21/06/2006 16h34 – Atualizado em 21/06/2006 16h34
Reuters
Ronaldinho Gaúcho endossou nesta quarta-feira os comentários de que ele está jogando fora da zona de campo em que costuma render mais e por isso o seu futebol de melhor jogador do mundo aparece mais quando ele atua pelo Barcelona do que quando usa a camisa 10 da seleção brasileira. Em nenhum momento o atleta reclamou das funções que desempenha na seleção.As declarações, porém, são opostas às do técnico Carlos Alberto Parreira e do meia Kaká, ambos defensores da tese de que Ronaldinho tem toda liberdade do mundo para jogar como no Barcelona e só não atua assim porque as características do ataque da seleção são diferentes. Kaká explicou que no Barcelona os atacantes atuam em velocidade enquanto na seleção gostam mais de tocar a bola.Ronaldinho, porém, traz claro na mente a idéia de que sua missão no time do Brasil é outra. “É o professor que pediu para jogar mais como um meia. Vir armar mais as jogadas. Não me tira a liberdade porém jogo mais atrás, vindo de trás, tendo que meter mais a bola para os atacantes. É uma função meio diferente mas é necessário ter um jogador ali para organizar as jogadas, então é o que ele pede”, disse Ronaldinho a um grupo de jornalistas após o treino de reconhecimento do gramado do West Falen Stadion em Dortmund.Ronaldinho foi além e disse que algumas de suas jogadas mais típicas, como a entrada em velocidade driblando na área adversária, os chutes de linha da área e até as cobranças de falta não tem acontecido na seleção porque ele tem a missão de atuar mais longe da área, atrás do ataque. “A função aqui é um pouco diferente. A gente joga mais no meio-campo. E mesmo quando acontece alguma falta, ela é longe da área. Quando se joga mais lá na frente, qualquer drible se tem a possibilidade de chutar no gol. Aqui a gente faz mais a equipe jogar e não tem aquela coisa de jogar para si próprio”, disse, sem alterar o tom de voz, sem deixar implícita nenhuma crítica ou fechar a cara.Antes de Ronaldinho dar suas declarações, o técnico Parreira já havia dito que o futebol do melhor do mundo nas duas últimas eleições da Fifa não tem aparecido porque os adversários tomam cuidados extras na sua marcação. “Já conversei com ele sobre isso. Ronaldinho sabe que ele vai ter uma vigilância permanente em todos os jogos”, disse o treinador.Ronaldinho parece saber que estar na seleção não é só uma questão de permanecer sob vigilância 24 horas por dia mas também de compartilhar o sucesso, e eventualmente o fracasso, com 22 colegas. “Na seleção são muitos jogadores de altíssimo nível. Então todo mundo se ajuda um pouco, ninguém quer criar conflito. O ambiente é muito bom, todo mundo abre um pouco a mão. Isso faz com que o Brasil seja um grupo forte, um grupo vencedor. Tenho bem claro que a minha função é outra. Aqui tem que ir se adaptando conforme o treinador pede”, disse ele, deixando a dúvida se não seria melhor para a seleção ter o Ronaldinho do Barcelona em campo e não um meia solidário que possa ajudar na alimentação do ataque.





