17/04/2014 17h35 – Atualizado em 17/04/2014 17h35

Em Campo Grande, levantamento aponta três casos de violência em escolas a cada dois dias. Conforme a Delegacia de Atendimento à Infância e Juventude (Deaij), desde o começo do ano letivo, foram 64 casos até a primeira semana de abril, quando 2014 registra apenas 45 dias letivos

Da Redação

Em Campo Grande, levantamento aponta três casos de violência em escolas a cada dois dias. Conforme a Delegacia de Atendimento à Infância e Juventude (Deaij), desde o começo do ano letivo, foram 64 casos até a primeira semana de abril, quando 2014 registra apenas 45 dias letivos. Somente ontem (16), foram dois.

São ocorrências de ameaça, vias de fato ou lesão corporal, que são justamente os três tipos de infrações mais registrados. Além dessas, dois supostos estupros são investigados pela delegacia.

Os números da repartição mostram que todas as ocorrências registradas aconteceram em escolas públicas, sejam estaduais ou municipais. Não houve denúncia formalizada na polícia de casos de violência escolar ocorridos em colégios particulares.

ARMADOS

O fato mais recente aconteceu ontem de manhã, próximo à Escola Estadual Lúcia Martins Coelho, na Rua Bahia. Um grupo de sete adolescentes, entre eles uma menina de 15 anos, foi levado até a Deaij pela Polícia Militar quando se preparavam, com faca e soco inglês, para uma briga.

Todos os envolvidos moram na região norte de Campo Grande, em bairros como Anache, Tarsila do Amaral, Vida Nova e Vila Margarida. O grupo contou que apenas um dos meninos teria ido até o centro para “acertar as contas” com um aluno do Lúcia Martins, mas três estavam armados.

A PM, ao fazer rondas nas proximidades da escola, viu os envolvidos e desconfiaram, porque um deles tentou fugir. Ao abordá-los e revistá-los, foram encontrados dois socos ingleses e uma faca de cozinha pequena, afiada e sem serra. A faca estava com a garota.

A Polícia Civil vai investigar o caso. Todos os adolescentes têm entre 15 e 17 anos e estudam em escolas diferentes, todas estaduais.

PARTICULAR TAMBÉM

Para a delegada Rozeman Rodrigues de Paula, titular da Deaij, os casos de violência não são exclusivos das escolas públicas. “O registro nas escolas públicas é realmente maior, mas acredito que pela forma que é lidado o conflito na rede pública e na particular”.

Segundo a delegada, a sociedade hoje vive a “cultura do terror”. É ela que impele os pais a buscarem a ajuda policial para solucionar conflitos escolares e sociais. “Penso que as pessoas estão tão assustadas com a violência que acabam trazendo para a delegacia todo tipo de agressão”.

Uma das razões, na opinião da delegada, é o fato de haver, realmente, o medo de que as ameaças de briga ou morte se concretizem. “O filho da gente é ameaçado hoje e ele pode ser mesmo morto. Os pais ficam temerosos do filho se transformar em mais uma estatística e acabam denunciando, como forma de se protegerem”.

Isso é tão comum, conforme a delegada, que, mesmo quando os casos não são graves, a polícia precisa registrar o fato. “Hoje, se meu filho chegar a casa dizendo que está sendo xingado, eu vou à delegacia. Os pais não poupam o registro e a polícia também não se nega, porque, antigamente, ninguém acreditava que podiam ocorrer mortes, mas hoje tudo pode acontecer”, exemplifica.

ANO PASSADO, ADOLESCENTE FOI MORTA

No dia 11 de setembro de 2013, a adolescente Luana Vieira Gregório, 15 anos, que estudava na Escola Estadual José Ferreira Barbosa, foi esfaqueada por uma colega de sala no horário de saída. Seria mais uma briga, se a jovem Dafni Ingrid de Lima, 18 anos, a “Tuty”, não tivesse a posse de um canivete, usado pela garota de 16 anos que desferiu um golpe no abdômen de Luana. A adolescente morreu por volta das 15 horas, na Santa Casa. O caso virou polêmica em Campo Grande por meses, no ano passado

(*)Com informação de Correio do Estado

Alunos foram apreendidos ontem, quando se preparavam para brigar perto de escola (Foto: Valdenir Rezende/Correio do Estado)

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