07/07/2017 08h41

Conheça a situação dos moradores de rua de Três Lagoas. A cidade vive uma situação inusitado sobre o problema social.

Flávio Veras

A cidade de Três Lagoas vive uma situação inusitada em relação há algumas cidades do mesmo porte em Mato Grosso do Sul e no Brasil, quando se trata com pessoas em situação de rua. Por receber muitos trabalhadores de outras localidades do país, alguns deles acabam perdendo o emprego e ficando sem o dinheiro suficiente para voltarem ao seu local de origem. De acordo com a Secretaria de Assistência Social do município, aproximadamente 25 pessoas vivem em situação de rua.

No entanto, para a secretária da pasta, Vera Helena Arsioli Pinho, se não existisse o trabalho o Centro de Referência Especializado para Pessoas em Situação de Rua, mais conhecido como Centro Pop, o número de pessoas que moram na rua seria ainda maior.

Segundo dados da Secretaria, no primeiro semestre de 2017 foram realizados 1.513 atendimentos. No local, os munícipes recebem atualização da documentação civil, inclusão no Cadastro Único, busca e localização de familiares, encaminhamentos aos órgãos de defesa de direitos, lavanderia, higiene entre outros procedimentos.

“No POP identificamos a pessoa, caso ele necessite damos o direito dela ficar no nosso acolhimento até uma semana. Fazemos o contato com a família, compramos a passagem e os encaminhamos para as suas cidades. Alguns nem acabam voltando, porém isso acontece quando durante o atendimento acabam conseguindo outro emprego”, explicou.

RESISTÊNCIA

Já em relação aos moradores em situação de rua, Vera explicou que no mínimo 90% não querem sair dessa situação. “Muitos não aceitam disciplina e hierarquia e também não podemos forçar ninguém a fazer nada. Por isso, percorremos todas as noites os locais de concentração para verificar como eles estão e levar alimentos. Outro fator que os obrigam a permanecer neste estado, são os problemas com drogas que, em sua maioria, é o crack e o álcool”, relatou.

RESSOCIALIZAÇÃO

Apesar do trabalho árduo, a secretaria comemora porque, nesses seis meses à frente da pasta, a equipe dela conseguiu tirar três homens dessa situação. “Eu fico muito feliz por eles, pois, hoje trabalham em fazendas da região, e até preferem, porque o isolamento os afastam da cidade e da tentação de caírem de novo nas drogas. Além disso, eu comemoro porque sei o quanto é difícil estimular neles autoestima e um sentimento de expectativa em suas vidas. No entanto, o trabalho não termina nesse primeiro passo, nós os acompanhamos para saber se precisam de outra ajuda”, exaltou.

FERRAMENTA DE INCLUSÃO

Uma importante ferramenta para estimular esses sentimentos neles, é a horta do Centro POP, “Estimulando Saberes”, inaugurada há dois meses. “Nela eles cultivam e consomem esse alimento e, consequentemente, se sentem útil novamente. O programa que desenvolvemos tem que ser assim, com várias frentes para demonstra-los que podem dar a volta por cima”, exemplificou.

Hoje a Vera estima que existam 25 pessoas morando definitivamente na rua. De acordo com ela, alguns são apenas frequentadores dos locais e tem ainda casa e família. Já os definitivos, são conhecidos do programa e vão quase todos os dias tomar café da manhã e almoçar no Centro POP. “Alguns desses atendidos nós conhecemos pelo nome. Praticamente todos os dias os agentes se encontram com eles e fazem o acompanhamento. O que nos entristece é saber que eles preferem estar nessa situação ao invés de se ressocializarem”, finalizou.

SERVIÇO

O Centro Pop fica localizado à Rua Protázio Garcia Leal, 1026 no Bairro Santa Terezinha e tem como contato os telefones (67) 3929-1566 e (67) 3929-1277.

De acordo com a secretaria, 90% dos moradores em situação de rua não querem sair esse ambiente (Foto: Prefeitura/ Divulgação)

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