28/04/2006 17h07 – Atualizado em 28/04/2006 17h07
Gazeta Esportiva
Há nove meses, o brasileiro Acelino Popó Freitas não sobe em um ringue para enfrentar um adversário de verdade. Seu último combate foi contra Fabian Salazar, em julho. Duelo que terminou em nocaute para o brasileiro. Neste sábado – às 23 horas com transmissão pela Rede TV -, Popó mata as saudades das disputas e do público norte-americano. No Foxwoods Casino, em Mashantucket, Estados Unidos, ele enfrenta o local Zahir Raheem, valendo o cinturão da categoria leve pela Organização Mundial de Boxe (OMB). Na coletiva de imprensa antes do combate, Popó preferiu ser econômico nos comentários. De agasalho e gorro na cabeça – Raheem vestia terno e óculos escuros -, o brasileiro foi direto ao ponto. ‘Tenho apenas três coisas para falar: primeiro, ganhei meu cinturão aqui; segundo, perdi meu cinturão aqui; terceiro, vou conquistar de volta aqui’. O adversário só olhou e sorriu. Campeão mundial superpena pela OMB (1999) e pela Associação Mundial de Boxe (AMB), três anos depois, o baiano conquistou o título dos leves na OMB em 2004. Mas em agosto do ano seguinte acabou por perdê-lo. O algoz foi o norte-americano Diego Corrales. O discurso de Popó não deixa dúvidas: a derrota ainda está atravessada em sua garganta. Superado por nocaute técnico no décimo dos 12 assaltos previstos, o baiano tenta retornar ao topo no mesmo local em que sofreu sua queda. Ou melhor, quedas: no oitavo, nono e décimo assaltos. A intenção do baiano era voltar ao topo derrubando o próprio Corrales, mas este se recusou a colocar o título em jogo contra o brasileiro. Mais interessado em uma revanche contra José Luiz Castillo, o norte-americano acabou perdendo o cinturão, que pode voltar ao antigo proprietário. Aos 30 anos, Popó é um ano e dois meses mais velho que Raheem. Apesar da diferença de números, ambos têm um cartel parecido e só conheceram a derrota uma vez em suas carreiras. Profissional desde 1995, o brasileiro tem 37 vitórias, 32 delas por nocaute. Raheem profissionalizou-se um ano depois, venceu 27 lutas, 16 por nocaute. Seu último combate foi em setembro, enfrentando Erik Morales, ex-campeão mundial pelo Conselho Mundial de Boxe (CMB), pela OMB e pela Federação Internacional de Boxe (FIB). Para se preparar para este sábado, o brasileiro passou os últimos meses nos Estados Unidos, em uma rotina puxada de treinamento. Apesar de mais experiente que seu oponente, Popó sabe que Raheem merece todo o cuidado. Conhecido também como King, o lutador nascido na Filadélfia teve uma trajetória de bons resultados mesmo como amador. Raheem representou seu país nos Jogos Olímpicos de Atlanta-96, ainda como galo, mas não chegou ao pódio. Após a profissionalização, foi campeão pela Associação Norte-americana de Boxe (NABA) e esteve próximo de disputar o título superpena pela FIB. O projeto parou no duelo prévio contra o também ex-olímpico Ricardo Rocky Juarez. A estréia na leve foi em fevereiro de 2005, vencendo o porto-riquenho José Quintana. Sete meses depois, Raheem surpreendeu Morales e conquistou o cinturão da categoria pelo CMB. Prêmio – Além da luta pelo título da OMB, Popó disputa outro prêmio. Apesar de ter vínculo com a HBO para a transmissão de seus combates, ele foi indicado pela Showtime como um dos ‘Artistas do Nocaute’ nos últimos 20 anos, concorrendo com nomes como Mike Tyson, Evander Holyfield e outros. Os ganhadores serão anunciados no próximo dia 6.





