14/11/2006 09h40 – Atualizado em 14/11/2006 09h40

Campo Grande News

Beneficiários do programa Bolsa Universitária Indígena reclamam de atrasos no pagamento referente ao mês de novembro, que vem dificultando o custeio de seus estudos. O programa, gerenciado pelo Idaterra (Instituto de Desenvolvimento Agrário, Assistência Técnica e Extensão Rural de Mato Grosso do Sul) concede mensalmente um valor de R$ 340 aos 131 atendidos, usados para despesas diárias como aluguel e alimentação, e que normalmente é depositado até o sexto dia de cada mês. Os atrasos, porém, são constantes e, para o mês de novembro, a previsão é que o pagamento seja feito até sexta-feira, dia 17. Aluna do curso de Direito da Uems (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul) em Dourados, Rute Torres deixou no início deste ano a aldeia Buriti, em Sidrolândia, em busca do sonho do diploma universitário. Ela ressaltou que a bolsa é a única fonte de renda que lhe garante continuar os estudos. “Para mim e para muita gente”, salientou. A universitária informou que a apreensão com o atraso se torna maior pelo fato de não se obterem informações sobre o pagamento. Na semana passada, um raio atingiu o prédio do Idaterra, em Campo Grande, atingindo o PABX. Até agora, o equipamento não foi consertado, deixando o órgão “surdo”. “Tentamos falar com o responsável, mas não tinha como fazer contato porque queimou o aparelho”, disse Rute Torres. A história é a mesma narrada por Genivaldo da Silva Vieira, também aluno de Direito e morador da aldeia Bananal, em Aquidauana. Ele esteve na tarde de ontem a um caixa do Banco do Brasil (responsável pelos pagamentos), onde constatou que o depósito ainda não havia sido efetuado. “Estamos esperando, alguns com aluguel vencido. Perguntamos no banco e confirmaram que não pagaram. E no Idaterra ninguém consegue saber nada”, afirmou. Embora o atraso tenha completado uma semana na segunda-feira, a preocupação dos estudantes é baseada no histórico de pagamentos do Bolsa Universitária. Segundo Vieira, as aulas da Uems tiveram início em fevereiro deste ano, mas os pagamentos começaram a ser efetuados entre abril e maio. Além disso, as declarações do governador eleito, André Puccinelli (PMDB), também chamaram a atenção dos indígenas. “Ficamos preocupados porque vem sendo veiculado que o governador vai cortar os benefícios sociais. Sem esse dinheiro, não vamos concluir o curso”, adiantou Genivaldo Vieira, que disse ter enfrentado dificuldades no início do curso. “Quando ocorreram os atrasos no início do ano, eu só não fui embora porque um pastor permitiu que eu morasse nos fundos de sua igreja. Mas enfrentamos dificuldades para comprar alimentos”, contou. Apesar dos atrasos, os estudantes indígenas afirmam que desde que começaram a ser feitos, os pagamentos foram regularizados. “Nos outros meses pagaram normal. Mas temos medo de acontecer de novo como ocorreu no início, justo no fim do ano, próximo ao fim das aulas”, sustentou Rute Torres.

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