26/09/2017 10h57

O evento, que será realizado em alusão ao “Setembro Amarelo”, terá a exibição do filme “As Vantagens de Ser Invisível”. Organizadores acreditam que a única forma de evitar as mortes, é falando amplamente sobre o assunto.

Flávio Veras

Alunos do curso de Medicina da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul de Três Lagoas (UFMS-TL) vão promover, nessa quarta-feira (26), o “Cine-debate: percepções sobre o suicídio”, em alusão ao “Setembro Amarelo”. O evento, que é organizado pela Liga Acadêmica de Psiquiatria e Saúde Mental da universidade, vai abordar o filme “As Vantagens de Ser Invisível”. O evento é aberto a toda a comunidade, no entanto, as vagas são limitadas.

De acordo com o estudante de medicina e presidente da Liga, Giovanne Scorsin, esse será o primeiro encontro promovido pela entidade as vagas para acompanhar a discussão limitaram-se em apenas em 50.

“Nesse primeiro debate não esperávamos tanta procura. Isso demostra a importância da comunidade acadêmica em relação a sociedade, pois, esse tipo de assunto é um tabu e, por isso, não é abordado como deveria. Porém ouvimos relatos de que amigos sofrem, por exemplo de depressão e outras patologias que podem levar ao suicídio. Esse fato nos demostra que, uma eventual vontade de cometer o ato de tirar a própria vida, é mais comum do que a população imagina”, alertou.

Devido à grande procura, o presidente afirmou que promoverá outros eventos que possam agregar todos os interessados da comunidade acadêmica, bem como da população três-lagoense. “Ainda existe muito preconceito com relação as doenças psicossociais, mas nossa função, como estudantes, é mostrar que existe tratamento e ele não deve ser negado a elas. Além disso, a única forma de encarrar essas patologias com mais naturalidade, é falando sobre o assunto”, explicou.

Para Scorsin, esse é o tipo de iniciativa que demostra o papel que a comunidade acadêmica deve ter com a sociedade onde está inserida. “Esse tipo de pesquisa e evento, nada mais é do que uma contrapartida dos estudantes universitários com a população de Três Lagoas”, finalizou.

Quem quiser se inscrever para acompanhar o evento deve deve se inscrever na página do Facebook da Liga. Porém, como as vagas são limitadas, a Liga resolveu adotar apolítica de ordem de chegada apenas daquelas que se cadastraram. Portanto, os interessados devem chegar antes para garantir sua participação na iniciativa.

Serviço: O debate será no dia 27, às 18h, no anfiteatro 1 do Bloco VIII, Câmpus II.

Sinopse: Dirigido por Stephen Chbosky, embasado em um livro homônimo do próprio diretor, As Vantagens de Ser Invisível conta a história de Charlie, um adolescente prestes a entrar no Ensino Médio em uma escola nova.
Só tem um porém: Charlie tinha apenas um amigo, seu melhor amigo, que cometera suicídio um pouco antes do início da história. Além disso, o protagonista enfrenta seus próprios dilemas diários – bullying, depressão, insegurança. O filme abre brecha para uma discussão pertinente e necessária sobre suicídio, suas dimensões e percepções.

OMS

De acordo com a Organização Mundial de Saúde os suicídios têm aumentado nos últimos anos em todo o mundo e pode ser considerada uma epidemia, uma das principais causas de óbitos da população mundial. “Um ato como esse acontece no mundo a cada 40 segundos, quase 800 mil vítimas por ano, e desse total, 90% dos casos poderiam ser evitados”, afirmou o órgão.

BRASIL

Já no Brasil, o Ministério da Saúde divulgou, na semana passada, o índice de suicídios em território nacional. Segundo o órgão, cerca de 11 mil brasileiros tiram a própria vida os anos e, entre os aos de 2011 e 2016, aproximadamente 63 mil casos foram registrados no país.

TRÊS LAGOAS

De acordo com um levantamento feito pela Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Três Lagoas, faltando pouco mais de três meses para terminar 2017, a cidade já registrou 53 tentativas de suicídios. Esse montante é o mesmo que foi contabilizado em todo o ano passado.

Ainda de acordo com a análise, em 2017, duas pessoas morreram. Já em 2016, foram 6 mortes. Outro dado revelado é que, assim como no Brasil, a faixa etária mais atingida está entre jovens de 15 a 19 anos, sendo que a maioria, são mulheres.

ENTENDA O SETEMBRO AMARELO

As ações foram iniciadas pela Associação Internacional para Prevenção do Suicídio (Iasp) e trazidas ao Brasil pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), pelo Centro de Valorização da Vida (CVV), referência no atendimento – inclusive remoto – a pessoas em crise, e pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). O Setembro Amarelo caminha junto com a campanha Janeiro Branco, que, em um mês em que as pessoas estão mais propensas a renovações, busca vivificar reflexões sobre saúde mental e valorização da vida.

evento, que será realizado em alusão ao “Setembro Amarelo” (Arte/Divulgação)

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