26/08/2014 18h00 – Atualizado em 26/08/2014 18h00

Por dois anos, brasileiro cavalgou 16 mil quilômetros do Canadá ao Brasil. Aventureiro realizou sonho de infância ao entrar na arena da Festa do Peão.

Da Redação

Dois anos e 45 dias após ter iniciado uma jornada de 16 mil quilômetros entre Canadá e Brasil a cavalo, o jornalista Filipe Masetti Leite, de 27 anos, finalmente chegou à Festa do Peão de Barretos (SP) neste sábado (23). Com uma entrada apoteótica na arena, com direito a show pirotécnico, hinos nacionais e recepção da família, o “Cavaleiro das Américas”, como ficou conhecido mundialmente, disse que o desafio foi compensador. “É a realização de tudo o que sonhei.”

Um sonho que começou há muito tempo, quando Leite ainda tinha 10 anos e ouviu do pai a história do aventureiro suíço Aimé Tschifelly, que na década de 1950 cavalgou da Argentina aos Estados Unidos. Morando no Canadá desde criança, onde também se formou como jornalista, o brasileiro decidiu que escreveria uma biografia semelhante e começou a traçar os planos para atravessar as Américas em cima de um cavalo.

A viagem começou em Calgary, no Canadá, em 8 de julho de 2012, quando Leite e mais três cavalos partiram rumo a Barretos, onde acontece o maior e mais tradicional rodeio da América Latina. Quase dois anos depois, em 30 de abril desse ano, após passar por 12 países, o cavaleiro era recepcionado com festa em Corumbá (MS), a primeira parada em terras brasileiras. De lá para cá, continuou cavalgando determinante até chegar à Festa de Barretos.

RECEPÇÃO

Leite chegou ao Parque do Peão, às margens da Rodovia Brigadeiro Faria Lima (SP-326), no fim da tarde de sábado. Após um breve descanso, foi recepcionado na arena de rodeios, já durante a noite. Uma festa emocionante, com direito a show pirotécnico, levantou o público nas arquibancadas e contou com a presença de comitivas, artistas e da rainha da Festa, Juliana Leme. “Estou muito emocionado, chorei o dia inteiro. Não consegui dormir um minuto na noite passada. É difícil acreditar que meu sonho está se concretizando.”

Um monumento em homenagem ao cavaleiro também foi erguido dentro do Parque do Peão: a estátua representa Leite e seus três cavalos. Ele contou que apesar de atravessar desertos, enfrentar temperaturas diversas e superar muitas dificuldades ao longo do trajeto, nunca pensou em desistir.

“Eu guardo uma gratidão enorme pelas pessoas que foram solidárias comigo. Estou aqui graças à ajuda de milhares de pessoas que encontrei pelo caminho. Pessoas que mataram a única galinha que tinham no quintal para eu comer. Isso é maravilhoso, saber que existem pessoas boas e solidárias no mundo inteiro”, afirmou Leite.

A aventura do “Cavaleiro das Américas” foi contada em tempo real pela internet. Agora, vai se transformar em documentário e livro, previstos para serem lançados no início do próximo ano. Mas a jornada ainda não acabou. Leite percorrerá mais alguns quilômetros até sua cidade natal, Espírito Santo do Pinhal (SP), onde os animais serão aposentados na fazenda do pai.

NOVOS PROJETOS

O cavaleiro também não pensa em voltar mais para o Canadá. Leite conta que planeja ficar no Brasil e trabalhar na profissão que escolheu, o jornalismo. Isso, até decidir qual será o próximo desafio. Amante das cavalgadas, não descarta uma nova aventura pelo mundo em companhia dos animais. “Eu aprendi que tudo é possível quando você quer alguma coisa. Pode ser difícil às vezes, mas se você quer mesmo, com a alma, com o coração, consegue qualquer coisa.”

(*) Com informações de G1 MS

Filipe Leite saiu há dois anos do Canadá e percorreu as Américas a cavalo (Foto: Érico Andrade/G1)

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