02/10/2007 08h27 – Atualizado em 02/10/2007 08h27
Globo Esporte
As jogadoras da seleção brasileira feminina de futebol cansaram de esperar e resolveram agir. Após o vice-campeonato na Copa do Mundo, redigiram uma carta à CBF exigindo mais apoio. O documento, preparado após a final da Copa do Mundo no hotel de Xangai, na China, foi assinado por todas as 21 atletas que disputaram o Mundial e, segundo elas, enviado por fax para a sede da entidade no Rio de Janeiro. Procurada pelo GLOBOESPORTE.COM, a CBF informou que a entidade ainda não recebeu o documento. Muitas atletas não dormiram de domingo para segunda-feira, acertando detalhes das reivindicações. A decisão foi tomada após uma reunião de todo o grupo, que tem receio de que a derrota para a Alemanha na final da Copa do Mundo mantenha o futebol feminino esquecido no país. Elas citam como exemplo as melhorias que não vieram após a conquista da medalha de prata na Olimpíada de Atenas, em 2004. No saguão do aeroporto de Paris, onde a seleção fez escala antes de seguir para o Brasil, as jogadoras que atuam no futebol nacional chamaram o supervisor Paulo Dutra e o chefe da delegação Raimundo Nonato e comunicaram a decisão. Elas entregaram aos dois uma cópia do documento enviado à CBF. A reunião durou cerca de uma hora. Entre as reinvidicações mais sérias, as jogadoras cobram clareza em relação às premiações. Querem saber antes de qualquer competição oficial os valores que serão pagos caso a seleção fique em primeiro ou segundo lugar. E cobram também a divisão da premiação paga pela entidade organizadora da competição. Na Copa do Mundo, por exemplo, a CBF vai receber da Fifa US$ 850 mil (R$ 1,54 milhão) pelo vice-campeonato. As atletas afirmam desconhecer quanto caberá a cada uma delas. A equipe também exige uma posição sobre a premiação da medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos, que ainda não foi paga, assim como a do Sul-Americano de Mar del Plata, disputado no fim do ano passado. Até o valor recebido pela medalha de prata na Olimpíada de Atenas em 2004 (que só foi pago dois anos depois) é questionado no documento. Ele seria menor do que o prometido pelo patrocinador da CBF na época. Outra reivindicação está no atual valor das diárias das atletas que é de RS 35 (no Brasil) e US$ 35 (R$ 63 – no exterior), sem considerar o desconto de impostos como o INSS. A quantia não é reajustada desde 2004. As jogadoras não possuem carteira assinada e afirmam que não é repassado nenhum tipo de comprovante do pagamento durante o período de treinos. Problemas de infra-estrutura também são parte importante do documento. As jogadoras reclamaram da falta de suplemento alimentar, que, segundo o documento, foi cortado no início de 2007 por contenção de despesas. Elas também questionam a proibição da utilização da academia durante o período dos treinamentos e das competições.




