21/08/2007 10h05 – Atualizado em 21/08/2007 10h05
Agência Brasil
Os cinco partidos acusados de beneficiários do esquema conhecido como mensalão – PT, PMDB, PTB, PL e PP – teriam recebido pelo menos R$ 40,6 milhões para a compra de votos de parlamentares e para o financiamento ilegal de campanhas eleitorais. Os dados foram divulgados ontem (20) pelo Ministério Público Federal no Distrito Federal, que entrou com ações de improbidade administrativa contra 37 acusados de participação no esquema. As cinco ações foram divididas conforme os partidos. Segundo os procuradores da República Michele Rangel Bastos, Francisco Guilherme Bastos e Anna Carolina Resende, o partido que mais recebeu recursos foi o PTB: R$ 21,4 milhões foram repassados para a legenda. A acusação aponta que o dinheiro era dado inicialmente ao então presidente do PTB, José Carlos Martinez, que fazia a redistribuição aos parlamentares do partido. Após a morte de Martinez, num desastre de avião em 2003, quem passou a exercer a função foi o ex-deputado Roberto Jefferson, que herdou a presidência do partido. O ex-tesoureiro informal do PTB, Emerson Palmieri, ficou encarregado de fazer a ponte com o Banco Rural e o empresário Marcos Valério, que operavam os repasses. A segunda legenda a receber mais recursos, apontam os procuradores, foi o PL, com R$ 10,8 milhões, que chegavam ao partido de três maneiras: pela da empresa Garanhuns, de propriedade de Lúcio Funaro e José Carlos Batista; por meio dos ex-tesoureiros Jacinto Lamas e Emerson Palmieri; e por repasses diretos ao presidente do partido, Valdemar Costa Neto, e ao ex-deputado Carlos Rodrigues, conhecido como Bispo Rodrigues. Em terceiro lugar, informa o Ministério Público, ficou o PP, com R$ 4,1 milhões. Além dos pagamentos feitos pelo ex-assessor João Cláudio Genu, que fez saques no Banco Rural, outros ocorriam por meio da corretora Bônus-Banval, responsável pelo repasse de R$ 1,2 milhão. O PMDB ocuparia a quarta posição, com R$ 2,1 milhões, mas da ação consta somente o ex-deputado José Borba, líder do partido na Câmara até 2005. Parte desse dinheiro, informam os procuradores, foi sacada por Simone Vasconcelos – ex-gerente financeira da SMPB, empresa de publicidade de Marcos Valério – na agência do Banco Rural em Brasília e entregue pessoalmente ao parlamentar. O PT aparece com R$ 1,29 milhão. Até agora, segundo o Ministério Público, as investigações comprovaram o recebimento dos recursos apenas pelo deputado Paulo Rocha (PA), com R$ 920 mil, e pelos ex-deputados João Magno (R$ 350 mil) e Professor Luizinho (R$ 20 mil). Acusado de ter repassado R$ 1 milhão a legendas, o ex-ministro dos Transportes e atual prefeito de Uberaba (MG), Anderson Adauto, pertence ao PL mas foi incluído na ação contra o PT por ter sido membro do governo até 2004. De acordo com os procuradores, a principal finalidade dos repasses foi garantir a aprovação da reforma da Previdência e da primeira versão da reforma tributária, em 2003. “No caso do PT, que comandava o governo, o objetivo era pagar dívidas de campanha e financiar candidaturas com recursos de caixa 2 para permanecer no poder”, explicou a procuradora Anna Carolina Resende. A procuradora Michele Rangel Bastos informou que a lista de acusados pode ser ampliada. Dependendo da conclusão das investigações, mais sete nomes podem ser incluídos nas ações por improbidade: os dos deputados José Mentor (PT-SP), Sandro Mabel (PL-GO) e Vadão Gomes (PP-SP), e os dos ex-deputados Josias Gomes (PT-BA) e Vanderval Santos (PL-SP). O senador Romero Jucá (PMDB-RR) e o ex-ministro da Integração Nacional e atual deputado Ciro Gomes (PSB-CE) também podem ser alvo de processos. “Esses nomes apareceram durante as investigações, mas ainda não há evidências claras de participação deles no esquema”, ressaltou a procuradora Michele Rangel Bastos.


