06/08/2007 07h41 – Atualizado em 06/08/2007 07h41
Prof Rosildo Barcellos O Pan Rio 2007 foi uma das melhores coisas que nos aconteceu esse ano. Muitas alegrias e muitas histórias de superação nos fizeram esquecer dos grandes problemas que assolavam nossos dias. Os grandes esquemas de corrupção; a dor das inúmeras vidas ceifadas de parentes e amigos nesse mês de julho foram por alguns momentos atenuadas. A tristeza da ausência dos entes queridos foi maquiada pela belíssima participação brasileira que realizaram feitos “nunca vistos na história deste país”. A festa acaba, a segurança diminui mas temos sempre de levar uma lição das coisas e eventos que acontecem conosco. A mais importante é que, por incrível que pareça, as nossas decisões comandam nossas vidas. Claro, alguns podem dizer que Deus está no comando de tudo. Sim posso concordar, evidente;mas ele nos dá o livre arbítrio ele fica observando nossas movimentações.Se lembramos dele em nossas vitórias ou somente nas horas de dor e fracasso. E esse artigo vem retratar essa disposição de uma forma natural e consistente. Principalmente porque estamos no mês dos pais e sempre essa data me fala muito alto. pois todos nós dependemos de alguém para nossa orientação e estar nessa função de pai. Nossos professores são pais quando nos ensinam. Deus é pai quando nos sustenta.Os erros que cometemos são pais que nos corrigem mesmo sem eles estarem por perto; porque do erro vem a resposta de nossas decisões.Por isso para mim o dia dos Pais é um momento de reflexão e eu lembro de uma lenda que conta como podemos alcançar o céu ou o inferno através de nossas decisões. Certa vez uma pessoa muito forte e já conhecido pela sua índole violenta, como estupendo lutador e desbravador, foi procurar seu pai em busca de respostas para suas dúvidas.Encontrando-o,indagou: – Pai, disse o rapaz, com desejo sincero de aprender, ensina-me sobre o céu e o inferno. O pai , de pequena estatura e muito franzino, olhou para o então, famoso e bravo guerreiro e, simulando desprezo, lhe disse: – Eu não poderia ensinar-lhe coisa alguma, você está imundo. Seu mau cheiro é insuportável. – Ademais, a lâmina da sua espada está enferrujada. Acho que você é uma vergonha para a sua classe. Imediatamente o rapaz ficou enfurecido. O sangue lhe subiu ao rosto e ele não conseguiu dizer nenhuma palavra, tamanha era sua irritação e incômodo com aquelas palavras. Empunhou a espada que levava consigo, ergueu-a sobre a cabeça e se preparou para decapitar o seu velho pai. – “Aí começa o inferno”, disse-lhe o pai com tranqüilidade. O filho ficou imóvel. A sabedoria daquele pequeno homem o impressionara. Afinal, arriscou a própria vida para lhe ensinar sobre o inferno. O intimorato jovem abaixou lentamente a espada submetendo-se a introrsão e agradeceu ao seu genitor pelo valioso ensinamento. O pai continuou em silencio e apenas fitou-lhe os olhos. Passado algum tempo o filho, já com a intimidade pacificada, pediu humildemente ao pai que lhe perdoasse o opróbio sem propósito. Percebendo que seu pedido era sincero, o pai lhe falou: – “Aí começa o céu”. Com essa antiga lenda quero lembrar a todos a importante lição sobre o céu e o inferno que podemos construir .Tanto o céu quanto o inferno, são estados de alma que nós próprios elegemos no nosso dia-a-dia. Assim sendo a cada instante somos convidados a tomar decisões que definirão o início do céu ou o começo do inferno. É como se todos fôssemos portadores de uma caixa invisível, onde houvesse ferramentas e materiais de primeiros socorros. Diante de uma situação inesperada, podemos abri-la e lançar mão de qualquer objeto do seu interior.Assim, quando alguém nos ofende, podemos erguer o martelo da ira ou usar o bálsamo da tolerância. Se por outro lado estivermos sendo caluniados, podemos usar o machado do revide ou a gaze do entendimento e deixar que o próprio tempo desfaça essas maledicências. Se de repente deparamos com a enfermidade inesperada, podemos lançar mão do ácido da revolta ou limpar a ferida com a água oxigenada divina.Ante a partida de um ente caro, nos braços da morte inevitável, podemos optar pelo canivete do desespero ou pela chave de fenda da resignação. Enfim, surpreendidos pelas mais diversas e infelizes situações, aonde perpassam transeuntes apressados; ou onde a perplexidez se esconde; poderemos sempre optar pela incompreensão ou estender a ponte do diálogo que nos possibilite uma solução feliz; pois sempre haverá alguém que nos quer bem e nem tudo está perdido. Mas uma coisa é certa: o bem que hoje fazemos é o mal que não nos alcançará amanhã. Eu sou prova viva disso.Feliz Dia dos Pais
*articulista, contista e professor

