Na mesma sessão foram aprovadas redução na alíquota do etanol e mudanças no Fundersul, o que levou dezenas de ruralistas à Assembleia para protestar

Com plenário lotado, os deputados estaduais aprovaram por maioria de votos o Projeto de Lei 283/2019, de autoria do Poder Executivo, que prevê uma série de medidas referentes a créditos tributários. A proposta dispõe sobre cinco diferentes assuntos.

Um sobre remissão e perdão de créditos tributários do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) de quem deve até R$ 2 mil. Segundo assunto foi o aumento a alteração nas alíquotas do ICMS do álcool e da gasolina. O tributo cobrado sobre o preço da gasolina aumenta de 25% para 30% e o do etanol cai de 25% para 20%.

O terceiro assunto que de que o projeto trata é a isenção do Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCD) nas doações ou transmissões de imóveis por municípios ou autarquias do Estado, como a Agência de Habitação e que sejam decorrentes de programas de para regularização fundiária de interesse social, além da manutenção das alíquotas em 3% e 6% por prazo indeterminado.

Polêmica

O pacote também dispõe sobre alteração na Lei 1.963/1999, do Fundo de Desenvolvimento do Sistema Rodoviário do Estado de Mato Grosso do Sul, o Fundersul. A intenção é alterar gradualmente a tabela de valores das alíquotas dos produtos pecuários, agrícolas e extrativos, fato que gerou protestos de produtores rurais que acompanharam a votação no plenário Júlio Maia.

E ainda, o último ponto, a alteração no benefício fiscal concedido às empresas de transporte intermunicipal de passageiros. O benefício de crédito presumido equivalente às passagens gratuitas expedidas pelas empresas (hoje vigente) só valerá até dezembro de 2019. Em substituição a esse benefício que vencerá, o Governo propôs a redução da carga tributária para 7%.

Debate e aprovação

Com parecer favorável da Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR), a matéria foi apreciada em primeira votação e aprovada por maioria de votos, com votos contrários dos deputados Pedro Kemp (PT), Cabo Almi (PT), Capitão Contar (PSL), Coronel David (PSL) e João Henrique (PL).

Os que votaram contra justificaram: “Pedimos para votar separado em destaques, mas não conseguimos vencer a base do governo. O que estamos vendo, é que os governos, tanto Estadual quanto Federal, estão errando com essas políticas recessivas. Só estamos vendo cortes de recursos, de direitos e nenhum investimento. Isso fica difícil para a população”, disse Pedro Kemp.

Capitão Contar e Cabo Almi concordaram. “Esses impostos vão assassinar o comércio e vão na contramão do que é sadio à população. Além disso, estamos autorizando a alíquota do ITCD que iria diminuir em dezembro ao findar antigo acordo, agora com vigência sem prazo determinado”, ressaltou Contar. “Vai criar aumentos do que já vem aumentando. Esse da gasolina não vai estimular o povo a por álcool. Que dê logo um incentivo ao álcool e não aumente a gasolina. A lógica não é boa”, criticou Cabo Almi.

João Henrique também subiu na tribuna. “Esse pacote vai prejudicar o produtor, que por muito tempo carregou esse país nas costas. O transporte público também deve ser prejudicado com o aumento da gasolina, além do fim do benefício de isenção. Está tudo está interligado”, lamentou. Por outro lado, o deputado Zé Teixeira (DEM) defendeu que o projeto é necessário para honrar as contas. “Claro que acho injusto o aumento de impostos, mas no momento que a economia está atravessando não dá para não aprovar. Vamos olhar o Mato Grosso, eles pagam muito mais que nós”, ponderou.

Presidente convocou sessão extraordinária. Fotos: Luciana Nassar / ALMS

Com aprovação em primeira votação foi encerrada a sessão e os produtores se reuniram com os deputados na sala da Presidência. Meia hora depois, o presidente da Casa de Leis, deputado Paulo Corrêa (PSDB), abriu uma sessão extraordinária para emissão de parecer de mérito e votação em segunda discussão. A proposta foi novamente aprovada por maioria de votos e assim segue ao expediente para ser sancionada pelo governador Reinaldo Azambuja (PSDB) e se tornar lei.

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