29/09/2017 14h59

De acordo com o Grêmio Estudantil, a unidade escolar não tem infraestrutura suficiente para receber a medida, pois as salas não têm boa iluminação, climatização e banheiros o suficiente.

Flávio Veras

Estudantes da Escola Estadual Afonso Pena, de Três Lagoas, fizeram um protesto pacífico, na manhã de hoje (29), contra a política de implementação do Ensino Médio Integral (EMI) na unidade educacional. De acordo com Grêmio estudantil, a escola não tem estrutura para receber este tipo de medida e, consequentemente, os alunos seriam prejudicados, caso seja aplicada.

A manifestação teve início por volta das 9h30. Com cartazes e entoando frases de protestos, os estudantes se reuniram em frente à escola. Segundo o presidente do Grêmio, Pablo Vitorino Pancieira, caso seja aprovado, o EMI trará graves consequências aos alunos. “Nós não temos luz dentro da sala, banheiros estão danificados, apenas dois ventiladores, que nem sempre estão funcionando. Portanto, elas não são climatizadas e, por esse motivo, não conseguiremos ficar mais de 9 horas neste tipo de ambiente, ou seja, nosso aprendizado será prejudicado”, lamentou.

Já segundo o vice-presidente do coletivo estudantil, Ariel de Brito Freitas, após a implementação do projeto, diversos alunos seriam obrigados a abandonar o colégio, por atividades extracurriculares, já que muitos deles fazem cursos, ou trabalham, ou residem na zona rural da cidade. “Minha indignação se deve porque nós somos os mais afetados com qualquer mudança na grade curricular, porém, não somos nem consultados. As medidas sempre são impositivas e fazem a gente aceitar de ‘goela abaixo’, isso não é justo. Por isso, estamos protestando, queremos ser ouvidos para que diversos estudantes não sejam prejudicados”, explicou.

O protesto em frente à escola continuou até o início da chuva. Com a chegada dela, os estudantes entraram na unidade educacional e continuaram a manifestação. O fato chamou a atenção da diretora do colégio, Joana D’arc, que saiu para dialogar com os representantes dos alunos. Durante a conversa, eles chegaram ao consenso de que seis dos estudantes, contrários a medida, entrassem e participassem da reunião.

PRECARIEDADE

Um professor, que estava na hora do manifesto e não quis se identificar, mostrou as condições das salas, que para ele, são precárias. O Perfil News conseguiu flagrar que algumas delas têm pouca iluminação, vidros danificados, lousas com pintura antiga, ventiladores danificados e cupins no teto. Dentro e fora da instituição educacional informam que a última reforma foi em 2010. “Um banheiro o qual teve seu interior reformado foi interditado pelos bombeiros, pois no teto existem muitos cupins e corria o risco de desabar em cima de algum estudante”, alegou o professor.

RESULTADO

Após a reunião, a reportagem entrou em contato com o vice-presidente do Grêmio e, de acordo com ele, a representante da Secretaria de Estado da Educação (SED) passou para a plateia o novo ensino médio. Após a palestra foram abertas perguntas aos presentes. “Nós alunos fizemos as perguntas em relação a infraestrutura e as atividades extracurriculares que sairiam prejudicadas. Tanto que, em uma das minhas perguntas, citei meu caso, onde eu faço dois cursos, se eu teria de abandonar a escola. Uma vez que outros colégios provavelmente não teriam vagas para a quantidade de alunos que sairiam do Afonso Pena pela implantação do EMI, ou abandonar nossos cursos, porém, ela não foi capaz de responder”, disse.

OUTRO LADO

Tentamos contato com a direção do Afonso Pena. No entanto, fomos informados que todas as respostas só poderiam ser passadas pela diretora adjunta, que não estava no colégio no momento da ligação. Também tentamos ouvir a SED, porém, durante toda a tarde um recado eletrônico passava a informação de que todos os ramais estavam ocupados.

Manifestação teve início por volta das 9h30 (Foto: Flávio Veras/Perfil News)

Após ser reformado, o banheiro foi interditado pelos Bombeiro opor problemas estruturais no teto (Foto: Flávio Veras/Perfil News)

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