29/01/2019 08h19

Um helicóptero com um agente armado de fuzil sobrevoou o local realizando os tiros de misericórdia

Thais Dias

Na manhã de ontem (28), a PRF (Polícia Rodoviária Federal), começou uma nova etapa na tragédia de Brumadinho. O foco nesta segunda-feira não foi a busca por sobreviventes, mas sim acabar com o sofrimento dos animais que ficaram ilhados em meio à lama.

Um helicóptero ficou com a missão de fazer voos rasantes e procurar os animais que já estavam muito debilitados e que não teriam condições de ser salvos. Por volta das 14h30, segundo o Estadão, um agente armado com fuzil mirava os animais e disparava o tiro de misericórdia.

De acordo com o site, foram cerca de 20 disparos. Depois disso a aeronave partiu. A área fica perto do lugar onde foi encontrado um ônibus coberto de lama e com vítimas. Vinte socorristas trabalhavam para resgatar os corpos de dentro do ônibus.

RESISTENTE

Um boi que se encontrava perto do local foi batizado pelos agentes de Resistente. O animal se encontra muito cansado, após ser tomado pela lama. O helicóptero que realizava os disparos se aproximou mas não o abateu. Muito pelo contrário: o alimentou com feno e água, enquanto os agentes retiravam o primeiro corpo do ônibus.

A DECISÃO

De acordo com o coronel Evandro Geraldo Borges, chefe da Defesa Civil de Minas, que foi entrevistado pelo Estadão, a decisão foi muito bem pensada, as equipes foram separadas em duas, uma irá abater os animais que já se encontram sem condições de serem resgatados e outra irá retirar aqueles que sobreviveram a tragédia.

“O que vamos fazer? Deixar o animal sofrendo? Estamos sim, com equipe em campo executando esse trabalho, mas essa decisão só é tomada nos casos em que não há outra opção, não tem jeito. Tem animal preso, outro com perna quebrada. Temos de fazer escolhas, de retirar as pessoas, ir atrás de sobreviventes. Tudo que está sendo feito foi pensado. É isso”, disse o Coronel.

Em nota a PRF informou que o procedimento de sacrifício dos animais foi realizado com o atendimento de todos os protocolos de segurança, “a pedido e sob a coordenação de uma veterinária, integrante do Conselho de Veterinária de Minas Gerais e supervisionado pelo comando das operações de resgate”.

Animais lutam pela vida durante desastre ambiental na represa da Cia Vale, em Corrego do Feijão-Brumadinho, região metropolitana de Belo Horizonte, MG, na tarde desta sexta feira (25) (foto Giazi Cavalcante)

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