28/05/2019 11h20

Ortopedista, chamado pelas equipes de “Doutor Osso”, analisa a importância dos equipamentos de segurança na prevenção de lesões graves aos atletas

Gisele Berto

Quando a plateia vê os pilotos de motocross voando a mais de seis metros de altura, caindo nas curvas e a poeira subindo, nem imagina que ali, observando tudo bem de perto, está o Doutor Osso, a postos para entrar em cena no caso de uma eventualidade.

O médico ortopedista Sergio Cestaro Grizende, apelidado pelas equipes de Doutor Osso, acompanha as provas da Confederação Brasileira de Motocross há seis anos. Nesse período, orgulha-se, já colocou mais de 15 ombros no lugar.

“O mais comum é ocorrer fraturas de clavícula, braço, punho, luxação de ombro e fraturas de tornozelo”, lista.

Segundo o ortopedista, no entanto, o uso dos equipamentos de segurança protege muito de lesões mais sérias. “São pilotos profissionais, altamente treinados, equipados com protetores toráxicos, capacetes, protetores de joelho, cotoveleira e todo o equipamento para proteger mais as articulações, que são justamente as partes mais difíceis de reconstruir. Por isso é mais comum um piloto quebrar uma clavícula do que estourar o pescoço”, diz.

O pior acidente que atendeu nesse tempo de CBM foi em 2016, em Extrema/MG, quando o paulista Victor Almeida, natural de Atibaia e na época com 20 anos de idade, caiu e acabou atropelado por outros pilotos que vinham atrás. Vitor ficou 15 dias na UTI.

QUADRILÂNCIA

À beira da pista, Doutor Osso observa a prova e torce para que ele não precise entrar em cena com a sua “quadrilância” – quadriciclo montado com itens de primeiro socorro, prancha rígida, colar cervical, para atendimentos ortopédicos de urgência. Além dele, uma equipe de socorristas, treinados, está sempre a postos, para todas as eventualidades médicas.

“O importante é manter a integridade física do piloto. Não podemos tirar a pessoa da pista de qualquer jeito. São traumas que você não define a energia cinética. Se a abordagem não for ideal pode-se agravar mais a situação”, diz o médico.

A experiência nas provas faz com que o médico consiga prever, com antecedência, quanto terá de trabalho em cada etapa. “Dependendo da pista a gente já sabe se haverá mais quedas. Essa pista de Três Lagoas é de terra macia, então amortece mais as quedas e impede mais lesões. Tende a ser uma etapa menos preocupante”, afirma.

Pista está sendo finalizada. Saltos dos pilotos chegam a sete metros de altura. Foto: Gisele Berto

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