02/06/2017 13h31

O presidente da ONG, Antônio Carlos Costa, disse que a homenagem foi estendida a jornalistas mortos nos últimos anos

Da Redação

O presidente da ONG, Antônio Carlos Costa, disse que a homenagem foi estendida a jornalistas mortos nos últimos anos, para expor a violência contra a imprensa e a violação ao direito de informar e ser informado.

“São dados assustadorese que mostram o quanto estes profissionais são necessários. Sem eles não haveria democracia, uma vez que ela depende de cidadãos bem informados. O trabalho do jornalista consiste em desconstruir inverdades que, muitas vezes, são disseminadas pelos detentores do poder econômico, do poder político”, disse Costa, que agradeceu o trabalho da imprensa.

“Do ponto de vista dos movimentos sociais, são os jornalistas que nos pautam, que apresentam a matéria-prima das nossas manifestações. Quando vamos para as ruas protestar, são eles que dão visibilidade ao nosso ato público, aos nossos protestos. A manifestação de hoje é um agradecimento aos jornalistas brasileiros.”

De acordo com dados da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), de 2013 a 2016 ocorreram 300 casos de agressões a jornalistas durante a cobertura de manifestações, por parte das forças de segurança e dos manifestantes. De acordo com a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), o número de agressões vem aumentando a cada ano. A ONG Repórteres sem Fronteiras colocou o Brasil em 103º lugar no ranking de liberdade de expressão, o segundo país mais perigoso para profissionais de imprensa na América Latina depois do México.

Homenagem

Por volta de 10h30, familiares de Tim Lopes e de profissionais de imprensa fizeram uma pausa de cinco minutos em sua homenagem, colocando os instrumentos de trabalho em frente aos cartazes. Ao final, todos abraçaram a foto do jornalista.

A irmã de Tim, Tânia Lopes depositou rosas no local. O ato foi repetido pelo jornalista Jorge Antônio Barros, diretor do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio de Janeiro e consultor da Rio de Paz.

Tânia pediu que o trabalho do irmão não seja esquecido. Para ela, quando foi encontrada a ossada do Tim, e ali estavam enterrados tantos anônimos, foi como se o irmão estivesse fazendo mais uma reportagem, denunciando a existência do cemitério clandestino. “Quero agradecer ao Rio de Paz e ao trabalho de vocês, que estão atrás das câmeras. O olhar do Tim era para os desassistidos, para os excluídos”, afirmou.

Na opinião de Jorge Barros, a morte de Tim Lopes foi um marco na cobertura jornalística da cidade. “Foi um divisor de águas na cobertura jornalística da cidade do Rio de Janeiro e não foi em vão, muita coisa veio à tona e ainda hoje a gente continua esperando que mais coissas surjam.”

Também foi celebrada uma missa na Capela do Corcovado, aos pés do Cristo Redentor, para lembrar a data.

ABI

Para marcar os 15 anos da morte do jornalista, a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) vai promover, na tarde de hoje (2), uma mesa redonda com André Luiz Azevedo, repórter da TV Globo, e Beth Costa, secretária-geral da Fenaj, e o jornalista Bruno Quintella, filho de Tim e autor do documentário Histórias de Arcanjo, exibido pela manhã. A mediação é do presidente da ABI, Domingos Meirelles.

Ao fim do evento, será lançado o concurso UTV/Canal Brasil Viva Tim Lopes, para estudantes universitários.

(*) Agência Brasil

Rio de Janeiro - A irmã do jornalista Tim Lopes, Tânia Lopes durante o ato em memória aos 15 anos da morte de Tim Lopes. (Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil)

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