27/04/2015 09h41 – Atualizado em 27/04/2015 09h41

Atividade industrial no Estado continua fraca, aponta Sondagem da Fiems

A confiança do empresário segue nos mais baixos patamares da série histórica, segundo pesquisa realizada

Da redação

A Sondagem Industrial, realizada em março deste ano pelo Radar Industrial da Fiems junto às empresas sul-mato-grossenses, aponta que a atividade segue fraca nas indústrias de Mato Grosso do Sul. “Quando confrontado com o mês imediatamente anterior, março marcou o 10º resultado consecutivo sem crescimento da produção, enquanto na comparação contra o mesmo mês do ano anterior se constata que o desempenho foi um pouco melhor, com o índice de evolução marcando 47,7 contra 45,7 pontos. Contudo, tanto em 2015, quanto em 2014, os resultados ficaram abaixo da linha indicativa de expansão, que é a partir dos 50 pontos”, destacou o coordenador da Unidade de Economia, Estudos e Pesquisas da Fiems, Ezequiel Resende.

Ele acrescenta que o nível de utilização da capacidade instalada em Mato Grosso do Sul continua abaixo do usual para o período, com o índice marcando 39,6 pontos em março, aumento de 3,2 pontos em relação a fevereiro. “Contudo, no comparativo com março de 2014 houve queda de 3,3 pontos, mantendo o resultado muito abaixo do patamar considerado adequado para o mês, que é alcançado quando o indicador se situa em torno dos 50 pontos. Por fim, a utilização média da capacidade instalada nas indústrias pesquisadas foi de 67%, queda de um ponto percentual em relação ao último levantamento”, pontuou.

Ezequiel Resende reforça que o industrial sul-mato-grossense sinaliza que as contratações e o volume exportado devem continuar fracos nos próximos seis meses. “A expectativa em relação à demanda por seus produtos e compra de matéria-prima marcaram 50,3 e 51,4 pontos, respectivamente, indicando que nos próximos seis meses a partir de março podem ocorrer melhorias nestas variáveis. Porém, em relação ao número de empregados e ao volume exportado a avaliação segue negativa, indicando que as contratações na indústria estadual e as vendas ao exterior não devem apresentar melhorias no período considerado”, informou.

TRIMESTRE

Na avaliação do 1º trimestre deste ano, o coordenador da Unidade de Economia, Estudos e Pesquisas da Fiems explica que o empresário de Mato Grosso do Sul se mostrou insatisfeito com as condições financeiras de sua empresa. “De um modo geral, os empresários industriais estão muito insatisfeitos com a margem de lucro operacional nos primeiros três meses deste ano, com o indicador alcançando 31 pontos. Comportamento semelhante foi verificado em relação às condições de acesso ao crédito e situação financeira geral da empresa, os indicadores alcançaram os 31 e 39,8 pontos, respectivamente. Por fim, vale ressaltar que valores abaixo de 50 pontos indicam insatisfação dos empresários em relação aos itens pesquisados”, salientou.

Em Mato Grosso do Sul, reforçou Ezequiel Resende, no 1º trimestre, 61,4% dos empresários industriais consideraram ruim a margem de lucro operacional obtida no período. Na mesma comparação, o acesso ao crédito foi considerado difícil por 53,7% dos empresários, enquanto a situação financeira geral da empresa foi considerada ruim por 42,1% dos respondentes e, para 75% dos entrevistados, houve aumento dos preços das matérias-primas utilizadas.

As principais dificuldades enfrentadas pelos industriais de Mato Grosso do Sul no 1º trimestre de 2015 foram a elevada carga tributária, a falta ou alto custo de energia e falta ou alto custo da matéria-prima. “Também chamam atenção a falta ou alto custo do trabalhador qualificado e as dificuldades na logística de transporte, especialmente, na comparação com o resultado nacional”, pontuou o coordenador da Unidade de Economia, Estudos e Pesquisas da Fiems.

ICEI E INTENÇÃO DE INVESTIMENTO

Já o Índice de Confiança do Empresário Industrial em Mato Grosso do Sul (ICEI/MS) segue nos mais baixos patamares da série histórica, com abril marcando o 2º pior resultado em Mato Grosso do Sul, sendo o 9º mês consecutivo com o índice inferior aos 50 pontos. O ICEI marcou 38,4 pontos em abril, permanecendo bem abaixo da linha divisória dos 50 pontos, principalmente, pelo pessimismo apresentado em relação às atuais condições da economia brasileira, sendo a variável de pior desempenho, marcando somente 18 pontos. Por fim, na comparação com igual mês do ano passado, o índice apresenta queda de 11,7 pontos”, detalhou Ezequiel Resende.

Em março, para 92,8% dos respondentes as condições atuais da economia brasileira pioraram, enquanto no caso da economia estadual, na mesma comparação, a piora foi apontada por 79,7% dos participantes. Com relação à própria empresa, as condições atuais estão piores para 59,3% dos respondentes, enquanto para 37% elas não se alteraram. Para os próximos seis meses, 63,2% dos respondentes mostraram-se pessimistas em relação à economia brasileira, enquanto no caso da economia estadual o pessimismo foi apontado por 51,8% dos participantes da pesquisa.

Com relação ao desempenho da própria empresa, considerando os próximos seis meses, 34% dos respondentes mostraram-se pessimistas, patamar próximo aos dos que acham que a situação permanecerá igual. Sobre a intenção de investimento do empresário industrial de Mato Grosso do Sul segue nos mais baixos índices já registrados, com o empresário mostrando-se reticente em relação aos investimentos para os próximos seis meses. “O indicador de intenção de investimento marcou 43,9 pontos em abril, recuo de 28,8% sobre igual mês do ano passado. Além disso, 60,3% dos respondentes disseram que não pretendem realizar investimentos nos próximos seis meses a partir de abril”, finalizou o coordenador da Unidade de Economia, Estudos e Pesquisas da Fiems.

(*) Assessoria de Imprensa da FIEMS

A pesquisa mostrou também que o industrial sinaliza que as contratações e o volume exportado deveram continuar fracos nos próximos seis meses. (Foto: Divulgação)

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