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sexta-feira, 20 de março de 2026

Zona tampão, um desastre anunciado

05/02/2007 08h19 – Atualizado em 05/02/2007 08h19

No final de semana foi intenso o volume de caminhões boiadeiros ao longo da fronteira com o Paraguai. Desesperados com a ameaça de criação de uma zona tampão nos municípios fronteiriços, por causa da confirmação de focos de aftosa em Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, os pecuaristas decidiram se antecipar a um desastre anunciado. E não é para menos. Não se sabe quantos municípios serão atingidos pela medida, mas uma coisa é certa: não serão apenas aqueles que têm uma linha internacional em seu território. Bastou o governador anunciar que a tal zona tampão ia entrar em vigor, para os fazendeiros tirarem o pé do chão (e o gado da fazenda). Tinham de levar seus rebanhos o mais longe possível da fronteira. Que triste notícia! Foi um corre-corre infernal para juntar animais no mangueiro e socá-los dentro dos caminhões. Os frigoríficos devem ter recebido milhares de propostas de venda. Quem não conseguiu vender, providenciou a retirada, na tentativa de salvar o máximo possível. Infelizmente, essa tal zona tampão pode decretar prejuízos incalculáveis aos pecuaristas e aos municípios. A medida é uma exigência da OIE (Organização Internacional de Epizootias), que deve ser cumprida para que o Estado obtenha o quanto antes o certificado de área livre de febre aftosa com vacinação. Num momento de apreensão como este, em que o Estado deve estar fazendo o possível para manter o foco na Bolívia, pode-se esperar fiscalização das bravas por aqui. Além da Iagro (Agência de Defesa da Saúde Animal), não será de estranhar se o Exército e a Polícia Federal entrarem da tarefa de vigilância da fronteira. O negócio é tão ruim, que uma vez criada a zona de restrição, além dos municípios não poderem comercializar gado, ficam impedidos também de criá-los, trazendo efeitos nocivos para a economia da região. Tão logo surja a medida, se é que ela vai acontecer logo, a fronteira estará no ‘fiofó’ do saci. Como vai envolver poucos municípios (embora seja um desastre para qualquer um), o poder de pressão junto ao Governo Federal e organismos internacionais será limitado. E do jeito que a classe produtora, em alguns casos, é desunida, o negócio pode durar muito tempo. Se eu fosse governador, esperaria a definição da zona tampão e tomaria uma medida radical. Já que não tem poderes para reduzir a área de restrição (só para aumentar), Puccinelli poderia ampliá-la para todo território de Mato Grosso do Sul, incluindo todos os municípios. Aí quero ver se a pressão de um Estado inteiro, dono de um dos maiores rebanhos do país, não resolve o problema.

  • O autor é escritor, jornalista, diretor da Sodema (Sociedade de Defesa do Meio Ambiente) e presidente do Clube de Imprensa de Ponta Porã.

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