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quarta-feira, 13 de maio de 2026

O relógio enigmático

13/03/2007 09h52 – Atualizado em 13/03/2007 09h52

Marcelino Nunes de Oliveira Meados de abril de 1976, quando o velho “Tarugo” ainda desfrutava de sua saúde de ferro, um grupo de velhos amigos jogadores de baralho se distraía numa partida de pôquer, como faziam costumeiramente. Às vezes as apostas iam aumentando e acabavam ficando bem caro. Uns apostavam veículos, outros até suas casas. Era um rito no qual era quase comum as pessoas perderem fazendas em uma mesa de baralho. Mas esse jogo era diferente, pois na aposta havia um relógio da marca Tissot, uma relíquia que seu dono fazia questão de lembrar sempre que alguém se interessava. E herança de seus avós, adquirido de um velho judeu que teria sido prisioneiro no campo de concentração de Auchwitz e que segundo ele funcionava sem sua máquina interior ou até mesmo bateria. Dizia que as almas dos mortos do campo de concentração é que faziam ele funcionar. Todos ouviam atentamente aquela história, sem acreditar nela. Achavam que ele contava a história para valorizar mais aquele relógio. Por isso seu tinha um valor muito além do que ele imaginava. Ao ouvir sempre a mesma história, todos ao redor da mesa riam e soltavam suas piadas. No final, acabavam por não aceitar o relógio como parte da aposta. Certo dia, não restando nem mais um trocado no bolso, o apostador decidiu colocar novamente o tique-taque como garantia, num valor bem abaixo do pretendido pelo seu dono. Não demorou muito alguém “bateu” a partida, que àquela altura já somava uma pequena fortuna, incluindo o velho relógio. Eu era ainda menino e como ficava em volta da mesa “sapeando” o jogo, acabei ganhando o relógio de presente, já que em tese havia dado sorte ao vencedor. Feliz da vida, com apenas dez anos, tinha ganhado meu primeiro relógio. O tempo foi passando e, certo dia, o relógio parou de funcionar. Levei então a um relojoeiro para que examinasse, descobrindo uma enigmática coincidência. Naquele dia seu antigo dono havia falecido, como se o coração do antigo dono do relógio parou quando o da máquina também cessou de trabalhar. Mais assustado ainda ficaram eu e o relojoeiro, ao descobrir que o relógio não havia nada dentro. Ele até achou que era brincadeira de mau gosto. Fechou a caixa do relógio e me devolveu. Misteriosamente, o relógio começou a funcionar novamente. Dias depois parou funcionar e nunca mais prestou. O relógio enigmático é uma verdadeira incógnita, um mistério. Até hoje não sei que energia fazia os ponteiros se moverem. Deve ser alguma força sobrenatural. Pode até parecer mais um dos meus contos, mas é história real do velho relógio enigmático! * Marcelino Nunes de Oliveira – Bacharel em Direito, pós-graduando em Metodologia do Ensino Superior, vereador em Ponta Porã e estudioso da cultura fronteiriça. E-mail: [email protected]

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