(*) Ricardo Ojeda – Diretor do Perfil News

Este é um artigo sobre a polêmica envolvendo a decisão do prefeito Angelo Guerreiro e da diretoria do Hospital Nossa Senhora Auxiliadora em relação ao hospital de campanha.

Antes de entrar no mérito, faço questão de ressaltar que obtive as informações contidas nesse texto após ouvir vários profissionais de saúde, além de um gestor hospitalar. Foi no posicionamento deles que busquei embasamento para escrever esse artigo. Não são simples conjecturas, mas informações de profissionais, dos quais guardo as mensagens, caso seja necessário divulgá-las posteriormente.

Vamos ao texto:

Após o prefeito Guerreiro ouvir da direção do Auxiliadora que seria possível abrir mais 70 leitos (20 dos quais para UTIs), para o Hospital de Campanha, o prefeito e o presidente de Câmara, Cassiano Maia, além da diretoria do HNSA, bateram o martelo anunciando em uma live para toda sociedade de Três Lagoas a formalização do acordo.

Porém minutos depois da divulgação as redes sociais foram inundadas por comentários críticos à decisão.

Inclusive o vereador Paulo Veron, que por sinal é médico e muito conceituado na cidade, foi radicalmente contra, chegando inclusive a publicar um vídeo, para expor sua versão. “HNSA – De hospital de referência a hospital de campanha? Me pronuncio, hoje, pois acho o assunto de extrema importância para a população e não concordo com a decisão da implantação de hospital de campanha no Auxiliadora. Acredito que existem outras opções mais viáveis e mais seguras, tanto para os pacientes e acompanhantes, quanto para os profissionais da saúde”, escreveu o médico vereador.

O vereador disse que a implantação do hospital de campanha dentro do Nossa Senhora Auxiliadora fere todos os princípios e as regras da vigilância sanitárias, tornando um temos para os profissionais de saúde e aos próprios pacientes.

Embaixo do post, talvez levados pela exposição do legislador, centenas de comentários depreciativos ao procedimento adotado pela prefeitura. Outros ainda, aproveitado o gancho, e sem conhecimento técnico, deram sequências, porém com um tom mais catastrófico que o roteiro inicial em suas páginas, viralizando negativamente a situação.

O atual quadro da saúde de Três Lagoas está impactado, para não dizer o caos, tanto em leitos, estrutura e equipe clínica. Com isso a sociedade cobrou uma posição imediata do gestor da cidade. Este, mesmo passando por dificuldades, por questões de saúde em sua família, agiu rapidamente conseguindo mais 70 leitos através da ativação do hospital de campanha, como já foi explicado em um dos parágrafos deste artigo.

Mas, será que ele não podia construir no Fazendinha, ou na antiga sede do SESI, como também onde o Hospital Regional está sendo construído? Indagaram alguns vereadores, ecoando em suas redes sociais.

Explico: Não dá! Falta estrutura e equipe, além de toda logística de atendimento. Não haveria tempo para isso. Nas atuais circunstâncias, tempo pode custar mais vidas. Só esse mês já houve 72 óbitos por Covid em Três Lagoas. Só nesses 12 dias de abril. São 20 a mais do que em todo o mês de março. TEMPO É VIDA!

Mas, o que é um Hospital de Campanha?

São centros de assistência médica construídos durante emergências de saúde pública, como a atual pandemia e apresentam caráter temporário.

Como bem avaliou um médico intensivista consultado, usar o Auxiliadora como hospital de campanha só trará benefícios, pois irá aproveitar diversas estruturas que o local já dispõe; como lavanderia hospitalar (que tem separação de material sujo e contaminado, do material limpo e pronto para esterilizar), setor de esterilização, expurgo, farmácia e até o centro cirúrgico caso haja necessidade. O quão breve começar a funcionar, mais rápido salvará mais vidas!

Porém o médico fez uma ressalva: tem que preservar um setor para “emergência não covid”. Diante disso ele não vê motivo para não implantar lá o hospital de campanha, disse.

Um outro médico consultado, foi o Dr Laércio Abrahão Ceconello, da cidade de Londrina, que dispensa apresentações, mas fiquem à vontade para consultá-lo no Google. Ele disse que prefeitos de vários municípios brasileiros estão fazendo o mesmo procedimento, equipando os hospitais já existentes, utilizado as estruturas que não são usados para disponibilizar mais leitos. “Foi feito no Brasil inteiro. Muitos prefeitos optaram por utilizar as áreas já construídas. Uma estrutura de hospital de campanha não é barata, são milhões de reais de gastos. Oras! Se já tem uma estrutura pronta, não tem nenhuma razão técnica para que não possa utilizar”.

Em nota, a direção do Hospital Nossa Senhora Auxiliadora informou que a viabilidade do projeto se deu em uma unidade em que funcionava a clínica médica e clínica cirúrgica (como mostram as fotos que ilustram esse post). Estas serão realocadas em outros setores, para que possa aportar uma parte dos leitos do Hospital de Campanha. Os demais leitos serão distribuídos na UTI que o Hospital já dispõe hoje e que está em processo de conclusão de obras para dispor dos demais leitos de enfermaria e UTI COVID-19.

A implantação desse Hospital de Campanha no Hospital Auxiliadora foi possível pelos métodos de segurança que o HNSA já dispõe hoje, como uma Usina e Rede de oxigênio já estabelecida, gerador de energia, limpeza e higienização hospitalar, lavanderia industrial, cozinha industrial, equipe de manutenção, engenharia clínica e equipe assistencial que irão dar todo o suporte a esses novos leitos, garantindo a segurança desses pacientes que serão atendidos. E utilizando da expertise e da logística do Hospital Auxiliadora na mobilização e desmobilização de leitos para o enfrentamento do COVID-19.

Para viabilizar o projeto, serão investidos aproximadamente R$ 9 milhões, dois quais R$ 3 milhões correspondente ao repasse que será feito pela Câmara de Vereadores, anunciados pelo presidente da Casa, Dr. Cassiano Maia, enquanto o restante será rateado entre a prefeitura e o Governo do Estado.

Escrevi esse textão para dar luz aos fatos, aproveitando para clarear as mentes daquelas pessoas que se utilizam de expedientes espúrios, criando dificuldades para vender facilidades. Eu acho que o momento é para salvar vidas e não para fazer política.

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