização da economia, as florestas plantadas reafirmam seu protagonismo. Renovável, versátil e sustentável quando conduzido sob critérios técnicos e ambientais, o eucalipto deixou de ser apenas uma matéria-prima da indústria de papel para se tornar um dos pilares da bioeconomia brasileira e um aliado estratégico na construção de uma economia de baixo carbono.

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