17/12/2006 13h00 – Atualizado em 17/12/2006 13h00
Estadão.com
O Internacional superou o favoritismo do estrelado time do Barcelona, lutou muito em campo, superou o cansaço e má atuação de duas de suas principais estrelas para conquistar o título da Copa do Mundo de Clubes da Fifa. O time venceu por 1 a 0 a decisão deste domingo, em Yokohama, no Japão, e teve como herói do título o meia Adriano, que substituiu o contundido capitão Fernandão e aproveitou um contra-ataque mortal puxado pelo experiente Iarley para definir a partida.
O gol da vitória simbolizou o jogo coletivo exaltado pelo técnico Abel Braga: a jogada do gol começa numa cabeçada de Luiz Adriano, que deixou com Iarley, que não foi titular na conquista da Libertadores, e este lançou Adriano, que havia acabado de entrar.
Com a conquista, o Inter se iguala ao arqui-rival Grêmio, campeão mundial de 1983, e aumenta para 9 o número de conquistas brasileiras – também venceram o São Paulo (1992, 1993 e 2005), o Santos (1962 e 1963), o Flamengo (1981) e o Corinthians (2000), na primeira edição sob a chancela da Fifa. Com essas conquistas, o Brasil se iguala à Argentina como o maior vencedor, consideradas todas as disputas desde 1960.
Ao Barcelona, resta a luta para vencer novamente a Liga dos Campeões e tentar sua terceira chance – na primeira oportunidade, assim como agora, em 1992, o Barcelona foi derrotado por outro time brasileiro, o São Paulo, por 2 a 1, com dois gols de Raí.
De quebra, o Inter mantém a invencibilidade do Brasil nos torneios organizados pela Fifa: em 12 partidas, são nove vitórias e três empates, consideradas também as campanhas de Corinthians e Vasco, em 2000, e do São Paulo, no ano passado.
O jogo
O Inter começou melhor a partida e criou algumas boas chances nos primeiros 15 minutos, em tabelas rápidas entre Alexandre Pato, Iarley e Fernandão, mas não conseguiu acertar o gol de Valdés em nenhuma das tentativas. O Barcelona se encontrou a partir dos 20 minutos, quando Ronaldinho começou a cair para o meio, fugindo da boa marcação realizada pelo lateral-direito Ceará.
As melhores jogadas do Barcelona foram criadas pela direita do ataque, nas costas do lateral-esquerdo Rubens Cardoso, reserva escalado para o lugar do peruano Hidalgo, que se contundiu na semifinal, contra o Al Ahly, do Egito. O lateral Zambrotta teve boas descidas, geralmente tiradas no sufoco pela defesa do Inter.
O Inter conseguiu reequilibrar as ações, mas seguiu sem levar perigo real. Em compensação, o Barcelona criou sua melhor chance, numa falta cobrada rapidamente por Ronaldinho, que lançou Gudjohnsen – o islandês tentou bater para o gol, mas Fabiano Eller travou.
Os dois técnicos mudaram o time para o segundo tempo: Rijkaard trocou Zambrotta, que havia perdido rendimento, por Belletti, autor do gol do título da Liga dos Campeões na vitória por 2 a 1 sobre o Arsenal, em Paris, enquanto Abel Braga tirou o apagado meia Alex e escalou o colombiano Vargas – que, ao lado de Iarley, foi campeão mundial interclubes com o Boca Juniors em 2003.
O Inter se deu melhor com as alterações e dominou a partida no início do segundo tempo, mas continuou com a pontaria ruim – aos 10 minutos, já acumulava sete finalizações no jogo, todas erradas. Abel Braga trocou o jovem Alexandre Pato, de 17 anos e que fazia sua terceira partida como profissional, por Luiz Adriano, dois anos mais velho, e a equipe continuou controlando melhor a bola.
Depois, sofreu uma baixa: o capitão Fernandão, que estava mal na partida e sentia cãibras, deu lugar a Adriano – pouco antes, o zagueiro Índio levou uma cotovelada e teve de fazer um curativo no nariz ensangüentado, mas continuou em campo. O Barcelona voltou a pressionar se aproveitando do cansaço dos jogadores brasileiros, mas também não conseguia definir a partida, principalmente porque Ronaldinho Gaúcho, bem marcada, apareceu menos que na etapa inicial.
A partida acabou sendo definida na principal arma do Inter, a jogada de contra-ataque. Iarley aproveitou sobra de uma cabeçada de Luiz Adriano, ficou no mano a mano com os zagueiros Puyol e Márquez e viu Adriano entrando em velocidade. O meia recebeu e tocou na saída de Valdés, sem chance de defesa.
Depois, o Inter apenas se defendeu. Clemer fez linda defesa em chute de fora da área de Deco, e depois abusou do golpe de vista em falta cobrada por Ronaldinho Gaúcho, que passou à direita, muito perto do gol. O Barcelona foi para o desespero, mas já era tarde demais.
Ficha técnica
Internacional (BRA) 1 x 0 Barcelona (ESP)
Internacional – Clemer; Ceará, Índio, Fabiano Eller e Rubens Cardoso; Edinho, Wellington Monteiro, Alex (Vargas) e Fernandão (Adriano); Iarley e Alexandre Pato (Luiz Adriano). Técnico: Abel Braga.
Barcelona – Victor Valdés; Gianluca Zambrotta (Belletti), Carles Puyol, Rafael Márquez e Giovanni van Bronckhorst; Thiago Motta (Xavi), Andrés Iniesta e Deco; Ludovic Giuly, Eidur Gudjohnsen (Ezquerro) e Ronaldinho Gaúcho. Técnico: Frank Rijkaard.
Gols: Adriano, aos 36 minutos do segundo tempo.Cartões amarelos: Índio, Thiago Motta, Adriano.Árbitro: Carlos Batres (Guatemala).Local: Estádio Internacional, em Yokohama (Japão).





