18/04/2013 09h13 – Atualizado em 18/04/2013 09h13

João Rocha

Entregar cartas e encomendas e, mais do que isso, entregar confiança e qualidade porta a porta é um desafio diário. Uma corrida com obstáculos que tem o tempo como maior adversário. Os Correios e, por extensão o carteiro, seu profissional-símbolo, enfrentam isso a cada dia, para cumprir com qualidade o trabalho de entregar as mensagens que lhe foram confiadas.

Num trabalho em que o tempo é diretamente ligado à qualidade, existem alguns pontos que tornam a atividade ainda mais desafiadora. O clima e as intempéries, as dificuldades de acesso e os ataques de cães são obstáculos frequentes e, por vezes, naturais no trabalho diário do carteiro.

Porém, existe uma situação no cotidiano das cidades que vai além desses empecilhos e prejudica a todos os que dependem de endereçamento correto para desempenhar seu trabalho: a correta nomenclatura de ruas e avenidas e a correta numeração dos imóveis.

Ruas diferentes com mesmo nome, ruas sem nome ou uma mesma rua com vários nomes torna mais difícil a localização dos destinatários. Encontrada a rua, há outro problema estrutural nas cidades a ser vencido: a ausência ou a duplicidade e a desordem na numeração dos imóveis.

Se o endereçamento é confuso ou ausente, é despendido um tempo precioso que interfere não só na prestação de serviço dos Correios, mas também no socorro da Polícia, dos Bombeiros, no resgate do SAMU. Todos correndo contra o tempo, cada um por seus motivos, a um endereço que, por certo, demorará a ser localizado.

Os gestores públicos municipais — prefeitos e secretários — devem atender às normas legais de urbanização que auxiliam o trabalho dos Correios e demais prestadores de serviço à população. Essas normas estão na legislação postal e no Plano Diretor de Distribuição Postal.

Pelo que determina a Portaria 567/2011 do Ministério das Comunicações, os Correios devem fazer entrega em domicílio sempre que atendidas algumas condições. Entre elas, a de que logradouros e vias tenham placas indicativas de seus nomes instaladas pelo órgão municipal responsável, e os imóveis apresentem numeração de forma ordenada, individualizada e única.

Então, o que pode ser feito para resolver essa situação que prejudica não somente os Correios, mas diretamente a população?

Todos têm um importante papel: população, associações de moradores, vereadores e prefeitura municipal devem se unir aos Correios e colocar em prática um plano de ação conjunta para identificar corretamente todas as ruas e imóveis da cidade.

Enquanto o poder público tem a responsabilidade de identificar as ruas, o proprietário deve identificar corretamente seu imóvel, buscando junto à prefeitura a numeração correta.

Essa força tarefa é uma ação prática e de resultado. Em diversas cidades de Mato Grosso do Sul foram realizados trabalhos nesse sentido. Nova Andradina e Amambai são alguns exemplos.

Com essas ações, nossa corrida contra o tempo continua, mas os obstáculos enfrentados voltam a ser os naturais e os Correios podem cumprir com excelência sua missão: fornecer soluções acessíveis e confiáveis para conectar pessoas, instituições e negócios, no Brasil e no mundo.

João Rocha é o Diretor Regional dos Correios em Mato Grosso do Sul.

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