16.3 C
Três Lagoas
quarta-feira, 13 de maio de 2026

Falta rumo para a fronteira

07/07/2007 08h15 – Atualizado em 07/07/2007 08h15

*Paulo Rocaro A fronteira vive na atualidade um ‘estado de lamúria’ total. Por onde se anda nessa cidade se ouve são queixas dos mais diferentes segmentos da sociedade, de que Ponta Porã está literalmente parada. De um simples pedreiro ao mais abastado empresário, passando pelos comerciantes e produtores rurais, o lamento é o mesmo. Não há crença ou euforia justificável ultimamente. Confesso que não posso me queixar da situação em termos profissionais ou empresariais, já que administro meus negócios em família. Seria injusto dizer que estou por baixo da carne seca. Mas nunca vi um período tão arrochado em termos financeiros como o atual. E olha que já estive em meio a crises espetaculares, como aquela do fatídico confisco da poupança dos brasileiros. Diante deste quadro, chega-se à conclusão de que há duas coisas que Ponta Porã e sua gente logo vão perceber: a primeira, que não há milagres políticos. Entra prefeito, sai prefeito, entra governador, sai governador (incluo os atuais) e nada muda. Mascaram-se obras, ações, lançam-se programas. É um puxando a mesma linha do outro. No final, ninguém consegue cumprir nem 30% do que prometeu para ganhar o voto do eleitor. O segundo ponto é que, a se manter este estado de coisa, fatalmente o comércio e outros segmentos empresariais da fronteira correm o risco de se tornarem ‘parasitas’ do comércio paraguaio. E aí, teremos de aprender a conviver com a bonança do outro lado da cerca, sugando o que for possível do comércio do vizinho país e do entra-e-sai dos turistas nas lojas de Pedro Juan Caballero. Já que nossos políticos não conseguem apontar uma saída econômica real para nossa sociedade (talvez até porque nem eles saibam exatamente qual seria), a população terá de assumir essa responsabilidade. Alguns setores certamente terão mais facilidade em se portarem como ‘parasitas’, mas a grande maioria vai estranhar muito essa condição, que vai acabar aparecendo, se algo não for feito urgentemente. A sociedade fronteira terá que fazer, do lado brasileiro, uma auto-reflexão de seu comportamento nos últimos tempos. Não é raridade jornalística ou algo que jamais se leu e tão cedo não se lerá por aqui. Os políticos, por exemplo, vão se deparar com uma cruzada de situações que os colocarão entre sucessos populares e abomináveis reprovações. Desculpem a franqueza. Quem não tiver sedimentado sua condição de liderança política vai naufragar. A própria mídia estará sob fogo cerrado em termos de apreciação. Só permanecerá de pé o jornalismo equilibrado e confiável, a leitura possível e obrigatória para dirigentes empresariais e líderes políticos. Francamente, não será fácil respirar com tanta pressão externa. Espero, sinceramente, e já estou lutando para que os meios de comunicação fronteiriços, entre os quais me incluo, encontrem uma forma de continuar produzindo o seu trabalho com pelo menos um pouco de independência jornalística. Alguém terá que ‘endireitar’ essa fronteira, conciliando a tarefa com tolerância à franca cobertura jornalística. Sejamos corajosos e criativos, ao invés de parasitas. * Paulo Rocaro é escritor, jornalista presidente do Clube de Imprensa de Ponta Porã e diretor da Sodema (Sociedade de Defesa do Meio Ambiente).

Leia também

Últimas

error: Este Conteúdo é protegido! O Perfil News reserva-se ao direito de proteger o seu conteúdo contra cópia e plágio.