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sábado, 21 de março de 2026

De Gutemberg ao mundo multimídia

05/09/2006 07h57 – Atualizado em 05/09/2006 07h57

() Alcir Abuchain Quando Johann Gutemberg aperfeiçoou as técnicas de impressão e “inventou” a chamada imprensa moderna, lá pelos idos de 1450, ninguém viu no objeto criado a utilização ampla que se tem hoje. O sentido de aproximar os indivíduos e o mundo através da informação não veio de imediato. Nos primeiros anos, a imprensa foi utilizada para perpetuar os acervos das bibliotecas e multiplicar as obras autorizadas pela chamada “Santa” Inquisição. Só séculos depois teve seu uso disseminado na impressão de jornais e folhetos informativos, gerando os primórdios do jornalismo e da publicidade. Da mesma forma quando, no final da segunda metade do século XX, surgiram os chamados recursos multimídia, não se esperava dessas ferramentas imporem ao ser humano a conquista de toda a sua funcionalidade num piscar de olhos. E muito menos que o homem descobrisse essa gama de possibilidades apenas ao apertar um botão. Aliás, não havia a absoluta idéia da amplitude de sua aplicabilidade. Quem há 30 ou 20 anos apostaria na aposentadoria do vinil e das fitas magnéticas – as chamadas k-7 (sic) e as VHS? Quem naquele tempo imaginaria não encontrar mais peças de reposição para os toca-discos e os famosos 3 em 1? Vamos mais além! Imagine se existisse uma máquina do tempo e você pudesse trazer algum cidadão comum do final dos anos 70 do século passado para os dias de hoje. O impacto cultural seria violento. Quem, vindo dessa época, iria entender o fato de um filme inteiro estar “dentro” de um pequeno disco chamado DVD e ser reproduzido em casa em cinco canais, com qualidade de som superior ao cinema (daqueles anos)? E quando o nosso viajante do tempo se deparasse com um mini-card? Vídeo, texto, imagens e áudio tudo guardado no bolso da camisa, para ser exibido a qualquer hora! “Que coisa fantástica, inacreditável!”, pensaria. Outro susto: presenciar um bate papo na Internet com web can e troca de fotos e vídeos; poder falar, ver e trocar dados com qualquer pessoa em qualquer lugar do mundo em tempo real. Será que este indivíduo – retirado de uma época onde a grande diversão era dançar disco music – acreditaria que tudo fosse realmente real? E quando se deparasse com uma tecnologia que toma por base a animação vetorial para criar o Vídeo Digital Interativo? Ah, agora nosso viajante vai torrar seus neurônios para tentar entender. “Exibir em uma tela tudo o que eu quero de minha empresa, de meu negócio, de minha atividade para o meu público, podendo alterar dados no momento em que eu quiser e ainda compartilhar tudo isso com qualquer pessoa do mundo via Internet? Não, isso não está acontecendo comigo”, pensaria nosso viajante do tempo. Mas esqueça a máquina do tempo. Não precisamos ir longe para ver quanta gente anda batendo cabeça neste mundo por exatamente ter parado no tempo. Gente com grande força de produção, mas que ignora os avanços tecnológicos, os fantásticos recursos multimídia e as inúmeras possibilidades de aplicação enquanto vê, inerte, seus negócios afundarem ou a concorrência profissional lhe atropelar. Ágil é aquele profissional que, mesmo não dominando os aspectos tecnológicos utiliza-se de quem sabe para multiplicar suas oportunidades no mercado de trabalho. A Tecnologia da Informação e as possibilidades do mundo multimídia fazem hoje a diferença e irão fazer ainda mais nos próximos anos. Estamos apenas engatinhando, mas já visualizamos o quanto podemos crescer a partir do momento em que estivermos de pé, caminhando. Só não acompanha esta evolução efetivamente quem não quer; quem está a perder as oportunidades (e a competitividade). Gente que talvez ignore a história e a importância prática da informação, gerada e difundida em escala a partir de Gutemberg há quase 500 anos. Gente que, por isso mesmo, não consegue escrever sua própria história. () É empresário em Campo Grande/MS e diretor técnico da Master Case Digital Business e da Lumo Sistemas ([email protected])

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