19/06/2006 10h35 – Atualizado em 19/06/2006 10h35
Folha Online
O time que chegou ao Mundial com o ataque mais badalado mais uma vez contou com a precisão da defesa para vencer. Precisão que pode alcançar um feito inédito antes mesmo do final do próximo jogo, contra o Japão, na quinta-feira. A seleção não sofre gols em Copas do Mundo desde as quartas-de-final do Mundial de 2002, quando Owen abriu o placar para a Inglaterra aos 23min do primeiro tempo. Mais quatro partidas foram realizadas sem que a equipe brasileira fosse vazada: duas em 2002 e as duas da atual campanha na Alemanha. Sem contar os acréscimos, são 427 minutos sem levar gols. Se mantiver a marca até os 32 minutos de jogo contra os japoneses, assumirá a maior série invicta do Brasil em Copas: 458 minutos, em 1978, quando não sofreu gols contra Espanha, Áustria, Peru e Argentina. A série caiu no jogo ante a Polônia. Além da atual equipe e da de 1978, só as seleções de 1958, 1974 e 1986 ficaram quatro jogos sem sofrer gols em Copas. O cenário para obtenção do recorde é favorável. O Japão marcou só sete gols nos nove jogos que fez em Mundiais. Ontem, o Brasil completou sete jogos consecutivos sem tomar gol, ampliando um recorde de todas as passagens de Carlos Alberto Parreira pela seleção. Como na estréia, contra a Croácia, o time foi aguerrido na marcação –foram 131 desarmes, total superior ao registrado pelos australianos (119)– e ganhou elogios até dos rivais. “Os zagueiros anteciparam muitas de nossas tabelas. Mérito deles”, disse John Aloisi. Sua tese encontra respaldo nos números. Lúcio e Juan, que formam a zaga, foram responsáveis, juntos, por 45 roubadas de bola. “Todos diziam que a defesa seria um problema porque o time jogaria muito ofensivamente. Estamos provando que não é assim”, falou Lúcio. É uma posição diferente da de antes da Copa. Na época, zagueiros titulares e reservas haviam declarado à Folha que temiam uma eventual sobrecarga devido ao esquema ofensivo. O foco na marcação não impediu Lúcio de buscar o ataque, fato já habitual em suas apresentações. “Não vejo problema em ajudar nas jogadas de ataque. É importante surpreendermos os rivais”, disse. Nem seu companheiro se incomoda com seus arroubos de atacante. “É o jeito dele, não precisa mudar nada”, afirmou Juan. Antes colegas no Bayer Leverkusen, os zagueiros se entendem bem na seleção. Com Lúcio (Bayern de Munique) e Juan (ainda no Leverkusen) no gramado, a média de gols sofridos é inferior a um por partida. Dida também teve mais trabalho que seu colega australiano na partida de ontem. O brasileiro fez quatro defesas, duas a mais que Mark Schwarzer. Em um lance, porém, falhou feio e quase colocou tudo a perder. Em uma saída atabalhoada, não conseguiu segurar a bola em uma disputa com um adversário. Na seqüência, Harry Kewell, sozinho, errou o chute. Com a Inglaterra, o Brasil é o único apontado como favorito ao título a ainda não ter sofrido gol na Copa alemã.





