07/10/2019 16h12

Segundo o Prefeito, enxugar as despesas foi primordial para equilíbrio das contas; município agora corre atrás de investimentos de indústrias

Gisele Berto

Quem anda por Bataguassu, a 135 km de Três Lagoas, dificilmente encontra uma rua de terra. Isso porque o município, administrado pelo tucano Pedro Arlei Caravina, tem 95% das ruas pavimentadas. “E até entregarmos o mandato, no final do ano que vem, chegaremos a 100%”, garante o prefeito.

Segundo dados do IBGE, em 2010 a cidade tinha apenas 11% das ruas pavimentadas. Chegar a esse número só foi possível equilibrando as contas da cidade. “Foi preciso austeridade. Tínhamos muitos problemas financeiros e dívidas e sabíamos que precisávamos mudar o modelo de gestão”, conta o prefeito.

Parte da solução era rápida – mas impopular. Reduziu-se os cargos comissionados de 90 para 50. “Muita gente ficou chateada, porque achava que teria um cargo”, lembra Caravina.

Além disso, os gastos fixos, como aluguéis, foram revistos. Com a prefeitura investindo em imóveis próprios, o plano de “100% sem aluguel” foi levado a sério e o custo mensal, de R$ 39 mil, estará zerado até o final do ano que vem.

Os gastos com combustíveis também foram revistos. Apesar da frota ter aumentado em 59 novos veículos, os custos com abastecimentos caíram quase pela metade: de R$ 220 mil mensais para R$ 130 mil. “Veículo para abastecer só oficial, autorizado, envelopado”, garante Caravina.

Dinheiro extra vai para investimentos

Neste ano Bataguassu também recebeu o dinheiro proveniente das indenizações da CESP. Foram destinados à cidade R$ 61 milhões.

Segundo Caravina, esse dinheiro deve ser colocado todo em investimentos para a cidade. “Esse tipo de recurso não é usado para custeio, porque senão lá na frente não vai ter mais o dinheiro a e a conta não fecha”, diz.

Para Caravina, a austeridade faz com que Bataguassu conquiste investimentos importantes que outras cidades do mesmo porte dela não têm. “Conseguimos ter coisas que muitas vezes um município do nosso porte não tem. Por exemplo: só cinco municípios de MS tem tomografia computadorizada pelo SUS; um deles é Bataguassu. Temos mamografia, dois ortopedistas, inclusive fazendo cirurgia. Temos plantão 24h de ginecologia, pediatria, ortopedia, anestesia e 12 especialidades médicas pelos bairros”, lista.

A gestão reformou todos os postos de saúde e vai inaugurar a Clínica da Mulher, para centralizar todos os atendimentos do setor.

Além disso, construiu o Clube da Melhor Idade, com piscina e o melhor centro de fisioterapia do Estado, segundo ele. “Equipamentos que você não encontra em clínicas particulares estão lá, à disposição, para atendimento gratuito”, diz.

A batalha por indústrias

Caravina diz que Bataguassu, agora, começa uma nova etapa: a busca por investimentos. “Não conseguíamos ´vender´ a cidade sem preparar a infraestrutura. Agora temos tudo pronto e vamos contar com o nosso potencial logístico para receber esses investimentos”, diz.

A árvore já começa a frutificar: a Regina Festas, que já está no município desde 2009, anunciou um novo investimento: a construção de uma nova planta, para confecção de fantasias e que gerará 200 novos empregos.

“Agora estamos capacitando as pessoas, porque eles precisarão de costureiras industriais. O Senai nos ajuda com isso, logo estaremos formando a turma”, afirma.

Outras empresas também estão de olho na cidade. A Socind (antiga Soceppar) anunciou a retomada das operações da empresa em Bataguassu.

A primeira etapa do investimento consiste na revitalização da unidade industrial (manutenção e recuperação do local). O planejamento é que em dezembro a unidade esteja apta a começar a atender a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), indústrias, cooperativas, empresas particulares e produtores rurais com armazenagem de grãos em geral (recebimento, limpeza, secagem, armazenagem e expedição), processo que será realizado no transcorrer do ano de 2020.

Além disso, atrativos turísticos começam a tomar forma: a prefeitura já abriu licitação para a construção do Parque Aquático de Bataguassu e deve também investir no turismo pesqueiro, com a construção de dois piers, com atracadores, restaurantes e estrutura para receber os pescadores.

Celulose

Após informações sobre a instalação de uma indústria de celulose no município, Caravina afirma que tudo tem seu tempo e conta com o esgotamento de Três Lagoas na área para que, agora, seja a vez da região se beneficiar.

“Já tivemos consultas, sim. Sabemos que Três Lagoas está estrangulada de indústrias e a tendência é o volume extra dispersar. Bataguassu tem várias florestas para começarem a ser cortadas. É só questão de tempo”, afirmou.


Foto aérea do município de Bataguassu. Fotos: Assessoria de Comunicação Bataguassu

Implantação de galerias de águas pluviais na extensão dos bairros Jardim Santa Rosa, Jardim Acapulco, Irmãos Sollito e Centro. Obra em andamento

Polo empresarial de Bataguassu, com foco na destinação de áreas para investidores.

Área central revitalizada (recapeamento do centro)


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