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quarta-feira, 10 de junho de 2026

Torcedores se agarram a manias para garantir hexa ao Brasil

17/06/2006 09h21 – Atualizado em 17/06/2006 09h21

Reuters

Depois da estréia morna do Brasil na Copa do Mundo, torcedores fanáticos se voltam com força para suas manias e superstições, na esperança de garantir uma partida menos sofrida no domingo, quando a seleção joga contra a Austrália. Tem quem acredite em bandeira da sorte, rituais com o uniforme do Brasil e no isolamento na hora de torcer, sem contar os santinhos dentro da bolsa, como no caso da promotora de vendas Ana Maria Gonçalves, 55 anos. “Todo corintiano é devoto de São Jorge, mas quem eu levo mesmo pra dar sorte no jogo é minha Nossa Senhora da Achiropita”, afirmou, tirando a imagem da santa de dentro da bolsa, enquanto assistia à vitória do Brasil sobre a Croácia, por 1 a 0, na terça-feira. Além disso, ela usa o mesmo chapéu com a bandeira estampada há cinco Copas. “Já me chamaram até de porca, mas não assisto a jogo sem ele”, disse Ana Maria, com o encardido chapéu na cabeça. O estudante Caio Justo, 23 anos, tem mania parecida, mas a cisma é com uma bandeira que sua avó costurou quando ele tinha cerca de 10 anos. Desde então, ela sempre está com ele nos jogos do Brasil. “Antes eu ficava com a bandeira enrolada no corpo. Faz uns cinco anos que ela rasgou um pedaço e fez um buraco certinho para enfiar a cabeça. Então ela virou uma capa”, disse. O engenheiro elétrico Jonas Alves, 35 anos, herdou do pai uma superstição mais inusitada. No lugar de vestir o uniforme da seleção, amarelo ou azul conforme a escolha da equipe, ele coloca a roupa no topo do armário mais alto da casa. “Em Copa do Mundo tem de ficar perto do teto, para ninguém alcançar o Brasil”, contou ele, acrescentando que mantém a tradição iniciada pelo pai, Durval, 57 anos, na campanha brasileira do tricampeonato mundial em 1970. Solidão Enquanto que para a maioria dos brasileiros em jogos do Brasil a união é quem faz a força da torcida, algumas pessoas preferem a solidão em nome da superstição. O isolamento em jogos de estréia e de final do Brasil em Mundiais é uma obrigação para o advogado Rodrigo Melgaço, 29 anos. “Ninguém pode assistir ao jogo comigo. Nem a minha noiva. Eu ligo a TV, tranco a porta e não quero nem ouvir ou falar com ninguém”, disse o advogado, que desde a Copa de 1994 recusou vários convites para ver os jogos com os amigos. Ele admite outras superstições quando o assunto é futebol, como, por exemplo, não comprar nunca mais a camisa do Brasil porque, segundo ele, “a amarelinha dá azar”. “Eu ganhei uma camisa do meu pai em 1982 e comprei em 1986 e 1990. Deu no que deu. Nunca vão me ver com uma camisa do Brasil numa Copa do Mundo”, disse. Outro advogado, Caio Forjaz, 29 anos, de São Paulo, também prefere a tranqüilidade de sua casa. Assiste aos jogos sempre ao lado de seu pai, longe das balbúrdias de cornetas, apitos e festas. “Nesses lugares, sempre estão aqueles que não entendem nada de futebol, que só querem curtir o agito, ou que ficam zicando, fazendo comentários descabidos”, disse Caio, que admite ter manias “como cruzar e descruzar dedos, pernas, braços”, além de mudar de posição se o time estiver perdendo.Na própria seleção há quem tenha suas manias, como a obsessão do coordenador técnico Mario Zagallo com o número 13. Já o treinador Carlos Alberto Parreira prefere o 7, o que faz Zagallo brincar que o 7 de Parreira mais o 6 do possível hexacampeonato mundial somam 13.

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