10/01/2019 14h55

Delegada diz que as duas pareciam “achar normal” o fato de não conviverem com as crianças e adolescentes em MS, aponta investigação

DO G1

Indiciadas por abandono e, no caso de uma delas, com o agravante de maus-tratos, as mães não demonstraram nenhum arrependimento ao perder a guarda dos filhos, entre eles um bebê de 2 anos, que bebeu vodca e inalou fumaça de maconha, em Campo Grande. Ao G1 a delegada Anne Karine Trevisan, responsável pelas investigações, disse que as duas pareciam “achar normal” o fato de não conviverem com as crianças e adolescentes.

“Hoje nós ouvimos a assistente social da UPA [Unidade de Pronto Atendimento] e o bombeiro que socorreu as crianças. Ambos ressaltaram a questão do Conselho Tutelar. Sobre as mães, elas pareciam achar que é normal e não demonstraram nenhum sentimento, nenhum arrependimento”, afirmou a delegada.

Esta semama, ao investigar o caso no Jardim Macaúbas, a polícia prendeu a outra mãe, de 28 anos. Ainda conforme a investigação, ambas tinham o hábito de beber e usar drogas, junto com os filhos adolescentes.

“Nossos policiais foram buscar a mãe do menino, para prestar depoimento, quando ela novamente falou que tinha saída para buscar açúcar na vizinha. Quando os policiais foram checar, na verdade a pessoa nem morava perto da casa dela e, ao chegar, encontraram três crianças de 2, 9 e 13 anos, também em situação de abandono”, afirmou na ocasião a delegada.

O outro flagrante ocorreu no Jardim Los Angeles. “A investigação e o depoimento de testemunhas também apontou que as mães se encontravam e ingeriam bebidas alcoólicas, junto com as crianças e os adolescentes, sendo que estes últimos faziam uso de drogas e saíam para bailes funks frequentemente”, comentou.

Catadora de recicláveis, a mãe foi indiciada por maus-tratos e passou por audiência de custódia, nesta quarta-feira (9), sendo liberada pela Justiça. “Ela teve os três filhos abrigados, assim como a amiga dela, no caso do bebê que tomou a vodca e a irmã dele, que confessou ser usuária de drogas e inalou a fumaça de maconha no menino. A outra mãe, possui cinco filhos e só conviva com dois, porque já tinha os outros três abrigados e nem sabia dizer onde eles estavam”, disse Trevisan.

Ainda conforme a polícia, nove testemunhas já prestaram depoimento no primeiro caso, envolvendo a Simony Batista Ferreira, de 32 anos. Já no caso da outra mãe, que não terá a identidade revelada, cinco pessoas já estiveram na delegacia. “Nós já sabemos quem forneceu a droga e o próximo passo é saber quem comprou a bebida alcoólica e levou na casa”, finalizou a delegada.

Entenda o caso

O bebê foi socorrido após beber vodca e inalar fumaça de maconha, em uma casa na rua Castorina Rodrigues da Luz, Jardim Macaúbas, na noite de domingo (6). A irmã dele, de 11 anos, confessou aos bombeiros que deu a bebida alcoólica e ainda soprou a fumaça. A mãe também comentou que o menino possui paralisia cerebral.

“Nós chegamos lá por volta das 21h [de MS] e os ânimos estavam bem exaltados, já que os moradores da região é quem acionaram o Corpo de Bombeiros e queriam agredir a menina, pois, sabiam que ela tinha baforado na direção do bebê. O menino inclusive estava desacordado e, quando colocamos na viatura, ele passou a recobrar os sentidos”, afirmou na ocasião ao G1 o cabo Samuel Ramires do 1° Grupamento dos Bombeiros (GB).

Ainda conforme Ramires, a menina saiu da casa e a mãe disse ter deixado o bebê na responsibilidade da filha. Ambas foram encaminhadas para a Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac) Piratininga.

Já o menino foi levado para a UPA do bairro Universitário e teve alta médica após algumas horas. A mulher foi ouvida pela polícia foi liberada em seguida. Ela é investigada pelo crime de maus-tratos e abandono de incapaz.

Conforme a Polícia Civil, ela já foi vítima de violência doméstica inúmeras vezes e ainda consta, nos registros policiais, que é alcoólatra. Como autora, está registrado o abandono material dos filhos, no dia 25 de fevereiro de 2014.

Em declaração anterior, a mãe informou que o bebê tem paralisia cerebral. A irmã da criança e outros adolescentes que estavam no local também foram ouvidos e confirmaram o uso de entorpecentes. Ela já havia assumido que deu a bebida ao irmão e que ainda soprou a fumaça no menino.

Caso é investigado pela Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (Foto: arquivo/campo Grande News)

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