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quinta-feira, 19 de março de 2026

Queimadas

11/09/2007 07h32 – Atualizado em 11/09/2007 07h32

É uma prática muito antiga, usada na agricultura e pecuária, que utiliza o fogo de forma “controlada” para viabilizar a agricultura e renovar as pastagens. Acontece que as facilidades que a princípio essa prática pode oferecer, não são compensadas pelos problemas que pode causar à natureza e ao meio ambiente. É sabido, de longa data, que as queimadas prejudicam o solo, pois além de destruir toda a vegetação, o fogo também acaba com os nutrientes e com minúsculos seres que atuam na decomposição de restos de plantas e animais, empobrecendo o solo, portanto prejudicando a fertilização e favorecendo a erosão. As queimadas freqüentes alteram o clima, propiciando a ocorrência de secas prolongadas, facilitando o surgimento de novos focos e a dispersão do fogo, o que leva a incêndios florestais que fogem do controle, e acabam dizimando grandes extensões de mata nativa, o que implica em mais destruição, mais seca, num ciclo vicioso, provocando a formação de desertos onde antes era floresta. A principal causa de incêndios florestais é a ação desordenada, provocada pelo homem que, ao promover o desmatamento e utilizar o fogo de maneira desordenada, cria condições favoráveis para a ocorrência de grandes incêndios. São necessárias algumas décadas para recompor o cenário. Além disso as queimadas contribuem para alterar o efeito estufa, pois provocam a emissão de dióxido de carbono, monóxido de carbono e óxido de nitrogênio, substâncias que a natureza caprichosamente acumulou durante muitos anos e contribuem, conseqüentemente para aumentar a temperatura do planeta. Outros problemas advindos dessa prática são também, diminuição da visibilidade o que aumenta o risco de acidentes, tanto aéreos como rodoviários, grande número de doenças respiratórias, agravadas pelos cancerígenos, quando existe plástico envolvido e pelo efeito do calor emanado do fogo que pode atingir 600 º C. O GRANDE DESERTO VERDE – ÁLCOOL: SOLUÇÃO OU PROBLEMA? O deserto convencional que todo mundo já ouviu falar, é uma grande extensão de areia, onde não há água, não há vegetação. Seus habitantes são roedores e répteis, ou seja não há praticamente vida nesse lugar. Uma situação de difícil sobrevivência. Um dos problemas são as tempestades de areia que movem tudo de lugar, mas que ao final a areia sedimenta e tudo volta ao “normal”, ou seja prejudica muito pouco a sobrevida dos seus habitantes naturais. Grandes plantações de cana iludem, a principio, como se fossem uma miragem num grande deserto. Porém a própria extensão dos canaviais pode ser comparada a um grande deserto, onde, embora o verde nos dê a idéia de fertilidade, nesses locais nota-se a ausência de pessoas e de grande parte da fauna antes existente, chão poluído e onde predominam ratos, lagartos e cobras. Assim como no deserto convencional, esse deserto verde também tem suas tempestades devastadoras que são as queimadas, que, como já dissemos esteriliza o solo, mata a fauna, contaminam o ar. Não há como refazer tudo em tão pouco tempo de intervalo entre uma queimada e outra, e é por isso que aparecem muitos ratos, por que se procriam muito rápido, e atraem as cobras. Toda cidade próxima de canaviais convive com esse problema. Resultado final a longo prazo é de grande impacto ao meio ambiente. Em nome de um combustível “limpo” estamos sujando a nossa casa. Todos nós temos responsabilidade com a preservação da natureza em nome do futuro do planeta. Então por que não tentamos agir de maneira mais racional, com mais critério? Temos que viver em equilíbrio com a natureza preservando o eco sistema. Temos que pensar nas outras nossas necessidades. Podemos pensar em colocar áreas intercaladas de outras culturas entre canaviais, como também manter algumas áreas de mata intercaladas e com isso diluir a poluição e possibilitar o cultiva de outros gêneros vitais de necessidade, e principalmente devemos exigir que se faça a abolição da prática das queimadas na agricultura. Por que, em paralelo à busca de combustíveis menos poluentes e renováveis, não se investe em aprimoramento e melhoria de rendimento dos motores. A autonomia em combustível dos motores hoje é a mesma, e em alguns setores piores que os da metade do século passado. Cesar Alonso Merigue

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