05/11/2013 16h14 – Atualizado em 05/11/2013 16h14

Alvaro Velloso de Oliveira

No início era um sítio, que foi dividido em chácaras e na sequência em terrenos, ocupados aos poucos por dezenas de famílias. A população vai se organizando da maneira que pode, abrindo vielas, cavando fossas, transformando parte da residência em comércio e fazendo o possível para dispor de energia elétrica. Falta ainda abastecimento de água e conflitos podem advir de pequenas divisões territoriais. Sem contar que chegar ao trabalho e voltar para casa é uma longa e penosa jornada diária. A descrição acima está próxima de uma fotografia do que ocorre em diversas cidades brasileiras, principalmente nas periferias das regiões metropolitanas do país.

Durante décadas, os governos relegaram a um segundo plano qualquer ação de controle ou organização da ocupação do solo, empurrando o problema para as futuras gerações. Hoje, as ocupações irregulares não afetam apenas os cidadãos que moram nessas localidades, mas comprometem a qualidade de vida de toda a população. Um exemplo de que os problemas não precisam estar necessariamente próximos de nós para atingir nossas vidas pode ser conferido com a ocupação das localidades nas proximidades das represas Guarapiranga e Billings, na Região Metropolitana de São Paulo. O resultado é o comprometimento do abastecimento de água para toda a capital paulista, que cada vez mais precisa buscar fontes distantes para suprir os paulistanos de água potável. Problemas similares se repetem em outras cidades de outros estados, exigindo atuação firme e competente dos governos.

No caso de São Paulo, a realidade da região vem aos poucos mudando a partir do Programa Mananciais, que atende as bacias Guarapiranga e Billings, essenciais ao abastecimento público da Região Metropolitana de São Paulo, onde há severa escassez de recursos hídrico. Hoje, cerca de 4,7 milhões de pessoas são abastecidas pelos sistemas produtores de água das duas represas. Um dos importantes pontos alcançados pelo programa foi a conservação e o saneamento ambiental das represas. Os trabalhos também incluem a utilização de diversas ferramentas para controlar a ocupação desordenada nas áreas de mananciais. O programa também é responsável por ações de recuperação social e ambiental nos bairros existentes na região e recuperação da qualidade das águas das duas represas. As mudanças profundas ocorridas nessas regiões em decorrência desse programa conquistaram a atenção de autoridades nacionais e internacionais e foram destacadas pelo Banco Mundial como referência no tratamento da questão ambiental.

Olhar criticamente nosso passado ajuda a não repetir erros no futuro. A ocupação desordenada do solo deixou inúmeras mazelas sociais, que precisamos superar, aos poucos mas decisivamente, para garantir uma vida mais digna para todos e um futuro melhor para nossos filhos e netos.

Diretor de Operações da Hagaplan

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