09/11/2006 08h46 – Atualizado em 09/11/2006 08h46

TV Morena

A análise das caixas-pretas do Boeing 737-800 da Gol mostra som de sirene e o piloto tentando segurar com força o manche do avião. O alarme pode ter encoberto os últimos diálogos entre piloto e co-piloto do avião que caiu no Norte de Mato Grosso após colidir com um Legacy, em 29 de setembro. No acidente, as 154 pessoas que estavam a bordo da aeronave da Gol morreram. A análise do cilindro de voz do Boeing revela que, aparentemente, não houve pânico entre os pilotos na hora do choque. Durante alguns segundos o rádio ficou em silêncio, segundo um integrante da comissão de investigação do acidente. Em seguida, o que se ouve é um forte ruído. ”É uma mistura do vento batendo contra o pára-brisa do avião e os alarmes que começaram a soar dentro da cabine.” Os peritos ainda não descartam a possibilidade de esse barulho ter encoberto diálogos na cabine do Boeing. Para tentar esclarecer a dúvida, técnicos da Aeronáutica deverão utilizar filtros eletrônicos na tentativa de remover os ruídos. Só após esse procedimento, que ainda não tem data para ser concluído, será possível afirmar se houve ou não uma conversa após a colisão. O gravador de dados do Boeing (chamado de ”flight data recorder”) revelou que o piloto aplicou força ao manche nos instantes que antecederam à queda. E que, mesmo com séria avarias na estrutura, os sistemas eletrônicos e mecânicos da aeronave não foram afetados pelo choque. ”O que deixou o avião incontrolável foi o fato de o Legacy ter cortado um pedaço de sua asa esquerda”, afirma uma fonte da comissão de investigação. Os peritos ainda aguardam a coleta de mais peças e destroços do Boeing para determinar o exato local em que a asa foi atingida. Cerca de mil homens da Força Aérea Brasileira (FAB) estão na selva em busca desses materiais e do corpo do bancário Marcelo Paixão, 29 anos, única vítima não encontrada. O Instituto Médico Legal (IML) de Brasília analisa restos mortais encontrados nos últimos dias no local do acidente. Relatório O relatório preliminar das investigações, que está em fase de conclusão, não deverá apontar os responsáveis pelo acidente. Apenas indicará as linhas de apuração. O coronel Rufino Ferreira, chefe da comissão de investigação, e peritos americanos e canadenses estiveram em Brasília na quarta-feira (8) para dar continuidade ao trabalho. Eles foram ao Cindacta-1 (onde fica o controle aéreo de Brasília) e ao Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) para realizar testes e cruzamento de dados. Segundo um oficial da Aeronáutica, o objetivo do grupo é avaliar a conduta e as ordens transmitidas pelo Cindacta-1 aos pilotos do Legacy. À noite, o coronel e os peritos embarcaram para Manaus (AM). Nesta quinta-feira (9), eles examinam as gravações do Cindacta-4 (a torre de controle da capital amazonense), que monitorava o avião da Gol no momento do acidente. A idéia do relatório preliminar é que ele contenha só dados que não possam ser contestados, como hora de decolagem dos aviões, do choque, do pouso do Legacy, sem dados da degravação da caixa-preta ou do controle de vôo. O objetivo é dar informações básicas para reduzir expectativas.

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