08/09/2014 09h33 – Atualizado em 08/09/2014 09h33

Ações da Fibria, Suzano e Klabin sobem devido ao fechamento de fábrica concorrente na Europa

Para os especialistas, esse evento pode sustentar a implementação integral de um aumento de US$ 20 por tonelada nos preços da celulose – que estão em cerca de US$ 720 por tonelada na Europa – a partir de outubro

Da Redação

As ações das produtoras de celulose de eucalipto Fibria e Suzano Papel e Celulose da Klabin, que está construindo uma nova fábrica de fibras curta e longa no Paraná, registraram ganhos significativos na última semana na BM&FBovespa, na esteira de mais um anúncio de fechamento de fábrica de alto custo na Europa. Enquanto as ações da Fibria subiram 6,2%, no maior ganho do Ibovespa, para R$ 24,32, as da Suzano avançaram 4,18%, para R$ 9,46, e as units de Klabin exibiram alta de 3,18%, para R$ 12,30.

A decisão, tomada pela espanhola Ence, contribui para o maior equilíbrio entre oferta e demanda mundial da fibra, em um momento de chegada de novas capacidades ao mercado. Em relatório, os analistas Marcelo Aguiar, Diogo Miura e Humberto Meireles, do Goldman Sachs, afirmaram que o anúncio pode criar um bom momento, no curto prazo, para o mercado global de celulose, uma vez “que alivia em grande a oferta adicional” da matéria-prima.

Para os especialistas, esse evento pode sustentar a implementação integral de um aumento de US$ 20 por tonelada nos preços da celulose – que estão em cerca de US$ 720 por tonelada na Europa – a partir de outubro.

Uma das maiores produtoras de celulose de eucalipto da Europa, a Ence anunciou que vai encerrar a produção da matéria-prima em seu complexo industrial em Huelva, Andaluzia, que será transformado em um “avançado centro de geração de energia renovável”.

A deficitária fábrica de Huelva tem capacidade de produção de 410 mil toneladas por ano da matéria-prima. A empresa, porém, não informou quando esse volume começará a sair do mercado. Conforme a companhia, a decisão de encerrar a produção de celulose reflete as “importantes perdas” registradas durante três trimestres consecutivos, diante da falta de eficiência em termos de custos e de madeira local.

“Como consequência dessa situação econômica, que se traduziu em perdas de 48,6 milhões de euros da companhia no primeiro semestre, e para colocar em marcha o plano de transformação, a Ence Energía y Celulosa comunicou hoje [ontem] a seu conselho a intenção de iniciar um processo de demissão coletiva, que será acompanhado de um trabalho de recolocação para 100% dos trabalhadores em outros centros da empresa”, informou. A companhia afirmou ainda que está disposta a encampar uma negociação “exaustiva” com os representantes dos 294 trabalhadores da fábrica”.

(*) Com informações de Assecom Painel Florestal

As ações da Fibria subiram 6,2%, no maior ganho do Ibovespa (Foto: Arquivo)

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