No pomar da minha infância eram laranjas, as mais gostosas e doces. Me lembro de ir com meu pai ao laranjal. Era lindo!

Mazão Ramires*

Todo bom fruto tem em seu processo de cultivo um especial preparo, cuidado e dedicação desde a semente para que suas raízes, caules e folhas cresçam fortes e saudáveis para gerar frutos doces e saborosos.

No pomar da minha infância eram laranjas, as mais gostosas e doces. Me lembro de ir com meu pai ao laranjal. Era lindo! O colorido vibrante daquele lugar e o seu cheiro de ambiente agradável, fresco e natural. O que mais me chamava a atenção eram os frutos maduros, alaranjados que eram colhidos e que viravam, pelas mãos de minha querida mãe, o melhor suco, bem gelado e natural. Enquanto me esbaldava na degustação, ela falava da riqueza do fruto em vitamina “C”, que era boa para a imunização contra doenças, especialmente a gripe.

Nesses tempos de quarentena, essas boas lembranças me remetem a algumas leituras desses episódios: A fragilidade do ser humano, especialmente aqueles com saúde debilitada, mais susceptíveis a contrair o vírus de uma gripe, o COVID-19.

Também reflito sobre todo aquele preparo de solo, fértil, para geração de bons frutos, como a educação os cuidados que recebi desde a minha infância de meus zelosos pais. Boa educação e formação, resultam em bons cidadãos, honrados e respeitados. Colhemos aquilo que plantamos, por isso é necessário todo cuidado com aquilo que estamos cultivando no dia a dia, no corre-corre da vida, antes agitada, agora, temporariamente, em quarentena. Sempre é tempo de reflexão e análise dos adubos que estamos inserindo em nossas vidas. Terrenos inférteis e má adubação podem trazer muitos prejuízos.

Plantar uma semente é um ato que pode ser significativo para quem o pratica e uma metáfora perfeita sobre a esperança. O fruto pode ser uma palavra, um sonho ou projeto. E é um ato de fé, depositar toda nossa confiança no Senhor. Com o tempo é a nossa perseverança que conta, para o conhecimento e paciência em saber e praticar.

E a cor laranja sempre me chamou a atenção desde a infância, recordo da Copa do Mundo de Futebol da França (1998), quando a Seleção Holandesa com seu uniforme alaranjado chamava muito a atenção na tela da televisão com suas cores fortes, que me lembravam as laranjas maduras do pomar da minha infância.

Na atualidade a cor ainda me segue. Na igreja onde congrego (El Shaddai), nos dias de festas e celebrações os membros ficam com a camiseta da mesma cor (laranja).

Tem um evento anual, o “Fruto Fiel”, que celebramos com os novos membros, a cor laranja prevalece. Está vivo em minha memória um evento de 2013 quando uma parte do ginásio ficou todo alaranjado. Sim! era muita gente. Famílias com suas crianças, jovens, adolescentes, adultos e anciãos. No meio da festa uma enorme bandeira laranja foi estirada de cima para baixo na arquibancada, como se faz em estádio de futebol, muito lindo e emocionante.

“A terra por si mesma produz o fruto”. (Marcos 4:28 BKJ), Quando semeamos a Palavra do Evangelho podemos ter a segurança de que receberemos ajuda de Deus para colhermos bons e saborosos frutos.

Na minha caminhada no Reino de Deus, em abril de 2012, pensei em desistir da jornada, não foram poucas vezes que pensei assim.

Porém foi então que eu conheci a bela história de Jesus Cristo pregando aos seus discípulos: “Eu sou a Videira, vocês são os ramos. Quando vocês estiverem unidos a mim e eu a vocês, num relacionamento íntimo e orgânico, não imaginam que colheita terão.” ( A Mensagem — João 15).

Permanecer e criar raízes! Essa era a mensagem que me remeteu ao pomar. Decidi perseverar.

Logo vieram as colheitas: o fruto do casamento com minha linda esposa, Bia; nosso filho João; Meu crescimento como profissional e cidadão. No descanso do pomar há frutificação! Aprendi.

Na quarenta, igrejas sem cultos, nós assistindo por tv e celulares as mensagens. Minha esposa posta uma foto no Instagram do nosso filho sentado no banco da Igreja com a legenda: Saudades da minha igreja.

Com os emoji: um coração vermelho partido no meio e outro coração laranjado.

Vemos nosso filho ‘’trancado dentro de casa’’ sem a sua rotina de brincar, ir ao parquinho e à igreja. Ao assistir os Cultos pela TV, o nosso pequeno João (um ano e sete meses), dança e canta em frente à transmissão. Às vezes, do nada ele fica parado, pensativo com o semblante para baixo. Aí então minha esposa comenta comigo: — Acho que ele deve estar sentindo saudade da Igreja.

Isso me leva a um profundo sentimento de reflexão e, ao mesmo tempo, de gratidão e responsabilidade em deixar um legado de Fé para nosso filho e ser anfitrião do Reino para minha casa e junto à minha Família. 

Com a influência do Espírito Santo, podemos participar da educação daqueles que estão crescendo e se tornando bons frutos. No final, eu sei que o Reino de Deus estará carregado de bons frutos para colheita.

*Mazão Ramires – Fotógrafo e publicitário.

www.twitter.com/mazaoramires

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