29/04/2018 08h50

De janeiro até hoje, foram 543 boletins de ocorrência só em Campo Grande

Redação

Diariamente, são registrados em média quatro casos de violência doméstica em Campo Grande e outros 12 nas cidades do interior de Mato Grosso do Sul. Conforme os dados da Polícia Civil, entre o primeiro dia de janeiro até hoje foram elaborados 1350 boletins de ocorrência do tipo no Estado. A maioria deles são de mulheres vítimas dos companheiros ou ex-companheiros.

Em entrevista à assessoria de imprensa da Polícia Civil, a delegada Sidneia Tobias explicou que, sentimentos como ansiedade, tristeza e baixa autoestima são sinais de relacionamento abusivo.

Ela ressaltou ainda que momentos de ciúmes podem acontecer durante os relacionamentos, mas o controle da roupa, maquiagem, dinheiro, seguido da tentativa de isolar o outro da companhia de amigos e familiares são comportamentos “comuns de pessoas que podem demonstrar com o tempo outro tipo de violência”.

Sidneia alerta ainda que “a violência psicológica pode ser tão perigosa quanto outros tipos”.

Quem passou pela situação confirma a declaração da delegada. É o caso de uma mestranda em psicologia de 22 anos. Ela conta que, em 2015, teve um relacionamento abusivo que durou quatro meses. “Ele fazia declarações de amor apaixonadas no primeiro mês e depois tudo foi mudando”, lembra. “Ele tinha um prazer em desrespeitar tudo o que eu falava que não gostava. Se eu pedisse pra ele não fazer algo, ele fazia exatamente o que eu pedi para não fazer, como uma provocação”.

As brigas começaram e junto com as discussões os sentimentos de desconforto e insegurança. “Ele falava que eu era doida e que eu só sabia exigir dele. Que eu não valorizava o quão bom ele era pra mim”.
Os amigos e os parentes começaram a alertar a estudante de que aquele não era um relacionamento saudável, mas o término só ocorreu depois de ela descobrir uma traição. “No término eu me sentia péssima, emagreci um monte e não tinha vontade de ir para faculdade porque sabia que iria vê-lo”, diz.

Ela conta que ele ainda tentou reatar mandando mensagens até que ela o excluiu das redes sociais e foi selecionada para fazer mestrado em outro país.

Situação semelhante passou uma jornalista e empresária de 29 anos. Em 2012, ela se envolveu com um homem que tinha acabado de se separar, mas depois de um mês terminou com ela e reatou o casamento. O problema é que ele não parou de mandar mensagens para ela. “Dizia que havia se separado. Porém continuava não querendo nada sério, me fazendo crer que eu era um lixo de pessoa e que ele, e somente ele no mundo todo, ia me amar”.

Ela conta ainda que durante o relacionamento, que entre idas e vindas durou cinco anos, “ele ficava bravo se eu usasse determinada roupa, se passava batom, se postava foto nas redes sociais e outros homens davam ‘likes'”.

A decisão pelo término ocorreu por influência da família dela que percebeu o tom de voz agressivo com que ele falava com ela.

“Não aguentava mais e decidi terminar. Dois meses depois descobri que ele mantinha a mesma relação com mais três ou quatro mulheres, com o mesmo modus operandi: dizia estar apaixonado, que comigo era infeliz, conversava dia e noite, e quando essas mulheres se declaravam ou faziam menção de cobrá-lo de um relacionamento, ele pulava fora”.

As mensagens fizeram ela perceber que estava se relacionando com uma pessoa manipuladora e, com auxílio da terapia ela conseguiu superar o trauma.

” Nenhum tipo de agressão deve ser aceita. Se o seu parceiro grita com você, desconta a raiva em objetos, te obriga a fazer coisas que você não quer e até mesmo te agride fisicamente é importante ter em mente que isso não é correto”, pontua a delegada.

Sidneia finaliza afirmando que “na dúvida se um relacionamento é abusivo ou não,o melhor é procurar ajuda”.

(*) Correio do Estado

Em Campo Grande, 543 boletins de ocorrência foram registrados de janeiro até agora - Foto: Valdenir Rezende / Correio do Estado

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