10/10/2013 16h18 – Atualizado em 10/10/2013 16h18

Área ocupada por índios em Miranda é atacada, diz líder em MS

Indígena afirma que grupo foi alvo de tiros em propriedade ocupada. Polícia Federal foi acionada e está na área para evitar conflitos.

Da Redação

A Polícia Federal (PF) está na área ocupada por um grupo de índios da etnia terena na madrugada de quarta-feira (9), em Miranda, a 203 km de Campo Grande. Segundo o líder indígena Paulino Terena, os agentes foram acionados após um ataque na chácara Boa Esperança, por volta das 21h (de MS).

Segundo Terena, suspeitos em carros deram os tiros que atingiram um galpão, onde funciona a empresa Trator Mil, e uma das casas da propriedade. Ele informou que, na manhã desta quinta-feira (10), foram encontradas nove cápsulas de munição de calibre 9 milímetros próximo à porteira da chácara, no acostamento da BR-262.

Ainda segundo o líder, o material foi apreendido pela PF. As mulheres e as crianças foram retiradas do local. Ninguém ficou ferido.

Segundo a assessoria de imprensa da PF, os agentes devem permanecer na área para evitar confrontos.

Os índios afirmaram que estão armados apenas com arcos, flechas, pedaços de pau e que temem um novo ataque. “Se tiver uma nova ameaça, vamos incendiar a fazenda, não temos armas de fogo e essa é a única maneira que temos de defesa”, afirmou Terena.

OCUPAÇÃO

A chácara Boa Esperança é uma das duas áreas ocupadas pelos índios na quarta-feira. A segunda, de acordo com Terena, não possui nome e é arrendada para criação de gado. As terras são reivindicadas pelos índios desde 1950.

O dono da chácara, Ernesto Melani, informou ao G1 que registrou um boletim de ocorrência na Polícia Civil de Miranda. Ele afirma que vai entrar com pedido de reintegração de posse na Justiça. A propriedade tem 11 hectares e fica às margens da BR-262 ao lado da aldeia Moreira, onde vivem aproximadamente 2,2 mil índios em uma área de 94 hectares.

O grupo reivindica uma área de 10,4 mil hectares, que faz parte da Terra Indígena Pillad Rebuá. Eles pedem a presença de um grupo técnico da Fundação Nacional do Índio (Funai) no local para o trabalho de demarcação da área.

Por meio da assessoria, a Funai, em Brasília, informou, na quarta, que a área em questão não possui relatório antropológico e encontra-se em estudo de identificação e delimitação da terra, mas falta complementação ao levantamento como análises de natureza antropológica, ambiental e cartográfica . Segundo o órgão, providências para estas ações estão sendo adotadas.

(*) Com informações de G1 MS

Índios  dizem que encontraram munições calibre
9 mm no local. (Foto: Reprodução/TV Morena)

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